É muito comum, ouvirmos de companheiros de ideal
espírita, em nossas instituições, reclamações sobre este ou aquele trabalho,
que segundo os insatisfeitos, não estão de acordo com o que a instituição
precisa oferecer aos que a procuram, e, por isso mesmo, sugerem mudanças
radicais nos procedimentos de tais tarefas.
Para isso, colocam-se à disposição da casa, para
ajudarem no que for preciso fazer, para a efetivação das reformas necessárias,
demonstrando aparente boa vontade e disposição de cooperar de forma tão
convincente, que inicialmente chegam a entusiasmar os responsáveis pelos
respectivos trabalhos na instituição, que diante desses entusiastas
voluntários, passam então a formular planos e projetos para o aprimoramento das
respectivas tarefas.
Só não sabem eles, (os responsáveis por tais
tarefas), que os reclamantes, não passam de velhos conhecidos dos mais antigos
trabalhadores dessas mesmas instituições, e que, a aparente disposição para o
empreendimento não irá além das aparências, e logo estarão envolvidos pelos
problemas de executar a implantação das novas metodologias sugeridas na
transformação das tarefas sem a presença de quaisquer outros tarefeiros, pois,
os pseudo-colaboradores desaparecerão do cenário assim que o trabalho começar a
ser executado.
Existem, nas casas espíritas, um sem número de
indivíduos sempre dispostos a reclamar de tudo, criticar a tudo e a todos,
descobrir falhas em qualquer atividade levada a efeito na instituição, pichar o
comportamento dos outros tarefeiros, espargindo fel por onde passam, sem se
darem conta de que estão em um ambiente de elevadas vibrações fluídicas, a lhes
solicitar exatamente um comportamento compatível com o ambiente de uma casa
espírita.
Preciso se faz, tenhamos sensibilidade
suficiente, para sabermos identificar esses nossos irmãos, e procurar contornar
com muito cuidado e competência, suas influencias negativas, para não cairmos
em tentação e não nos deixar contaminar por esse tóxico pernicioso do
negativismo, envolvendo-os em nossas preces na certeza de que são pessoas
necessitadas de compreensão e tolerância para vencerem esse triste vício da
crítica negativa, arraigado em seus psiquismos há milênios.
Esse comportamento equivocado dessas criaturas,
existe desde todos os tempos, e é bastante
comum no meio espírita. Como exemplo, trazemos do Livro Lindos casso de Chico
Xavier a narrativa que muito nos diz sobre o assunto em pauta conforme segue:
O Entusiasmo Apagado
Em fins de 1927, o “Centro Espírita Luiz Gonzaga”, então sediado
na casa de José Cândido Xavier, que se fez Presidente da instituição, estava
bem freqüentado.
Muita gente.
Muitos candidatos ao serviço da mediunidade.
Muitas promessas.
José era irmão de Chico e na residência dele realizavam-se as
sessões públicas nas noites de segunda e sextas-feiras.
Em cada reunião, ouviam-se exclamações como estas:
-Quero ser médium psicógrafo!...
-Quero desenvolver-me na incorporação!...
-Precisamos trabalhar muito...
-Não será interessante fundarmos um abrigo ou um hospital?
O entusiasmo era grande quando, em outubro do mesmo ano, chegou a
Pedro Leopoldo Dona Rita Silva, sofredora mãe com 4 filhas obsidiadas.
Vinham ela e o irmão Saul, tio das doentes, da região de Pirapora,
zona so Rio São Francisco, no norte mineiro.
As moças em plena alienação mental, inspiravam compaixão.
Tinham crises de loucura completa.
Mordiam-se umas às outras.
Gritavam blasfêmias. Uma delas chegara acorrentada tal a violência
da perturbação de que era vítima.
O Espírito de Dona Maria João de Deus explicou pela mão do Chico:
-Meus amigos, temos desejado o trabalho e o trabalho nos foi
enviado por Jesus. Nossas irmãs doentes devem ser amparadas aqui no Centro. A
fraternidade é a luz do espiritismo. Procuremos servir com Jesus.
Isso aconteceu numa noite de segunda-feira.
Quando chegou a reunião de sexta-feria, José e |Chico Xavier
estavam em companhia das obsidiadas sem mais ninguém.... ¹
Dessa forma, tomemos todo cuidado possível, para quando formos
abordados por esses irmãos insatisfeitos, cheios de queixas e sugestões, a se
apresentarem como tarefeiros para a modificação dos trabalhos já implantados na
casa espírita, saber nos desvencilhar de forma educada, mas firme, sem nos deixar
envolver por seus tóxicos destruidores, zelando com carinho pela harmonia e paz
que deve reinar em nosso ambiente espírita.
Que Jesus nos guarde em sua doce paz!
Fontes:
1)
Livro Lindos Casos de Chico Xavier - Autor: Ramiro Gama - Lake - Livraria Allan
Kardec Editora – 12ª edição.
Francisco Rebouças.