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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Na sementeira do amor

       Ajuda sempre, filho meu.
       Pensa no bem, exalta-lhe a grandeza e inten­sifica-lhe os dons na Terra.
       A glória mais expressiva do perdão não re­side tanto na superioridade daquele que o dis­pensa, mas sim na soma de benefícios gerais que virão depois dele, O mais alto valor do concurso fraterno não está contido no socorro às necessi­dades materiais de ordem imediata e, sim, no estimulo à confiança e à fraternidade.
       Somente os espíritos em desequilíbrio ex­tremo, fundamente cristalizados no mal, menos­prezam as manifestações do bem.
Sei que é difícil julgar o destino de uma dádiva e, por vezes, teu pensamento se perde, inutilmente, em complicadas conjeturas.
“Terei dado para o bem? terei dado para o mal ?“ — interrogas a ti mesmo.
Mas, se não deste quanto possuis, se apenas concedeste migalhas do tesouro que o Senhor te confiou, não poderás ajudar ao próximo, tranqui­lamente, em nome do mesmo generoso Senhor que tudo te emprestou no mundo, a título precário?
Claro que te não rogo favorecer o crime e a desordem visíveis ao nosso olhar. Entretanto, se te posso pedir alguma coisa, em tempo algum te negues à cooperação fraterna.
Não abandones o enfermo, receando aborre­cimentos, e nem fujas ao irmão desditoso que caiu nas malhas da justiça, temendo dissabores.
Se tua bondade não for compreendida, apren­de a esperar.
Não é mais cristão aquele que serve por amor de servir, sem qualquer expectativa de remuneração?
Não te esqueças de que o Mestre foi condu­zido ao madeiro da angústia, por ajudar e amar sempre...
Erra, auxiliando.
Será melhor assim, porque todos estamos sob o olhar da Vigilância Divina.
O homem que ajuda por vaidade e osten­tação, quase sempre, em pouco tempo, cria para si mesmo o hábito de auxiliar, atingindo subli­mes virtudes. Aquele, porém, que muito fiscaliza os beneficiados e raciocina com excesso quanto
ao “dar” e ao “não dar” converte-se, não raro, em calculista da piedade, a endurecer o coração, por séculos numerosos.
Ouve! Estamos à frente do tempo infinito...
É imprescindível semear.

      Não adubes o vício e o crime. Todavia, não olvides que é necessário plantar muito amor, para que o amor nos favoreça.
 
Livro: Alvorada Cristã
Chico Xavier/Neio Lúcio
 
Francisco Rebouças