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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

MENSAGEM DE MARIA JOÃO DE DEUS

Minhas irmãs em Cristo.
Elevo  meu  sincero  voto  à  Mãe  Excelsa  de  Jesus  para  todos  vossos  corações experimentem o orvalho de seu amor desvelado e constante.
Nós,  hoje,  estudamos  o  Evangelho  com  lágrimas,  no  labor  de  nossa  tenda humilde.  Nossas  lágrimas,  contudo,  não  são  as  do  mundo,  que  varrem  as  almas, como tempestades de fogo, no torvelinho das paixões. Foram para o nosso espírito a  chuva  benéfica  que  fecunda  a  terra  dos  sentimentos.  Sentimentos  a  união  das esperanças em torno do Mestre Divino e recordamos a Sua infinita misericórdia. É o nosso  regresso  ao  Seu  aprisco  de  amor  inesgotável;  é  a  ânsia  de  integração  na substância de Sua exemplificação imortal.
A  igreja  doméstica  erige-se  novamente  no  íntimo  santuário  dos  nossos corações. As mulheres modernas, nossas pobres irmãs em humanidade, costumam perder-se  na  imitação  falsa  dos  labores  que  Deus  destinou  aos  homens,  na constituição de seus deveres sagrados.
Em todos os lugares, há um apelo criminoso e uma sugestão infeliz para que o coração  feminino  perca  as suas características  de ternura. Em toda a  parte,  falsas ideologias  concitam  a  mulher  a  realizações  desesperadas.  Generaliza -se  o esquecimento  de  que  elas  foi  confiada  a  missão  da  vida,  que,  muitas  vezes  se executa  em  silêncio,  como  o  trabalho  do  Todo-Poderoso,  que  todas  as  criaturas parecem ignorar.
Todas as edificações grandiosas do mundo pertencem a Deus e, apesar disso, somente os nomes transitórios  de homens falíveis surgem, na publicidade de cada dia, quando todas as boas dádivas representam uma real dispensão dos céus.
Em  todos  os  tempos  os  homens  fizeram  as  batalhas,  destruindo  os  caminhos da  vida,  destruindo  instituições  ou  intoxicando  patrimônios,  porém,  a  mulher,  na excelsitude  de  sua  tarefa,  foi  sempre a  jardineira  de  Jesus,  plantando  as  flores  da vida  sobre  as  devastações  dos  movimentos  destruidores,  como  a  primavera  que enfeita de rosas uma casa desprezada, em dolosas ruínas...
Irmãs  muito  amigas,  nos  espaços  mais  próximos  da  Terra,  também  existem colégios de preparação e de amor das almas femininas para revelação permanente das glórias de Deus. Procuremos saturar o coração da prece e da vigilância Daquela que, em Nazaré, soube esperar os desígnios santos do Céu a Seu respeito.
Seu  manto  constelado  de  toda  as  virtudes  se  abre  generosamente  para  nós como  um  pálio  divino.  Saibamos  compreendê-la,  desde  a  Manjedoura  até  o Calvário. Seu exemplo é a luz de todos os séculos para  a missionária do Cristo no seu esforço de redenção.
Transformemos  o  lar  no  templo  de  cada  hora,  onde  a  fé  seja  um  ensino  de todos os instantes, a dor um motivo de resgate venturoso, a esperança uma aurora perene e o amor uma fonte daquela Água viva que dessedenta toda sede coração.
Que  outras  criaturas  frágeis  e  pobres  se  façam  ao  mar  revolto  das  ilusões  e das  amarguras  que  lhe  são  consequentes,  que  outras  desfraldem  bandeiras  novas na  estrada  das  experimentações  inconvenientes  e  tristes!...  Fiquemos  nós  com
Jesus, colocando bem alto o Seu exemplo e o Seu amor.
Esta é a pobre lembrança de vossa irmã e serva muito humilde.
Espírito: “Maria João de Deus”
Anotações:
MARIA JOÃO DE DEUS: BREVE NOTÍCIA DE UMA GRANDE ALMAMaria João de Deus nasceu em S. Luzia do Rio das Velhas, Minas Gerais, filha de  uma  lavadeira  humilde  dessa  histórica  cidade.  Nasceu  pobre,  filha  de  pobres  e honrados  pais  e  nunca  pôde  receber  instrução  maior  que  aquela  que  os  humildes recebem, mormente naquele final do século passado, no interior das Alterosas.
Maria João de Deus – a Mãezinha de nosso querido amigo e benfeitor Francisco Cândido  Xavier,  nosso  amado, ternamente amado  Chico,  o  Chico  que  nos  ama  a todos e a quem todos amamos...
Nos idos distantes de 1939, 1940...muitas coisas fiquei sabendo a respeito da Mãezinha  de  nosso  devorado  companheiro.  Ouvi-as  dos  lábios  de  sua  filha  mais velha,  a  carinhosa  e  inesquecível  Bita.  E  também  de  outros  filhos  seus,  -  José Cândido,  Luísa,  Carmosina,  Maria,  Mundico...  E  ainda,  entre  lágrimas,  do  seu
querido João Cândido, o pai do Chico...
Quando  Maria  João  de  Deus  desencarnou,  em  Pedro  Leopoldo,  a  29  de setembro de 1915, nosso Chico estava por volta dos cinco anos de idade. Mas, ele se recorda –  de pormenores a respeito de sua Mãezinha: dizer-lhe, antes de deixar este  mundo,  “que  iria  fazer  uma  viagem...  mas  que  voltaria”...  Entre  lágrimas saudosas e os derradeiros conselhos, palavras entrecortadas pela agonia, a humilde lavadeira  só  partiu  deste  mundo  quando  pôde  abençoar  o  último  filho  que  estava tão longe e tardara a chegar...
O  pequenino  Chico  nunca  acreditou,  guardando  fielmente  a  palavra  materna, nunca  pôde  acreditar  em  morte...  Não,  sua  Mãezinha  não  morrera,  embora  os outros  lho  dissessem.  Ela  estava  viajando,  viajando  para  um  lugar  distante,  para curar-se  da  doença  que  a  lançara  ao  leito  doloroso...  Mas,  voltaria.  Voltaria,  sim.
Ela prometeu voltar...
E voltou... Meses após, após tantas dores para todos da família, dores que são tidas por “infelicidades”, Maria João de Deus voltou...
As  infelicidades  se  transformaram  em  bem-aventuranças,  conforme  Jesus Cristo  nos  ensina  no  Sermão  da  Montanha...  Nem  vale  a  pena  lembrá-las,  tão duras,  tão  amargas,  tão  diferentes  do  que  podemos  imaginar  foram  elas...  Fazem lembrar as palavras dolentes de Leão Tolstoi em Ana Karênina. “Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes cada uma à sua maneira...”
Não  se  trata  aqui  de  enfatizar  a  dor,  nem  de  assumir masoquismos.  Os sofistas podem entender de retórica ou gramática, mas não entendem o sofrimento humano.  E  as  dores  foram  grandes,  amaríssimas,  singulares...  Mas,  como prometeu  Jesus: a  vossa  tristeza  se  converterá  em  alegria” (João,  16:20), assim aconteceu. E aconteceu como não poderia deixar de acontecer: Maria João de Deus  voltou,  voltou  “da  viagem  que  iria  fazer”  e  trouxe  ao  seu  menino  (de  cinco anos, meu Deus!) as primeiras florações da mediunidade. Apareceu-lhe. Confortou-o. Iluminou-o... E o adorável menino foi crescendo, após as primícias espirituais de sua  Mãezinha...  A  criança  foi  crescendo  e  crescendo  também  os  testemunhos  da Vida Espiritual, as evidências do Mundo Maior, as realizações da tarefa mediúnica –
extraordinária,  consoladora,  insofismável  –  a  atravessar  quase  todo  este  século vinte, de ponta a ponta...
Quando  jovem  Chico,  já  iluminado  suficientemente  pelas  Bênçãos  da Imortalidade, pediu à sua Mãezinha que “lhe contasse as suas primeiras impressões da  vida  do  outro  mundo”,  ela  lhe  prometeu  que  o  faria  oportunamente.  E,  mais uma vez, cumpriu sua palavra, escrevendo pelas mãos do filho querido, para ele e para todos nós, as lições magníficas que são as Cartas de uma Morta.

Um  dia,  eu  quis  conhecer  a  terra  natal  da  Amiga  querida.  E  passei  por  Santa Luzia do Rio das Velhas, embora rapidamente. Pude conhecer também, já em Pedro Leopoldo,  a  velha  casa,  o  quarto  humilde  onde  Maria  João  de  Deus  recebeu  nos braços  esta  dádiva  dos  Céus,  que  é  Francisco  Cândido  Xavier.  Quantas  ternas notícias,  quantas  confidências  carinhosas,  diante  da  casucha  humilde!...  E  que surpresa e contentamento quando o Chico me disse da grande e generosa quota de tempo e de proteção que sua Mãezinha dedica à nossa Escola Jesus Cristo, de que seu  filho  é  Presidente  Honorário...  E  especialmente  à  Escola  de  Evangelho  Maria João de Deus, filial de nossa Escola, na década de 40 no antigo bairro de Bezamat, sob  a  direção  de  nossa  confreira  Cirene  Batista.  Já  desencarnada,e  atualmente  no lar humilde de Coralice Maria Cardoso de Souza, nossa querida Coral...
A admirável Mensagem de Maria João  de Deus foi recebida na Escola Filial de Bezamat,  na  tarde  de  28  de  julho  de  1940.  Esse  texto  de  profunda  beleza espiritual,  uma  oferenda  para  sérias  reflexões,  foi  psicografado  no  quarto  e  último dia da primeira viagem de Chico a Campos, em visita à Escola Jesus Cristo.
A carinhosa Mensagem fecha com chave de ouro esta antologia de páginas do Mundo  Maior,  psicografadas  em  Campos  umas,  outras  dirigidas  a  confrades campistas  e  ainda  outras  ditadas  por  carinhosos  Amigos  Espirituais  nascidos  em Campos...  É  um  florilégio  de  apenas  algumas  mensagens,  dada  a  impossibilidade de publicar todas elas, ou um número maior...
Ao  nosso  valoro  irmãos,  a  quem  devemos  estas  mil  outras  dádivas  do  Céu, nosso  comovido  e  intraduzível  agradecimento,  humildemente  em  nome  de  todos, pela palavra pobre de quem mal sabe rogar ao Divino Amigo que o abençoes hoje quanto ontem, agora e para todo o sempre, na Terra e no Céu...
Campos, 14 de julho de 1983
Clovis Tavares
 
Livro: Tempo e Amor
Chico Xavier e Clóvis Tavares/Espíritos Diversos
 
 
Francisco Rebouças