O ato de aconselhar tem a sua época
própria, à maneira de todas as cousas.
Muitos aprendizes costumam esquecer que
se encontram no mundo em serviço de retificação do pretérito e de auto iluminação,
estacionando em falsos caminhos.
Insistentemente consultados, não
percebem a trama sutil que lhes detém os passos e, quando não regressam à
vigilância, vão olvidando inconscientemente a si mesmos.
A preguiça sempre se orgulhou de
encontrar uma advogada na complacência fácil.
E conferindo-lhe posição de
superioridade, nela se apoia para a dilatação de todos os erros.
A primeira deseja uma companhia para os
maus caminhos; a segunda aprova, em vista da falsa situação de destaque em que
foi colocada.
Daí o veneno sutil da ociosidade que
sempre busca os conselhos de sua mentora, para fazer, em seguida, às ocultas,
que bem entende, voltando sempre a se aconselhar novamente.
Reportando-nos ao ensinamento de Paulo,
não queremos fizer que a rebeldia ou a ignorância devam ser sumariamente
condenadas, quando a própria heresia, tem, por vezes, a sua tarefa.
Elas merecem uma ou outra admoestação,
devem ser credoras de nossa atividade fraternal, mas passado o tempo em que
nosso concurso era suscetível de lhes restaurar as estradas, não será justo
dar-lhes força para a irreflexão.
Temos, igualmente, o nosso roteiro e as
nossas experiências.
Estacionar com elas na falsa atitude de conselheiros seria desempenhar o papel da complacência frente à ociosidade criminosa.
Livro:
Levantar e Seguir
Chico
Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças