Solidarity Spiritist Societ

terça-feira, 28 de outubro de 2014

CARTAS AOS ENFERMOS

Casimiro Cunha


Meu amigo, eu te desejo

Aquela paz do Senhor

Que transforma as amarguras

Em santas preces de amor.


Nosso Pai ouve a oração

De tua grande ansiedade,

Como te vê no caminho

De dor e dificuldade.


Espera serenamente.

Não obstante a aflição;

Deus é um Pai que não dá pedras

Ao filho que pede pão.


Nos dias angustiados.

De desencanto e doença,

O homem deve apurar

As luzes de sua crença.


Às vezes, dizes, chorando:

- "Socorrei-me, meu Senhor!...

Ai! como tarda o consolo

No dia de minha dor!...


Mas, não lembraste a oração

Com tanta solicitude,

Nas horas irrefletidas

Em que arruinaste a saúde.


A incontinência teimosa

Na rebeldia e no gozo,

Pode ter vindo de outrora,

Do passado tenebroso.


Porque esta vida de agora

É somente uma fração

De teu trabalho à procura

Dos mundos da perfeição.


Nos teus ais, nos teus soluços,

Do corpo dilacerado,

Recorda que a dor existe

Para a luz de um fim sagrado.


Se teu mal é longo e rude,

Renovando-te aflições,

Ele é a válvula divina

Que escoa as imperfeições.



Se a moléstia é passageira,

Tem cuidado na existência;

A dor física, por vezes,

Não passa de advertência.


De qualquer forma, porém,

Sê paciente e sê forte,

Inda que sintas contigo

O augúrio triste da morte.


Acima dos preparados

Que visam a tua cura,

Põe o remédio divino

Da fé milagrosa e pura.


Abençoa, meu irmão,

Essa dor que te conduz

Da sombra espessa da Terra

Para as bênçãos de Jesus


Livro: Cartas do Evangelho
Chico Xavier/Casimiro Cunha

Francisco Rebouças