Solidarity Spiritist Societ

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O VISITANTE ESPECIAL

Havíamos sido informados anteriormente que nossa comunidade receberia a visita de nobre  Entidade  residente  em  outra  dimensão,  que  viria  trazer-nos  notícias  preciosas  a respeito do futuro programa de atividades que seriam realizadas proximamente na Terra, no qual nos encontrávamos inscritos Oscar e nós.
O dia transcorrera, portanto, assinalado por doces expectativas.  À noite, no horário convencionado, enquanto os Céus bordavam-se com os diamantes estrelares, dirigimo-nos, o amigo e nós, ao recinto dedicado às conferências especiais. Tratava-se de um edifício semicircular, cercado por jardins bem cuidados, nos  quais  se  destacavam  árvores frondosas e fontes luminosas, cujas águas bailavam no ar ao som de deliciosas melodias, em área ampla, no coração da Colônia.

A sala reservada para eventos dessa magnitude comportava duas  mil  pessoas especialmente  convidadas.  Outras salas de menor porte havia, preparadas, porém,  para encontros menores e especializados, devidamente equipadas de recursos tecnológicos que permitissem melhor apreensão dos conteúdos  apresentados.  A  cúpula  superior  era composta por substância transparente que permitia ver-se o zimbório de veludo escuro da

noite com os seus pingentes de prata fulgurante. De todo lugar, no auditório elegante, tinha-se a perfeita visão convidativa à reflexão, à viagem interior.

Pairava no ambiente a psicosfera  resultante  das  atividades  que  ali  se  realizavam com regular frequência.

A  pouco  e  pouco,  discretamente  ou  em  conversação  gentil  e  tonalidade  meiga, foram-se  repletando  as  poltronas  confortáveis,  com  os  que  chegavam,  enquanto  se aguardava o acontecimento.

Antes das 20 horas, conforme os relógios terrestres, a sala se encontrava repleta.

O  nosso  governador  geral  fizera-se  presente  acompanhado  por  outros  membros responsáveis pela nossa comunidade, demonstrando o alto significado daquela ocorrência.

Recebêramos vagas informações a  respeito  do  nobre  Orion,  que  viria  da constelação  do  Touro,  particularmente  de  uma  das  Plêiades,  a  fim  de  apresentar-nos considerações relevantes a respeito do momentoso projeto sobre reencarnações em massa, conforme  vinha  acontecendo  no  amado  planeta,  desde  a  segunda  metade  do  século passado, e ora se intensificaria.

A  mesa  em  destaque  à  frente  do  auditório  repousava  sobre  um  estrado  que  a colocava em posição que permitia a perfeita visão por todos os presentes.

Antes de serem convidados os membros que a constituiriam, o grupo Coral Infantil apresentou-se cantando o Miserere, que  se  refere  ao  Salmo  51,  também  chamado  da penitência, composto por Gregório Allegri e numa adaptação de Mozart, no século XVIII, que muito  jovem  ainda,  ao  ouvi-lo  por  primeira  vez,  memorizou-o  e  o  adaptou  com  ligeiras alterações.

A  bela  música  se  inicia  com  uma  súplica:  Senhor,  tende  misericórdia  de  mim,  e prossegue, comovedora, caracterizada pelo arrependimento dos erros praticados e rica de certezas do divino amor…

As emoções tomaram-nos a todos, enquanto  as  vozes  angélicas  rogavam compaixão para as nossas imperfeições e nós as acompanhávamos em estado oracional.

Quando se deu o silêncio profundo, o mestre  de  cerimônias  convocou  o administrador e mais alguns dirigentes valorosos para que completassem a mesa diretora.

A seguir, solicitou ao  Espírito  Ivon Costa,  abnegado  divulgador  do  Espiritismo durante a primeira metade do século passado, no Brasil, que proferisse a prece inicial.

Observei que, num  dos  lados  da  mesa,  a  distância  regular,  duas  Entidades femininas  com  longas  vestes  vaporosas  e  alvinitentes  sentaram-se  ao  lado  de  um  tubo formado por tênue claridade que descia do teto.

O amigo citado, visivelmente inspirado, com uma voz melodiosa como uma flauta habilmente tocada, pôs-se em prece que acompanhamos em silêncio:

Jesus, Benfeitor nosso!

Enquanto o planeta amado estertora no seu processo de aprimoramento evolutivo, padecendo rudes provas e expiações, arrebatando os seus habitantes em direção a sofrimentos inenarráveis, aqueles que aqui estamos reunidos e Te amamos, suplicamos misericórdia, em face da inferioridade  moral  que  predomina  em  a  nossa  natureza espiritual.

Desde há milênios que a todos nos convocas para a construção do reino espiritual nas mentes e nos corações, sem que hajamos atendido corretamente ao Teu chamado.

Nas culturas e civilizações antigas, desde o período dos sumérios, alguns de nós demo-nos conta do alto significado da existência terrestre, deixando-nos, porém, anestesiar pelos vapores da matéria enganosa.

Mais tarde, na Pérsia e em Nínive, tomamos conhecimento da Verdade e dos seus mistérios, para logo os abandonarmos, seguindo as turbas guerreiras de Dario ou de Salmanasar, conquistando terras e disseminando a morte.

A nossa foi, então, a sementeira de sangue, de orfandade, de viuvez, de ódio, e a colheita foram as dores acerbas e sem nome na Babilônia e no Egito, que nos fascinaram com os seus templos  faustosos,  arrastando-nos  depois  para  as  derrotas  sangrentas  com Astiages e o assassinato de Akenaton.

Transitamos pelos montes do Tibet e as planuras da índia, repetindo as lições do Mahabarata que nos emocionavam, sem que conseguíssemos alterar a belicosidade infeliz que nos assinalava.

A China veneranda  com  Fo-Hi  e  os  seus  filósofos  ensinou-nos  sabedoria, entretanto  não  nos  arrefeceu  a  sede  alucinada de  poder  sobre  a  Mandchúria  e  os  povos vizinhos, que também a destroçaram várias vezes com os seus carros de destruição.

16 – (Manoel Philomeno de Miranda) Divaldo Pereira Franco Atravessamos o deserto com  Moisés,  como  o  faríamos  depois  com  Esdra,  por nobreza de Ciro para reconstruir o Templo e reerguer Jerusalém, e atacamos os filisteus e outros povos, semeando o terror, malsinando, destruindo.

Atenas  encantou-nos,  desde  os  dias  de  Anaxágoras,  depois,  com  as  lições  de Sócrates,  não  impedindo,  porém,  que  nos  entregássemos,  em  Esparta,  à  hediondez  e  às lutas incessantes.

Acompanhamos Cipião, o africano, como o fizéramos com Alexandre Magno, o macedônio, e Aníbal, o cartaginês, embora conhecedores da filosofia em torno da imortalidade e da interferência dos deuses em nossas vidas.  E contigo, após ouvir-Te as lições de incomparável beleza, abandonamos a fidelidade e convertemos a Tua doutrina em poder de mentira, luxúria, hipocrisia e desventura.

Assim, atravessamos a noite medieval, advertidos por mártires e santos, apegados à infâmia e ao horror.  Morremos e renascemos, vezes sem conto, despertando realmente para a vida  em  abundância  quando  as  claridades  do  Espiritismo  nos

arrancaram da densa treva interior, da ignorância e do abismo da loucura egotista…

Houve uma pausa comovida. Todos respirávamos ao ritmo da narração evocativa, profunda e grave.

Logo depois, prosseguiu com o mesmo timbre de voz e a mesma emoção:

Mais de uma vez, a Tua misericórdia sacudiu a barca planetária, qual ocorreu, há

pouco, através do tsunami, demonstrando a fraqueza dos engenhos humanos e suas parcas

possibilidades  de  conhecer  os  desígnios  de  Deus,  a  fim  de  a  todos  despertar-nos  em definitivo.

Novamente solicitaste o apoio de outros Espíritos para a grande transição que logo mais terá lugar no mundo físico.

Permite-nos, agora, que o Embaixador de outra Esfera, que estamos aguardando, possa trazer-nos a Tua bênção em nome do amor universal, a fim de que, realmente conscientes, consigamos servir-Te com discernimento e abnegação.

Aqui estamos, genuflexos e expectantes, a Teu serviço, de coração e mente abertos à verdade.

Misericórdia, Senhor!

Quando silenciou, completara-se a materialização do visitante especial no tubo de luz, graças à contribuição das médiuns que lhe ofereceram a substância própria para o acontecimento.

Era de estatura um pouco mais alta do que o terrícola padrão. Os olhos pareciam duas estrelas fulgurantes no céu da face gentil.  Os movimentos corporais faziam-se harmônicos, quando saiu do lugar  onde  se  condensara,  seguindo  o  mestre  de  cerimônias, que o conduziu a um assento especial e com destaque sobre a plataforma.

Um perfume suave e doce tomou conta do imenso  auditório  e  todos  nos concentramos, fixando o venerável convidado.

Novamente o coral infantil enterneceu-nos com o seu sublime canto.

Livro: Transição Planetária
Divaldo Franco/Manoel Philomeno de Miranda

Francisco Rebouças