Reunião pública de 5/1/59
Questão nº 887
Se tiveres amor, caminharás no mundo como alguém que
transformou o próprio coração em chama divina a dissipar as trevas...
Encontrarás nos caluniadores almas invigilantes que a
peçonha do mal entenebreceu, e relevarás toda ofensa com que te martirizem as
horas...
Surpreenderás nos maldizentes criaturas desprevenidas
que o veneno da crueldade enlouqueceu, e desculparás toda injúria com que te
deprimam as esperanças...
Observarás no onzenário a vítima da ambição desregrada,
acariciando a ignomínia da usura em que atormenta a si próprio, e no viciado o
irmão que caiu voluntariamente na poça de fel em que arruína a si mesmo...
Reconhecerás a ignorância em toda manifestação
contrária à justiça e descobrirás a miséria por fruto dessa mesma ignorância em
toda parte onde o sofrimento plasma o cárcere da delinquência, o deserto do
desespero, o inferno da revolta ou o pântano da preguiça...
Se tiveres amor saberás, assim, cultivar o bem, a cada
instante, para vencer o mal a cada hora...
E perceberás, então, como o Cristo fustigado na cruz,
que os teus mais acirrados perseguidores são apenas crianças de curto
entendimento e de sensibilidade enfermiça, que é preciso compreender e ajudar,
perdoar e servir sempre, para que a glória do amor puro, ainda mesmo nos
suplícios da morte, nos erga o espírito imperecível à bênção da vida eterna.
Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças