É muito importante que não nos esqueçamos
de agradecer aos Benfeitores Espirituais pelos inúmeros benefícios de que temos
sido alvo diariamente, nas mais variadas situações da nossa vida. Nem sempre
nos dedicamos a meditar nas incontáveis vezes em que somos contemplados com uma
ajuda que não sabemos bem de onde procede, e que sequer nos damos conta de que
fomos ajudados naquilo que nos parecia tão difícil e tão distante de uma
solução favorável às nossas pretensões.
Essas situações são tão comuns no
nosso dia a dia, que não nos habituamos a valorizar; podemos citar entre outras
ocorrências, quando encontramos alguma coisa que há muito procurávamos e até já
dávamos como perdida, nas notícias que esperávamos com tamanha expectativa e
apreensão, e que nos chegam trazendo alívio e contentamento, na companhia de
alguém que chega inesperadamente e nos alegra com sua presença, no sorriso de
uma criança que nos desperta a atenção, desviando nosso pensamento de uma
preocupação, e assim por diante...
“Quantos de
nós, porém, filhos pródigos da Vida, depois de estragarmos as mais valiosas
oportunidades, clamamos pela assistência do Senhor, de acordo com os nossos desejos
menos dignos, para que sejamos satisfeitos? quantos de nós descemos, voluntariamente,
ao abismo e, lá dentro, atolados na sombria corrente de nossas paixões,
exigimos que o Todo-Misericordioso se faça presente, ao nosso lado, através de
seus divinos mensageiros, a fim de que os nossos caprichos sejam atendidos?1
São tantas, que não nos preocupamos em
contar, e facilmente as esquecemos. No entanto, quando somos assolados por
pequeninas contrariedades advindas de pequenos contratempos aí sim, sabemos
fazer o devido registro em forma de lamentação, queixume e nos desesperamos
desarmonizados a blasfemar contra tudo e contra todos, chegando até em certos
casos a negação da bondade e justiça do nosso Pai Celestial, a quem atribuímos
o descaso para conosco, esquecendo imediatamente tudo de bom e de belo que nos
tenha sucedido na vida.
Isso acontece, porque ainda não
sabemos dar a devida importância os acontecimentos positivos que nos sucedem constantemente,
e só temos olhos e ouvidos para registrar os acontecimentos que nos contrariam
os interesses quase sempre de ordem material, em detrimento das coisas do
espírito, que quase nunca nos decidimos por buscar.
Urge meditarmos nas nossas atuais
escalas de valores, procurando analisar conscientemente no que é que em verdade
estamos dando tanta importância, e o que não tem merecido nossa constante
atenção, para contrabalançarmos e encontrarmos um meio termo, que nos permita
“dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” como nos propôs Jesus o
nosso modelo e Guia.
Precisamos aprender valorizar os fatos
que nos proporcionam alegria e contentamento, procurando ao mesmo tempo não dar
tanta atenção aos acontecimentos que nos trazem sofrimento e decepção, pois se
fizermos um balanço neutro dos acontecimentos de nossa vida, chegaremos
facilmente à conclusão de que os acontecimentos negativos são em número
insignificantes, se comparados às coisas boas que nos sucedem.
Precisamos ter mais atenção com as
palavras torpes de que normalmente fazemos uso, para dar vazão a nosso estado
febril e desarmonizado, quando algo acontece de forma a contrariar nossos interesses
egoísticos, e procuremos analisar de maneira equilibrada todas as situações que
vivenciamos na vida, pois certamente descobriremos que em sua grande maioria
somos os próprios arquitetos do nosso estado de infelicidade, construído na
insensatez da busca desenfreada dos gozos perecíveis da matéria.
Façamos assim, uma reflexão madura e
imparcial de nossa vida até aqui, e facilmente constataremos que nossa vida não
é tão ruim como alardeamos, e comecemos desde já, nosso trabalho de burilamento
interior, trabalhando por dias melhores no porvir, sem lamentações ou desânimos
descabidos e injustificáveis, procurando vivenciar os ensinamentos de Jesus que
está a nos esperar para iluminar nossos sinceros desejos de crescimento moral e
espiritual, no trabalho constante por nossa sublimação pela prática da
caridade, do respeito e do amor pelo nosso próximo.
“Se
deixaste, pois, por devoção a Jesus, os laços que te prendiam às zonas
inferiores da vida, recorda que, por felicidade tua, recebeste do Céu a honra
de ajudar, a prerrogativa de entender e a glória de servir.”²
Fonte:
1- Chico Xavier/Emmanuel - Livro:
Fonte Viva – Cap. 13.
2- Chico Xavier/Emmanuel - Livro:
Fonte Viva – Cap. 22.
Francisco Rebouças.