O Homem Integral
As enciclopédias definem o homem como um “animal racional, moral
e social, mamífero, bípede, bímano, capaz de linguagem articulada, que ocupa o
primeiro lugar na escala zoológica; ser humano...”
O momento mais eloquente do seu processo
evolutivo deu-se quando adquiriu a consciência para discernir o bem do mal, a
verdade da impostura, o certo do errado, prosseguindo na marcha ascensional que
o conduzirá às culminâncias da angelitude.
Estudado largamente através
dos séculos, Pitágoras afirmava que ele (o homem) é a medida de todas as coisas, enquanto Sócrates elucidava ser o objeto mais direto da preocupação
filosófica.
Durante o estoicismo e o neoplatonismo
houve uma preocupação para que ocorresse a “dissolução do homem em a Natureza ”, mesmo aí
revelando a grande preocupação de ambas
as escolas com este ser admirável.
Na conceituação cristã ele “transcende o
mundo”, em uma dimensão totalmente diferente desta.
Já o racionalismo o considera,
desde Descartes, como o “ser pensante por excelência, como a razão que
compreende e explica o mundo e a si mesma.”
No
espiritualismo idealista o “espírito tem a primazia em tudo que se relaciona
com o mundo e a vida humana”, enquanto que para o materialismo o “espírito não
é mais que uma forma de atividade da matéria que, em determinada fase de sua
evolução, de formas simples para outras mais complexas, adquiriu
consciência...”
Mivart, o
célebre naturalista inglês, analisando, psicologicamente, o homem, esclarece que ele “difere dos
outros animais pelas características da abstração, da percepção intelectual,
da consciência de si mesmo, da reflexão, da memória racional, do julgamento, da
síntese e indução intelectual, do raciocínio, da intuição intelectual, das
emoções e sentimentos superiores, da linguagem racional, do verdadeiro poder
de vontade.”
Sócrates
e Platão estabeleceram que o homem era o resultado do ser ou Espírito imortal e do não ser ou sua matéria que, unidos, lhe facultavam o processo de
evolução.
Os
filósofos atomistas reduziam-no ao capricho das partículas que, em se
desarticulando, aniquilavam-se através do fenômeno biológico da morte.
Jesus,
superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do Homem Integral,
por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem
notícia.
Toda a
Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da
plenitude, de quem deseja libertação real.
A
Filosofia, mediante as suas diversas escolas, tem procurado oferecer ao homem
caminhos que o felicitem em contínuas tentativas de interpretar a vida e
entendê-lo.
A
Psicologia, que inicialmente se confundia com a estrutura filosófica, de passo
em passo libertou-se de seu jugo e, buscando estudar a psique, alcançou, na
atualidade, expressão de relevo para a compreensão do homem, dos seus problemas
e seus desafios psicológicos.
A
multiplicidade de tendências ora vigentes, nessa área, comprova o interesse dos
estudiosos desta e de outras disciplinas do conhecimento, buscando a
libertação do indivíduo em relação aos desafios e dificuldades que o afligem.
Algo
recentemente (1966) surgiu, nos Estados Unidos, a quarta força em Psicologia, que é a Transpessoal, ampliando o
campo de investigação além do Behaviorismo, da Psicanálise e da Psicologia
Humanista, fornecendo mais amplos esclarecimentos sobre o homem integral...
Os seus
pioneiros vieram dos quadros da Psicologia Humanista, facultando a introdução
de alguns ensinamentos e experiências orientais, graças aos quais abrem espaços
para uma visão espiritualista do ser humano em maior profundidade.
O
Espiritismo, por sua vez, sintetizando diversas correntes de pensamento
psicológico e estudando o homem na sua condição de Espírito eterno, apresenta a
proposta de um comportamento filosófico idealista, imortalista, auxiliando-o na
equação dos seus problemas, sem violência e com base na reencarnação,
apontando-lhe os rumos felizes que deve seguir.
Na presente
Obra fazemos um estudo de diversos fatores de perturbação psicológica,
procurando oferecer terapias de fácil aplicação, fundamentadas na análise do
homem à luz do Evangelho e do Espiritismo, de forma a auxiliá-lo no equilíbrio
e no amadurecimento emocional, tendo sempre como ser ideal Jesus, o Homem
Integral de todos os tempos.
Embora
reconheçamos singela a nossa contribuição, esperamos de alguma forma auxiliar
aqueles que nos leiam com real desejo de renovação e de aquisição de saúde
psicológica, consciente de havermos feito o máximo ao nosso alcance, neste
grave momento da Humanidade.
Salvador,
20 de fevereiro de 1990.
Joanna de ÂngelisLivro: O Homem Integral
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças