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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

ANTE O PRÍNCIPE DA PAZ

Viana de CarvalhoAntes d’Ele, numerosos conquistadores passaram em nome da paz na Terra...

Ramsés  II,  adorado  como  um  deus,  marcou  o  pináculo  da  civilização  egípcia, derrotando  hititas  e  sírios,  mas  deixou  no  próprio  rastro  o  pranto  com  que  as viúvas e os órfãos lhe amaldiçoaram a vida.

Sardanapalo,  o  protetor  das  artes,  saqueou  Tebas  e  guerreou  Babilônia,  sequioso de  chacina,  entretanto,  assediado  em  Nínive,  precipitou-se,  infeliz,  com  todos  os seus tesouros numa fogueira extensa.

Dario I, o grande rei da Pérsia, ampliou o seu império, espalhando ruínas, todavia, retirou-se do mundo numa torrente de intriga e ódio.

Alexandre  Magno,  o  condutor  dos  macedônios,  senhorou vários  povos,  à  custa  de sangue,  contudo,  expirou  ainda  jovem,  legando  vasto  espólio  à  cupidez  de  seus generais.

Aníbal,  o  famoso  cartaginês,  humilhou  espanhóis  e  gauleses,  cruzando  os  Alpes para vencer o exército romano, mas, em seguida à largas exibições de autoridade, roído de amargura e desconfiança, desertou da própria luta através do suicídio.

Todos  desfilaram,  usando  opressão  e  rapina,  guerrilheiros  e  mercenários, azorragues  e  lanças,  carros  e  catapultas,  veneno  e  punhal,  acreditando-se missionários do progresso e da concórdia, da unificação e da cultura, quando mais não  eram  que  tiranos  da  evolução,  enfeitados  de  pedrarias  e  sedentos  de  sangue humano...

Ele,  porém,  o  Príncipe  da  Paz,  que  nascera  na  manjedoura,  passou  entre  os homens, sem distintivos e sem palácios, sem ouro e sem legiões.

Seu reinado foi a revelação do amor entre os simples.

Suas armas foram, em todos os dias, a bondade e o perdão.

Seu diadema foi a coroa de espinhos.

Seu salário dói a morte afrontosa entre malfeitores.

Por insígnia de poder, ofertou-se-lhe uma cana à guisa de cetro.

E, por trono de realeza teve a cruz de sacrifício, que converteu na espada do mal, à ensarilhar-se  para  sempre  no  alto  de  um  monte,  como  a  dizer-nos  que  apensa  no esquecimento  voluntário  das  exigências  de  nosso  ―eu,  pelo  engrandecimento
constante do bem de todos é que poderemos atingir a senda do luminoso Reino de Deus.
É  por  isso  que,  volvidos  quase  vinte  séculos,  ao  reco
rdar-lhe  a  suprema  renúncia, saudamo-lo em profunda reverência, ainda hoje:

—  Ave  Cristo!  Os  que  aspiram  vencer  a  treva  e  a  animalidade  em  si  mesmos,  a favor da verdadeira paz sobre a Terra, te glorificam e te saúdam.
 
Livro: Comandos do Amor
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
Francisco Rebouças