Quando o vaso se
retirou da cerâmica, dizia sem palavras:
— Bendito seja o fogo que me proporcionou a
solidez.
Quando o arado se
ausentou da forja, afirmava em silêncio:
— Bendito seja o
malho que me deu forma.
Quando a madeira
aprimorada passou a brilhar no palácio, exclamava, sem voz:
— Bendita seja a
lâmina que me cortou cruelmente, preparando-me a beleza.
Quando a seda
luziu, formosa, no templo, asseverava no íntimo:
— Bendita
seja a feia lagarta que me deu vida.
Quando a
flor se entreabriu, veludosa e sublime, agradeceu, apressada:
— Bendita a terra
escura que me encheu de perfume.
Quando o enfermo
recuperou a saúde, gritou, feliz:
— Bendita seja a
dor que me trouxe a lição do equilíbrio.
Tudo é belo, tudo
é grande, tudo é santo na casa de Deus.
Agradeçamos a
tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que ilumina.
A alvorada é
maravilha do céu que vem após a noite na Terra.
Que em todas as nossas dificuldades e sombras
seja nosso Pai glorificado para sempre.
Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças