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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Por gratidão


É muito importante que não nos esqueçamos de agradecer aos Benfeitores Espirituais pelos inúmeros benefícios de que temos sido alvo diariamente, nas mais variadas situações da nossa vida. Nem sempre nos dedicamos a meditar nas incontáveis vezes em que somos contemplados com uma ajuda que não sabemos bem de onde procede, e que sequer nos damos conta de que fomos ajudados naquilo que nos parecia tão difícil e tão distante de uma solução favorável às nossas pretensões.
 
Essas situações são tão comuns no nosso dia a dia, que não nos habituamos a valorizar; podemos citar entre outras ocorrências, quando encontramos alguma coisa que há muito procurávamos e até já dávamos como perdida, nas notícias que esperávamos com tamanha expectativa e apreensão, e que nos chegam trazendo alívio e contentamento, na companhia de alguém que chega inesperadamente e nos alegra com sua presença, no sorriso de uma criança que nos desperta a atenção, desviando nosso pensamento de uma preocupação, e assim por diante...
“Quantos de nós, porém, filhos pródigos da Vida, depois de estragarmos as mais valiosas oportunidades, clamamos pela assistência do Senhor, de acordo com os nossos desejos menos dignos, para que sejamos satisfeitos? quantos de nós descemos, voluntariamente, ao abismo e, lá dentro, atolados na sombria corrente de nossas paixões, exigimos que o Todo-Misericordioso se faça presente, ao nosso lado, através de seus divinos mensageiros, a fim de que os nossos caprichos sejam atendidos?1

 
São tantas, que não nos preocupamos em contar, e facilmente as esquecemos. No entanto, quando somos assolados por pequeninas contrariedades advindas de pequenos contratempos aí sim, sabemos fazer o devido registro em forma de lamentação, queixume e nos desesperamos desarmonizados a blasfemar contra tudo e contra todos, chegando até em certos casos a negação da bondade e justiça do nosso Pai Celestial, a quem atribuímos o descaso para conosco, esquecendo imediatamente tudo de bom e de belo que nos tenha sucedido na vida.
 
Isso acontece, porque ainda não sabemos dar a devida importância os acontecimentos positivos que nos sucedem constantemente, e só temos olhos e ouvidos para registrar os acontecimentos que nos contrariam os interesses quase sempre de ordem material, em detrimento das coisas do espírito, que quase nunca nos decidimos por buscar.
 
Urge meditarmos nas nossas atuais escalas de valores, procurando analisar conscientemente no que é que em verdade estamos dando tanta importância, e o que não tem merecido nossa constante atenção, para contrabalançarmos e encontrarmos um meio termo, que nos permita “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” como nos propôs Jesus o nosso modelo e Guia.
 
Precisamos aprender valorizar os fatos que nos proporcionam alegria e contentamento, procurando ao mesmo tempo não dar tanta atenção aos acontecimentos que nos trazem sofrimento e decepção, pois se fizermos um balanço neutro dos acontecimentos de nossa vida, chegaremos facilmente à conclusão de que os acontecimentos negativos são em número insignificantes, se comparados às coisas boas que nos sucedem.
 
Precisamos ter mais atenção com as palavras torpes de que normalmente fazemos uso, para dar vazão a nosso estado febril e desarmonizado, quando algo acontece de forma a contrariar nossos interesses egoísticos, e procuremos analisar de maneira equilibrada todas as situações que vivenciamos na vida, pois certamente descobriremos que em sua grande maioria somos os próprios arquitetos do nosso estado de infelicidade, construído na insensatez da busca desenfreada dos gozos perecíveis da matéria.
 
Façamos assim, uma reflexão madura e imparcial de nossa vida até aqui, e facilmente constataremos que nossa vida não é tão ruim como alardeamos, e comecemos desde já, nosso trabalho de burilamento interior, trabalhando por dias melhores no porvir, sem lamentações ou desânimos descabidos e injustificáveis, procurando vivenciar os ensinamentos de Jesus que está a nos esperar para iluminar nossos sinceros desejos de crescimento moral e espiritual, no trabalho constante por nossa sublimação pela prática da caridade, do respeito e do amor pelo nosso próximo.  
 
“Se deixaste, pois, por devoção a Jesus, os laços que te prendiam às zonas inferiores da vida, recorda que, por felicidade tua, recebeste do Céu a honra de ajudar, a prerrogativa de entender e a glória de servir.”²
 
Fonte:

 

1- Chico Xavier/Emmanuel - Livro: Fonte Viva – Cap. 13.

2- Chico Xavier/Emmanuel - Livro: Fonte Viva – Cap. 22.
 
 
Francisco Rebouças.