Solidarity Spiritist Societ

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Estudando o Espiritismo - R.E.


Manifestações físicas - Fenômeno de passagem dos Panoramas

Revista Espírita, janeiro de 1858

Lemos o que se segue, em le Spiritualiste de Ia Nouvelle-Orléans, do mês de fevereiro de 1857: - "Recentemente, nos perguntamos se todos os Espíritos, indistintamente, fazem mover as mesas, produzem ruídos, etc., e logo a mão de uma dama, muito séria para brincar com essas coisas, traça, violentamente estas palavras:

- "Quem faz os macacos dançarem em vossas ruas? São os homens superiores?"

"Um amigo, espanhol de nascimento, que era espiritualista, e que morreu no verão passado, nos deu diversas comunicações; numa delas, acha-se esta passagem:

"As manifestações que procurais não estão entre aquelas que agradam mais aos Espíritos sérios e elevados. Confessamos, todavia, que elas têm sua utilidade, porque, mais que nenhuma outra, talvez, elas podem servir para convencer os homens de hoje.

"Para obter essas manifestações, é preciso, necessariamente, que se desenvolvam certos médiuns, cuja constituição física esteja em harmonia com os Espíritos que podem produzi-las.

Ninguém duvida que não os vereis, mais tarde, se desenvolverem entre vós; e, então, não serão mais pequenos golpes que ouvireis, mas, ruídos semelhantes a um fogo circulante de fuzilaria entremeado de tiros de canhão.

"Em uma parte recuada da cidade, se acha uma casa habitada por uma família alemã; aí se ouvem ruídos estranhos, ao mesmo tempo certos objetos são deslocados; pelo menos, nos asseguram, porque não o verificamos; mas, pensando que o chefe dessa família poderia nos ser útil, convidamo-lo a algumas sessões que têm por objetivo esse gênero de manifestações, e, mais tarde, a mulher desse bravo homem não quis que continuasse a ser dos nossos, porque, nos disse esse último, o barulho aumentou entre eles. A esse propósito, eis o que nos foi escrito pela mão da Senhora...

"Não podemos impedir os Espíritos imperfeitos de fazerem barulho, ou outras coisas aborrecidas e mesmo apavorantes; mas o fato de estarem em relação conosco, que somos bem intencionados, não pode senão diminuir a influência que exercem sobre o médium em questão."

Faremos notar a concordância perfeita que existe entre o que os Espíritos disseram em Nova Orleans, com respeito à fonte das manifestações físicas, e o que foi dito a nós mesmos. Nada poderia, com efeito, pintar essa origem com mais energia do que esta resposta, ao mesmo tempo, tão espiritual e tão profunda: "quem faz dançar os macacos nas nossas ruas? São os homens superiores?"

Teremos ocasião de narrar, segundo os jornais da América, numerosos exemplos dessas espécies de manifestações, bem mais extraordinárias do que aquelas que acabamos de citar.

Responder-nos-ão, sem dúvida, com este provérbio: tem belo mentir que vem de longe.

Quando coisas tão maravilhosas nos chegam de duas mil léguas, e quando não se pode verificá-las, concebe-se a dúvida; mas esses fenômenos atravessaram os mares com o senhor Home, que dele nos deu amostras. É verdade que o senhor Home não se colocou num teatro para operar seus prodígios, e que todo o mundo, pagando um preço de entrada, não pôde vê-los; por isso, muitas pessoas o tratam de hábil prestidigitador, sem refletir que a elite da sociedade, que foi testemunha desses fenômenos, não se prestaria, benevolentemente, a lhes servir de parceiro. Se o senhor Home tivesse sido um charlatão, não. estaria precavido em recusar as ofertas brilhantes de muitos estabelecimentos públicos, e teria recolhido o ouro a mãos cheias. Seu desinteresse é a resposta, a mais peremptória, que se possa dar aos seus detratores. Um charlatanismo desinteressado seria sem sentido e uma monstruosidade. Falaremos, mais tarde e com mais detalhes, do senhor Home e da missão que o levou à França. Eis, à espera disso, um fato de manifestação espontânea que distinto médico, digno de toda confiança, nos relatou, e que é tão mais autêntico quanto as coisas se passaram entre seus conhecidos pessoais.

Uma família respeitável tinha por empregada doméstica uma jovem órfã de catorze anos, cuja bondade natural e a doçura de caráter lhe haviam granjeado a afeição dos seus senhores. No mesmo quarteirão, habitava uma outra família cuja mulher tinha, não se sabe porque, tomado essa jovem em antipatia, de tal modo que supunha espécie de mau proceder, do qual ela não fora causa. Um dia, quando voltava, a vizinha saiu furiosa, armada de uma vassoura, e quis atingi-la. Assustada, ela se precipita contra a porta, quer tocar, infelizmente o cordão se encontra cortado, e ela não pode alcançá-lo; mas, eis que a campainha se agita por si mesma, e se lhe vem abrir. Em sua perturbação, ela não se inteirou do que havia se passado; mas, desde então, a campainha continuou a tocar, de tempo em tempo, sem motivo conhecido, tanto de dia quanto à noite, e quando se ia ver à porta, não se encontrava ninguém. Os vizinhos do quarteirão foram acusados de pregar essa má peça; foi dada queixa perante o comissário de polícia, que fez uma investigação, procurou se algum cordão secreto comunicava fora, e não pôde nada descobrir; entretanto, a coisa persistia, cada vez mais, em detrimento do repouso de todo o mundo, e, sobretudo, da pequena pajem, acusada de ser a causa desse barulho. Segundo o conselho que lhes foi dado, os senhores da jovem decidiram afastá-la deles, e a colocaram com amigos no campo.

Desde então, a campainha permaneceu tranquila, e nada de semelhante se produziu no novo domicílio da órfã.

Esse fato, como muitos outros que vamos relatar, não se passou nas margens do Missouri ou do Ohio, mas, em Paris, Passagem dos Panoramas. Resta, agora, explicá-lo. A jovem não tocou a campainha, isso é positivo; ela estava muito terrificada com o que se passara para pensar em uma travessura da qual fora a primeira vítima.

Uma coisa não menos positiva, era que a agitação da campainha se devia à sua presença, uma vez que o efeito cessou quando ela partiu. O médico, que testemunhou o fato, explica-o por uma possante ação magnética, exercida pela jovem, inconscientemente. Essa razão não nos parece concludente, pois, por que teria ela perdido essa força depois da sua partida? A isso, disse que o terror inspirado pela presença da vizinha deveu produzir, na jovem, uma superexcitação de maneira a desenvolver a ação magnética, e que o efeito cessou com a causa. Confessamos não estar convencidos com esse raciocínio. Se a intervenção de uma força oculta não está aqui demonstrada de maneira peremptória, é ao menos provável, segundo os fatos análogos que conhecemos. Admitindo, pois, essa intervenção, diremos que, na circunstância em que o fato se produziu na primeira vez, um Espírito protetor, provavelmente, quis que a jovem escapasse do perigo que corria; que, malgrado a afeição que seus senhores tinham por ela, talvez, era do seu interesse que ela saísse daquela casa, eis porque o ruído continuou até que tivesse partido. 

Fonte: Revista Espírita Janeiro 1858. 

Francisco Rebouças

COMPAIXÃO


VII
Compadece-te da lavoura
Que te enriquece de grãos.
Ela se arregimenta
A fim de servir-te.
VIII
Compadece-te da estrada.
Não lhe cries obstáculos
Como sejam pedras ou espinhos.
Ela é companheira do trânsito que precisas.
 
IX
Compadece-te da própria família,
Ainda mesmo que encontres junto aos entes amados
Aqueles que não se afinam contigo.
A família é o grupo em que nascestes para auxiliar a ser auxiliado.

X
Compadece-te de tua habitação
Não a estragues.
Seja de mármore ou de taipa
É o recanto que Deus te concedeu para morar.
XI

Compadece-te da lâmpada
Na estrutura de bojo para a luz elétrica,
Na condição de tocha, lamparina, lampião ou vela
É recurso que te livra da escuridão.

 XII
Compadece-te de teu corpo.
Não faças dele instrumento para qualquer abuso.
Ele é o engenho aperfeiçoado que te serve
Ao próprio Espírito para que te aprimores.
 
Livro: Compaixão
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

DOM DE DEUS

Caridade – o doce alívio
Àquele que pede à porta;
Entretanto, além do amparo,
A frase que reconforta;
O socorro em que te mostras
Onde o bem se faz preciso,
Colocando em cada gesto
A dádiva de um sorriso.
Caridade – a paciência
No apoio do braço irmão
Que suporta o companheiro
Na hora da irritação;
O ouvido que escuta e cala,
Cumprindo santo dever,
Esquecendo tudo aquilo
Que não se deve dizer.
Caridade – a mente calma
Da criatura sincera,
Que ajuda sem reclamar,
Que jamais se desespera;
A voz que adoça pesares,
Que não fere, nem se cansa,
Vestindo a dor da verdade
Na túnica da esperança.
Caridade – dom de Deus,
A bondade dividida,
Será sempre, em toda parte,
A luz que clareia a vida;
Mas só fica onde trabalha
E nunca aparece em vão,
Quando nasce, vibra e serve
Por dentro do coração.
Manoel Monteiro
 
Livro: Caridade
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
Francisco Rebouças



domingo, 29 de junho de 2014

Matar o Tempo?

A velha expressão popular “matar o tempo” re­flete a inconsciência vulgar, e a irresponsabilidade do homem para com o mais valioso bem que a Divindade concedeu ao homem para seu aprimoramento e para a construção responsável de sua própria felicidade.
Dessa forma, o tempo não lhe é concedido para ser negligenciado ou desperdiçado de maneira irresponsável, mas para ser nobremente aproveitado na construção e conquista da paz e da pureza espiritual a que estamos destinados.
Trabalhemos irmãos, com seriedade, disciplina e dedicação em prol do nosso progresso intelectual e moral, na implementação em nosso mundo íntimo de um "Amor que saiba e de uma Sabedoria que Ame".
Francisco Rebouças


O QUE MAIS SOFREMOS

CAPÍTULO IX
Albino Teixeira
         O que mais sofremos no mundo,
         Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.
         Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.
         Não é a doença. É o pavor de recebê-la.
         Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.
         Não é o fracasso. É a teimosia de não e conhecer os próprios erros.
         Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo.
         Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.
         Não é a injúria. É o orgulho ferido.
         Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.
         Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.
         Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflições que criamos,desenvolvemos e sustentamos contra nós.
 
Livro: Passos da Vida
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
Francisco Rebouças

sábado, 28 de junho de 2014

GLORIFIQUEMOS

       Quando o vaso se retirou da cerâmica, dizia sem palavras:
  Bendito seja o fogo que me proporcionou a solidez.
Quando o arado se ausentou da forja, afirmava em silêncio:
— Bendito seja o malho que me deu forma.
Quando a madeira aprimorada passou a brilhar no palácio, exclamava, sem voz:
— Bendita seja a lâmina que me cortou cruel­mente, preparando-me a beleza.
Quando a seda luziu, formosa, no templo, asse­verava no íntimo:
       — Bendita seja a feia lagarta que me deu vida.
       Quando a flor se entreabriu, veludosa e subli­me, agradeceu, apressada:
— Bendita a terra escura que me encheu de perfume.
Quando o enfermo recuperou a saúde, gritou, feliz:
— Bendita seja a dor que me trouxe a lição do equilíbrio.
Tudo é belo, tudo é grande, tudo é santo na casa de Deus.
Agradeçamos a tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que  ilumina.
A alvorada é maravilha do céu que vem após a noite na Terra.

      Que em todas as nossas dificuldades e sombras seja nosso Pai glorificado para sempre. 
 
Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Palestra no GEMIL

Francisco Rebouças
Deixo aqui o registrado dos meus sinceros agradecimentos aos amigos do GEMIL - Grupo Espírita Missionários da Luz de Ponte Seca -SG, pela acolhida que tive ontem quando de minha estada naquela  instituição espírita pelos companheiros de lá.

Abaixo, registro de parte da plateia presente ao evento.
Parte do público presente
A todos, meus sinceros agradecimentos pela atenção e pelo  carinho, e que Jesus possa estar no coração de todos para que o GEMIL continue com o excelente trabalho que realiza na Seara Espírita.
 
Um grande e fraterno abraço em todos,

 
Francisco Rebouças 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Não descarregues o teu azedume...

  Não descarregues o teu azedume, conflitos e recalques nos servidores da tua casa, do teu trabalho, da tua esfera social.

   Eles já sofrem o suficiente, dispensando a carga de amargura e mal-estar que lhes destinas.

  Coloca-te no lugar deles e verás quanto gostarias de receber gentilezas, ter atenuadas as humilhações que passasses, as dores que carpisses...

  São teus irmãos carentes.

  Se te fazem grosserias e são rudes, educa-os com o silêncio e a bondade.

  Eles desconhecem as boas maneiras, necessitando do teu exemplo.
 
Livro: Vida Feliz
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
 
Francisco Rebouças


AMA SEMPRE

Meimei
... O julgamento é dos homens, mas a Justiça é de Deus...
Encontrarás talvez, junto de tí, os que te pareçam errados.
Esse cometeu falta determinada, aquele se acomodou numa situação considerada infeliz.
Respeita o tribunal que lhes indicou tratamento, sem recusar-lhes auxílio.
Quem conhecerá todas as circunstâncias para sentenciar, em definitivo, quanto às atitudes de alguém, analisando efeitos sem penetrar as causas profundas?
Deliciava-se certa jovem com o perfume das rosas que lhe vinham desabrochar na janela. Orgulhosa das ramas que escalavam paredes, de modo a ofertar-lhe as flores, quis corrigir o jardim, no pedaço de chão em que a planta se levantava. Pequeno monte de terra adubada, a destacar-se de nível, foi violentamente arrancado, mas justamente aí palpitava o coração da roseira.
Decepada a raiz, morreram a flores.
Quantas criaturas estarão resignadas à moradia em situações categorizadas por lodo, para que as rosas da alegria e da segurança possam brilhar na janelas de nossa vida?
Aceita os outros tais quais são.
Espera e serve.
Abençoa e ama sempre.
O errado hoje, em muitos casos, será o certo amanhã.
O julgamento é dos homens, mas a justiça é de Deus.
Livro: Amizade
Chico Xavier/Meimei
 
Francisco Rebouças

quarta-feira, 25 de junho de 2014

DUALIDADE DO BEM E DO MAL

   
Um velho koan Zen-Budista narra que um homem muito avarento recebeu, oportunamente, a visita de um mestre.
O sábio, depois de saudá-lo, perguntou-lhe: — Se eu fechar a minha mão para sempre, não a abrindo nun­ca, como te parecerá?
O avaro respondeu-lhe sem titubear: — Deforma­da.
Muito bem, prosseguiu o interlocutor: — E se eu a abrir para sempre, como a verás?
— Igualmente deformada — redarguiu, o anfitrião.
O homem nobre concluiu, informando-o: — Se en­tenderes isso, serás um rico feliz.
Depois que se foi, o anfitrião começou a meditar e, a partir daí, passou a repartir com os necessitados, aqui­lo que lhe parecia excedente, tornando-se generoso.
Todos os opostos, afirma o antigo koan, bem e mal, ter e não ter, ganhar e perder, eu e os outros, dividem a mente. Quando são aceitos, afastam as pessoas da mente original, sucumbindo ao dualismo.
A sabedoria, concluiu a narração sintética, está no meio, no Zen, que é o caminho.
A dualidade sempre esteve presente no ser huma­no, desde o momento em que ele começou a pensar, desenvolvendo a capacidade de discernir. Os opostos têm-lhe constituído desafios para a consciência, que deve eleger o que lhe é melhor, em detrimento daquilo que lhe é pernicioso, perturbador, gerador de conflitos.
Não poucas vezes, por imaturidade, toma decisões compulsivas e derrapa em estados de perturbação, demarcando fronteiras e evitando atravessá-las, assim  
perdendo contato com as possibilidades existentes em ambos os lados, que podem auxiliar na definição de rumos. Essa definição, no entanto, não pode ser cercea­dora das vivências educativas, produtoras. Devem ca­racterizar-se pela eleição natural do roteiro a seguir, de maneira que nenhuma forma de tormento pelo não ex­perimentado passe a gerar frustração.
A experiência ensina a conquistar os valores legíti­mos, aqueles que propiciam a evolução, facultando, na análise dos contrários, a opção pelo que constitui estí­mulo ao crescimento, sem que gere danos para o pró­prio indivíduo, para o meio onde se encontra, para ou­trem. Somente assim, é possível a aquisição do com­portamento ideal, propiciador de paz, porque não traz, no seu bojo, qualquer proposta conflitiva.
Do ponto de vista ético, definem os dicionaristas, o bem é a qualidade atribuída a ações e a obras huma­nas que lhes confere um caráter moral. (Esta qualida­de se anuncia através de fatores subjetivos — o senti­mento de aprovação, o sentimento de dever — que le­vam à busca e à definição de um fundamento que os possa explicar.)
O mal é tudo aquilo que se apresenta negativo e de feição perniciosa, que deixa marcas perturbadoras e afugentes.
Na sua origem, o ser não possui a consciência do bem nem do mal. Vivendo sob a injunção do instinto, é levado a preservar a sobrevivência, a reprodução, atu­ando por automatismos, que irão abrindo-lhe espaços para os diferenciados patamares do conhecimento, do pensamento, da faculdade de discernir.
A seleção do que deve em relação ao que não deve realizar dá-se mediante a sensação da dor física, depois emocional, mais tarde de caráter moral, ascendendo na escala dos valores éticos. Percebe que nem tudo quanto lhe é lícito executar, pode fazê-lo, assim realizando o que lhe é de melhor, no sentido de descobrir os resulta­dos, porquanto aquilo que lhe é facultado, não poucas vezes fere os direitos do próximo, da vida em si mes­ma, quanto da sua realidade espiritual.
Essa percepção torna-se a presença da capacidade de eleger o bem em detrimento do mal. Faz-se a reali­dade livre da sombra; o avanço psicológico sem trau­ma, a ausência de retentivas na retaguarda.
Embora haja o bem social, o de natureza legal, aquele que muda de conceito conforme os valores éticos estabelecidos geográfica ou genericamente, pai­ra, soberano, o Bem transcendental, que o tempo não altera, as situações políticas não modificam, as cir­cunstâncias não confundem. É aquele que está ins­crito na consciência de todos os seres pensantes que, não obstante, muitas vezes, anestesiem-no, perma­nece e se impõe oportunamente, convidando o in­frator à recomposição do equilíbrio, ao refazimento da ação.
O mal, remanescente dos instintos agressivos, pre­domina enquanto a razão deles não se liberta, sob a dominação arbitrária do ego, que elabora interesses hedonistas, pessoais, impondo-se em detrimento de todas as demais pessoas e circunstâncias.
O seu ferrete é tão especial que, à medida que fere quantos se lhe acercam, termina por dilacerar aquele que se lhe entrega ao domínio, tombando, exaurido, pelo caminho do seu falso triunfo.
O ser humano foi criado à imagem de Deus, isto é, fadado à perfeição, superando os impositivos do trânsito evolutivo, nessa marcha inexorável a que se encon­tra compelido.
Possuindo os atributos da beleza, da harmonia, da felicidade, do amor, deve romper, a pouco e pouco, a casca que o envolve — herança do período primário por onde tem que passar — a fim de desenvolver as apti­dões adormecidas, que lhe servem temporariamente de obstáculo a esses tesouros imarcescíveis.
O Bem pode ser personificado no amor, enquanto o mal pode ser apresentado como sendo-lhe a ausên­cia.
Tudo aquilo que promove e eleva o ser, aumentan­do-lhe a capacidade de viver em harmonia com a vida, prolongá-la, torná-la edificante, é expressão do Bem. Entretanto, tudo quanto conspira contra a sua eleva­ção, o seu crescimento e os valores éticos já logrados pela Humanidade, é o mal.
O mal, todavia, é de duração efêmera, porque re­sultado de uma etapa do processo evolutivo, enquanto o Bem é a fatalidade última reservada a todos os indi­víduos, que se não poderão furtar desse destino, mes­mo quando o posterguem por algum tempo, jamais o conseguindo definitivamente.
Eis porque o ser tem a tendência inevitável de bus­car o amor, de entregar-se-lhe, de fruí-lo.
Encarcerado no egoísmo e acostumado às buscas externas, recorre aos expedientes do prazer pessoal, em vãs tentativas de desfrutar as benesses que dele decorrem, tombando na exaustão dos sentidos ou na frustração dos engodos que se permite.
Oportunamente um aprendiz indagou ao seu mes­tre: — Dize-nos o que é o amor.
— E o sábio, após ligeira reflexão, redarguiu com um sorriso:
— Nós somos o amor.
Esse sentimento que temos todos os seres viventes expressa o Supremo Bem, que nos cumpre buscar, em­bora estejamos na faixa da libertação da ignorância, errando, ainda praticando o mal temporário por falta da experiência evolutiva, que nos junge às sensações, em detrimento das emoções superiores que alcançare­mos.
Há uma tendência para a experiência do Bem, face à paz e à beleza interior que se experimenta, constitu­indo-se um grande desafio ao pensamento psicológico estabelecer realmente o que é de melhor para o ser hu­mano, graças aos impositivos dos instintos que prome­tem gozo, enquanto que a sua libertação, às vezes, do­lorosa, em catarse de lágrimas, proporciona em plenitude.
A terapia do Bem — essa eleição dos valores éticos que propiciam paz de consciência — constitui proposta excelente para a área da saúde emocional e psíquica, consequentemente, também física dos seres humanos, que não deve ser desconsiderada.
A medida que se amplia o desenvolvimento psico­lógico, seu amadurecimento, são eliminadas as distân­cias entre o eu e os outros, superando o mal pelo bem natural, suas ações de fraternidade e de compreensão dos diferentes níveis de transição moral, compreenden­do-se que o mal que a muitos aflige, por eles mesmos buscado, transforma-se na sua lição de vida.
Eis porque é necessária a terapia da realização edi­ficante, produzindo sempre em favor de si mesmo, do próximo e do meio ambiente, evitando qualquer tenta
tiva de destruição, de perturbação, de desequilíbrio.
Por isso, não realizar o bem é fazer-se a si mesmo um grande mal. Dificultar-se a ascensão, é forma de comprazer-se na vulgaridade, na desdita, assumindo um comportamento masoquista, no qual se sente valo­rizado.
Certamente, nem todos os indivíduos conseguem de imediato uma mudança de conduta mental, por­tanto, emocional, da patologia em que se encarcera, para viver a liberdade de ser feliz. Isso exige um esforço her­cúleo que, normalmente, o paciente não envida. Acre­dita que a simples assistência psicológica irá resolver-lhe os estados interiores que o agradam, quase que a passo de mágica, transferindo para o psicoterapeuta a tarefa que lhe compete desenvolver.
Para esse cometimento, o do reequilíbrio, a assis­tência especializada é indispensável, somada à contri­buição de um grupo de apoio e ao interesse dele pró­prio para conseguir a meta a que se propõe.
A religião bem orientada, pelo conteúdo psicológi­co de que se reveste, desempenha um papel de alta re­levância em favor do equilíbrio de cada pessoa e, por extensão, do conjunto social, no qual se encontra loca­lizada.
A religião que se fundamenta, no entanto, na con­duta científica de comprovação dos seus ensinamen­tos, que documenta a realidade do Espírito imortal e a sua transitoriedade nos acontecimentos do corpo, como é o caso do Espiritismo, melhores condições possui para auxiliá-la na escolha do caminho a trilhar com os pró­prios pés, propondo-lhe renovação interior e adesão natural aos princípios que promovem a vida, que a dig­nificam, portanto, que representam o Bem.
Por outro lado, proporciona-lhe uma conduta res­ponsável, esclarecendo-a que cada qual é responsável pelos atos que executa, sendo semeadora e colhedora de resultados, cabendo-lhe sempre enfrentar os desafi­os de superar-se, porque toda conquista valiosa é re­sultado do esforço daquele que a consegue. Nada exis­te que não haja sido resultado de laborioso esforço.
Ainda mais, faculta-lhe o entendimento de como funcionam as Leis da Vida, em cuja vigência todos os seres somos participantes, sem exceção, cada qual res­pondendo de acordo com o seu nível de consciência, o seu grau de pensamento, as suas intenções intelecto-morais.
Abre, ademais, um elenco de novas informações que a capacitam para a luta em prol da saúde, expli­cando-lhe que existe um intercâmbio mental e espiritu­al entre as criaturas que habitam os dois planos do mundo: o espiritual ou da energia pensante e o físico ou da condensação material.
A morte do corpo, não extinguindo o ser, apenas altera-lhe a compleição molecular, mantendo-lhe, não obstante, os valores intrínsecos à sua individualidade, o que faculta, muitas vezes, o intercâmbio psíquico.
Quando se trata de alguém cuja existência foi pau­tada em ações elevadas, a influência é agradável, rica de saúde e de harmonia. Quando, porém, foi negativa, inquieta ou doentia, perturbada ou insatisfeita, trans­mite desarmonia, enfermidades, depressões e alucina­ções cruéis, que passam a constituir psicopatologias de classificação muito complexa, na área das obsessões espirituais e de libertação demorada, que exigem mui­to esforço e tenacidade nos propósitos em favor da re­cuperação da saúde.
O Bem, portanto, é o grande antídoto a esse mal, como o é também para quaisquer outros estados per­turbadores e traumáticos da personalidade humana.
Outrossim, a experiência do Bem se dará plena após o trânsito pelas ocorrências do Mal, os insucessos, as perturbações, as reações emocionais conflitivas, que facultam o natural selecionar dos comportamentos agra­dáveis, tranquilos, que validam o esforço de haver-se optado pelo que é saudável. Caso contrário, a aquisi­ção positiva não se faz total, porque será mais o resul­tado de repressão aos instintos do que superação de­les, graças ao que se pode adquirir virtudes — sentimen­tos bons, conquistas do Bem —, no entanto, perder-se a integridade, a naturalidade do processo de elevação. A pessoa torna-se frustrada por não haver enfrentado as lutas convencionais, evitando-as, ocasionando um sen­timento de culpa, que é, por sua vez, uma oposição à proposta encetada para a vida correta.
A experiência do Bem e do Mal começa na infância diante das atitudes dos pais e dos demais familiares. Por temor a criança obedece, porém, não compreende o que é certo e aquilo que é errado, que lhe querem incutir os genitores, muitas vezes por imposição sem o esclarecimento correspondente para a análise lenta e à assimilação da razão.
Se a criança não consegue entender aquilo que lhe é ministrado e exigido, passa a aceitar a informação por medo de punição, até o momento em que se liberta da imposição, transformando o sentimento em culpa, e temendo reagir pelo ódio ou pelo ressentimento, ou, noutras situações, reprimindo-se, tomba na depressão. O inconsciente, utilizando-se do mecanismo de preser­vação do ego, resolve aceitar o que foi ministrado, passando a insuflar a conduta reta, no entanto, em forma de máscara que oculta a realidade reprimida.
A conquista paulatina do Bem produz equilíbrio e segurança, eliminando as armadilhas do ego, que mais tem interesse em promover-se do que em ser substituí­do pelo valor novo, inabitual no seu comportamento.
Por isso mesmo, o Bem não pode ser repressor, o que é mal, porém, libertador de tudo quanto submete, se impõe, aflige. A sua dominação é suave, não constri­tora, porque passa a ser uma diferente expressão de conduta moral e emocional, dando prosseguimento à assimilação dos valores que foram propostos no perío­do infantil, e que constituem reminiscências agradáveis que ajudam nos procedimentos dos diferentes perío­dos existenciais, na juventude, na idade adulta, na ve­lhice.
Em razão disso, torna-se mais difícil a assimilação e incorporação dos valores do Bem em um adulto acli­matado à agressão, às lutas, nas quais predominou o Mal, houve a sua vitória, os resultados prazerosos do ego, a vitalização dos comportamentos esmagadores, que geraram heróis e poderosos, mas que não escapa­ram das áreas dos conflitos por onde continuam transi­tando.
Somente através da renovação de valores desde cedo é que o Bem triunfará nas criaturas.
Quando adultas, o labor é mais demorado, porque terá que substituir as constrições do ego e, através da reflexão, dos exercícios de meditação e avaliação da conduta, substituir os hábitos enraizados por novos comportamentos compensadores para o eu superior.
Eis porque se pode afirmar que o Bem faz muito bem, enquanto que o Mal faz muito mal. A simples mudança, portanto, de atitude mental do indivíduo en­seja-lhe o encontro com o Bem que irá desenvolver-lhe os sentimentos profundos da sua semelhança com Deus.
 
Livro: Amor, Imbatível Amor
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
 
 
Francisco Rebouças

terça-feira, 24 de junho de 2014

Lindos Casos de Chico Xavier

                     A LIÇÃO DO PRÉDIO QUE SE INCLINARA
A Imprensa belorizontina noticiara, com alarde, que um prédio de 10 andares, depois de pronto e com o HABITE-SE, inclinara-se visivelmente.
Em redor, aglomeravam-se muitas pessoas curiosas, comentando o erro de cálculo do Engenheiro construtor.
O Chico por ali, passa, vira o prédio interditado e ouvia as diversas críticas.
Emmanuel a seu lado, lhe diz:
— Veja e medite. Por um erro de cálculo perde-se um prédio de dez andares: também em nossa existência, por um erro, consequente da falta de oração e vigilância, inclinamos, tombamos, inutilizando muitos séculos de nosso edifício espírita!...
 
Livro: lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama
 
 
Francisco Rebouças

PROMOÇÃO

    Incontáveis companheiros espíritas, na atuali­dade, revivem o espírito de serviço cristão que neles se agiganta, conclamando-os ao intérmino labor de preparação da Era nova.
Multiplicam-se eles em formosa sementeira e já se podem observar os resultados positivos da sua atividade proveitosa, a benefício de toda a Seara do Amor.
Entre eles corporificam-se a abnegação e a re­núncia, emoldurando-lhes os esforços lavrados à base da vivência evangélica na integral harmonia dos seus postulados.
Escrevem e pautam a conduta na elevada cor­reção de modos.
Falam e aplicam na vida diária os ensinamen­tos divulgados.
Oram e agem no campo da fraternidade trans­formando palavras em socorro eficiente, que espa­lham, generosos, em nome do Senhor.
Proclamam a excelência do amor e desdobram esforços na compreensão dos espíritos sofredores que buscam amparar no carinho dos sentimentos.
Preconizam o perdão e esquecem as ofensas, disseminando a alegria, mesmo quando o pessimismo insiste em dominar, pernicioso.
Convém, no entanto, refletirmos com atenção Surgem e desaparecem com celeridade, na esfera do serviço ativo, trabalhadores diversos que se dizem fascinados por Jesus ou se apresentam to­cados pela excelência da Doutrina Espírita que dizem e aparentam desposar.
Todavia, somente alguns perseveram fiéis ao programa encetado, por longo tempo.
Enquanto brilham facilidades e o alarde dos aplausos estruge, ei-los a postos. Entrementes, logo são chamados ao testemunho do silêncio, no ano­nimato ou na ação aparentemente insignificante, debandam rancorosos, com queixas, estremunha­dos...
São os que promovem o Espiritismo, Promo­vendo-se também.
      Paulo, de tal forma se esqueceu de si mesmo, no serviço de Jesus, que exclamou: “Estou crucifi­cado com Cristo; logo já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”...
Francisco de Assis, servindo ao Senhor com elevada abnegação, olvidou, inclusive, a própria saú­de, para doar-se totalmente à lição da renúncia e da humildade por amor a Ele.
Vicente de Paula, tocado pela necessidade do próximo, alcançou os extremos da auto-doação, tro­cando a sua pela vida de um galé, a fim de libertá-lo das cadeias que considerava injustas.
Joanna d'Arc, convencida do amparo que as suas vozes lhe ofereciam, deixou-se queimar, supe­rando o instinto de conservação da vida física, fiel à Imortalidade.
Allan Kardec, conquanto advertido reiteradas vêzes pelo espírito generoso do dr. Demeure, seu médico, então desencarnado, quanto à saúde, dela descurava para trabalhar, rompendo-se-lhe o aneu­risma, em plena ação iluminativa de consciências.
E João Batista, o Precursor, enunciava em júbilo: “Necessário é que Ele cresça e eu diminua”, promovendo-o e apagando-se.
 
Cuida de promover a Causa e olvida as tran­sitórias casas a que te vinculas; propagando o Espiritismo em tôda a sua pureza, fiel aos postu­lados Kardequianos, ilumina-te na Sua claridade, deixando a tua pessoa em plano secundário; ampliando o campo para sementação da Verdade não te ilu­das...
A promoção da Doutrina que te honra não deve constituir-te motivo de destaque personalista, porque o verdadeiro trabalhador ama na semente a planta futura, e na terra reverdescida encontra a resposta da vida ao esfôrço desenvolvido.
Servindo desinteressadamente não te alcançarão as agressões dos maus — que são transitórios no caminho; e a perseverança da tua atividade, quando outros a deixaram, responderá pela nobreza dos teus propósitos e do teu valor aplicados à fide­lidade do ideal que te abrasa.
Porque Jesus distendesse o pensamento divino sõbre a Terra conturbada, quando pretendiam afe­tar a Mensagem de que se fizeram Mensageiro Celes­te, invectivava, enérgico e pulcro, no entanto, quan­do se levantavam contra Ele, deixava-se conduzir, confiando no Pai, a ensinar que a Palavra de Vida Eterna é pão insubstituível para a manutenção do espírito, enquanto que aquêle que dela se faz porta­dor, entregue à Verdade, não se deve preocupar consigo, por estar nas mãos de Deus que tudo supervisiona e dirige com sabedoria.
 
“É necessário que Ele cresça, e que eu diminua”.
João: capítulo 3º, versículo 30.
 
“Não ouso falar do que fiz, porque também os Espíritos têm o pudor de suas obras”.
— SÃO VICENTE DE PAULA.
                                   Capítulo 13º — Item 12, parágrafo 6.
 
Livro: Florações Evangélicas
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
 
Francisco Rebouças