Nesta
passagem refere-se Paulo à atitude de Moisés, abstendo-se de gozar por um pouco
de tempo das suntuosidades da casa do Faraó, a fim de consagrar-se à
libertação dos companheiros cativos, criando imagem sublime para definir a
posição do espírito encarnado na Terra.
“Por um
pouco”, o administrador dirige os interesses do povo.
“Por um
pouco, o servidor obedece na subalternidade.
“Por um
pouco”, o usurário retém o dinheiro.
“Por um
pouco”, o infeliz padece privações.
Ah! se o
homem reparasse a brevidade dos dias de que dispõe na Terra! se visse a
exiguidade dos recursos com que pode contar no vaso de carne em que se
movimenta!...
Certamente,
semelhante percepção, diante da eternidade, dar-lhe-ia novo conceito da bendita
oportunidade, preciosa e rápida, que lhe foi concedida no mundo.
Tudo
favorece ou aflige a criatura terrestre, simplesmente por um pouco de tempo.
Muita
gente, contudo, vale-se dessa pequenina fração de horas para complicar-se por
muitos anos.
É
indispensável fixar o cérebro e o coração no exemplo de quantos souberam
glorificar a romagem apressada no caminho comum.
Moisés
não se deteve a gozar, “por um pouco”, no clima faraônico, a fim de deixar-nos
a legislação justiceira.
Jesus não
se abalançou a disputar, nem mesmo “por um pouco”, em face da crueldade de
quantos o perseguiam, de modo a ensinar-nos o segredo divino da Cruz com
Ressurreição Eterna.
Paulo não
se animou a descansar “por um pouco”, depois de encontrar o Mestre às portas
de Damasco, de maneira a legar-nos seu exemplo de trabalho e fé viva.
Meu amigo, onde estiveres, lembra-te de que aí permaneces
“por um pouco” de tempo. Modera-te na alegria e conforma-te na tristeza,
trabalhando sem cessar, na extensão do bem, porque é na demonstração do
“pouco” que caminharás para o “muito” de felicidade ou de sofrimento.
Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças