Solidarity Spiritist Societ

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Grilhões Partidos - 1º


No báratro das perturbações que inquietam o homem moderno a alienação obsessiva ocupa lugar de relevo.
Estigmatizados por inenarráveis tormentos íntimos, que proce­dem dos refolhos da alma, os obsidiados por Espíritos têm padecido lamentável abandono por parte dos respeitáveis estudiosos das ciências da mente, que, aferrados a vigoroso materialismo, negam, drastica­mente, a interferência dos desencarnados — na condição de persona­lidades intrusas — na etiopatogenia de algumas enfermidades mentais.
Por outro lado, cristãos decididos, clarificados pela fé espírita, no afã de ajudar pelos múltiplos processos fluídoterápicos e da doutri­nação, enquadram os alienados na sua quase generalidade como obsidiados, sem a indispensável atenção para com as enfermidades de caráter psiquiátrico.
Não são verdadeiros os postulados extremistas negativos dos primeiros, nem tampouco os exageros dos segundos.
Indubitavelmente, nas matrizes do processo evolutivo, cada um traz as causas que produzem as distonias e desarranjos, físicos como psíquicos e simultaneamente.
Sendo a dor um processo de burilamento, o sofrimento decorre do mau uso perpetrado pelo ser em relação aos recursos múltiplos, concedidos pelos desígnios superiores que regem a vida em todas as suas manifestações, para a ascensão de cada um.
O homem está, porém, destinado à perfeição.
Todos os atrasos a que se impõe e desvarios a que se permite constituem-lhe impedimentos ao avanço, tornando-se elos retentivos na retaguarda.
Os códigos divinos estabelecem que somente através do amor se pode haurir paz, colimar metas felizes.
De essência salutar, o amor é a base da vida, ao mesmo tempo a força que impele o ser para as realizações de enobrecimento.
Toda vez que as paixões vis o desgovernam, enlouquecem-no, e dele fazem cárcere de sombra, de aflição demorada.
Por esta razão, ao lado das terapêuticas mais preciosas, o amor junto aos pacientes de qualquer enfermidade produz resultados insuspeitados.
Da mesma forma, enquanto se teime em perseverar na siste­mática da revolta ou nos escabrosos Sítios da ilusão que favorece o ódio, o ciúme, a mentira, a soberba, a concupiscência, a avareza, a mesquinhez — todos asseclas insidiosos que se locupletam na sanha nefasta do egoísmo, — a dor jungirá o faltoso ao carro da aflição reparadora e do ressarcimento impostergável.
Ninguém em regime de exceção na Terra.
Desculpismo nenhum, face aos imperiosos compromissos para com a vida.
Em cada padecente se encontra um espírito em prova redentora, convidando-nos à reflexão e à caridade. 
Na imensa mole humana dos que sofrem a loucura, conforme os cânones das classificações psiquiátricas, transita um sem número de obsidiados que expungem faltas e crimes cometidos antes e não alcançados pela humana justiça na oportunidade.
São defraudadores dos dons da vida que retornam jungidos àqueles que infelicitaram, enganaram, abandonaram, mas dos quais não se conseguiram libertar...
Morreram, sim, porém não se aniquilaram. Trocaram de vestes, todavia, permaneceram os mesmos.
As conjunturas da lei os surpreenderam onde se alojaram e as imposições que criaram ligaram-nos, vítimas a algozes, credores a devedores em graves processos de reparação compulsória.
Atados mentalmente aos gravames cometidos, construíram as algemas a que se aprisionam, em vinculação com os que supunham ter destruído...
Debatem-se presos nos mesmos elos, lutando em contínuo des­gaste de vitalidade com que enlouquecem, até que as claridades do amor, do perdão — forças sublimes da vida — consigam partir as cadeias e libertá-los, facultando que se ajudem reciprocamente.
Enquanto o amor não se sobreponha ao ódio e o perdão à ofensa, marcharão em renhida luta, perseguindo e auto-afligindo-se sem termo, pelos dédalos de horror em que se brutalizam até a selvageria mais torpe... 
Muito maior do que se pode supor é o número dos obsidiados na Terra. Estão em soledade, em grupos e em coletividades inteiras...
Estes são dias graves para o destino do homem e da Huma­nidade.
Ao Espiritismo compete gigantesca missão: restaurar o Evan­gelho de Jesus para as criaturas, clarificar o pensamento filosófico da Humanidade e ajudar a ciência, concitando-a ao estudo das causas nos recessos do espírito, antes que nos seus efeitos.
Consolador, cumpre-lhe não somente enxugar as lágrimas e os suores, mas erradicar em definitivo os fulcros do sofrimento onde se encontrem.
Não é de origem divina a dor, portanto, possui caráter transi­tório com função específica e de fácil superação, desde que o homem se obstine atingir as finalidades legítimas da existência.
No trato, Portanto, com obsidiados e ante as obsessões, armemo-nos com os recursos do amor, a fim de que consigamos o êxito de ver os grilhões partidos e os espíritos livres para os cometimentos da felicidade. 
Antes de cada capítulo da presente história, tivemos o cuidado de citar um conceito retirado da nobre Codificação Kardequiana fonte inexaurível de salutares informações e base segura para os estudos em torno das questões palpitantes do ser, do destino, da vida.. (*)
Demonstramos, assim, a estuante atualidade da Obra colossal de que se fez ímpar realizador o eminente lionês Allan Kardec, a quem devemos luminosas lições de sabedoria e de Vivência cristã.
Suplicando a Jesus, o “Senhor dos Espíritos”, que nos ampare na trilha redentora, damos por concluída a nossa tarefa, na condição de “servo inútil” que sabemos ser. 

Manoel Philomeno de Miranda Salvador, 18-04.74 
(*) Recorremos às edições da FEB, a saber: O LIVRO DOS ESPÍRITOS — 29ª O LIVRO DOS MÉDIUNS — 28ª; O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO — 52ª. e “A GÊNESE” — 14ª.
Nota do Autor espiritual.

Livro: Grilhões Partidos
Divaldo Franco/Manoel Philomeno de Miranda

Francisco Rebouças