518. Assim como são
atraídos, pela simpatia, para certos indivíduos, são-no igualmente os
Espíritos, por motivos particulares, para as reuniões de indivíduos?
“Os Espíritos preferem estar no meio dos que se lhes
assemelham. Acham-se aí mais à vontade e mais certos de serem ouvidos. É pelas
suas tendências que o homem atrai os Espíritos e isso quer esteja só, quer faça
parte de um todo coletivo, como uma sociedade, uma cidade, ou um povo.
Portanto, as sociedades, as cidades e os povos são, de acordo com as paixões e
o caráter neles predominantes, assistidos por Espíritos mais ou menos elevados.
Os Espíritos imperfeitos se afastam dos que os repelem. Segue-se que o aperfeiçoamento
moral das coletividades, como o dos indivíduos, tende a afastar os maus Espíritos
e a atrair os bons, que estimulam e alimentam nelas o sentimento do bem, como outros
lhes podem insuflar as paixões grosseiras.”
519. As aglomerações de
indivíduos, como as sociedades, as cidades, as nações, têm Espíritos protetores
especiais?
“Têm, pela razão de que esses agregados são individualidades
coletivas que, caminhando para um objetivo comum, precisam de uma direção
superior.”
520. Os Espíritos
protetores das coletividades são de natureza mais elevada do que os que se
ligam aos indivíduos?
“Tudo é relativo ao grau de adiantamento, quer se trate de
coletividades, quer de indivíduos.”
521. Podem certos
Espíritos auxiliar o progresso das artes, protegendo os que às artes se
dedicam?
“Há Espíritos protetores especiais e que assistem os que os
invocam, quando dignos dessa assistência. Que queres, porém, que façam com os
que julgam ser o que não são? Não lhes cabe fazer que os cegos vejam, nem que
os surdos ouçam.”
Os antigos fizeram, desses Espíritos, divindades especiais.
As Musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das
ciências e das artes, como os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos
protetores da família. Também modernamente, as artes, as diferentes indústrias,
as cidades, os países têm seus patronos, que mais não são do que Espíritos
superiores, sob várias designações.
Tendo todo homem Espíritos que com ele simpatizam, claro é
que, nos corpos coletivos, a generalidade dos Espíritos que lhes votam simpatia
está em proporção com a generalidade dos indivíduos; que os Espíritos estranhos
são atraídos para essas coletividades pela identidade dos gostos e das ideias;
em suma, que esses agregados de pessoas, tanto quanto os indivíduos, são mais
ou menos bem assistidos e influenciados, de acordo com a natureza dos
sentimentos dominantes entre os elementos que os compõem.
Nos povos, determinam a atração dos Espíritos os costumes, os
hábitos, o caráter dominante e as leis, as leis sobretudo, porque o caráter de
uma nação se reflete nas suas leis.
Fazendo reinar em seu seio a justiça, os homens combatem a
influência dos maus Espíritos.
Onde quer que as leis consagrem coisas injustas, contrárias à
Humanidade, os bons Espíritos ficam em minoria e a multidão, que aflui, dos
maus mantém a nação aferrada às suas ideias e paralisa as boas influências
parciais, que ficam perdidas no conjunto, como insuladas espigas entre
espinheiros. Estudando-se os costumes dos povos ou de qualquer reunião de
homens, facilmente se forma ideia da população oculta que se lhes imiscui no modo
de pensar e nos atos.
Fonte: O Livro dos Espíritos – FEB, 76ª edição.
Francisco Rebouças
