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domingo, 11 de maio de 2014

Coração de Mãe


Maria Dolores

Dizem que quando a Terra foi criada

Fazendo-se possuída

Pelos filhos da vida

Que vinham de outros mundos,

Tudo na estrada humana,

Cortando a imensidão dos campos infecundos

Era a dominação do ódio que se aferra

A dissenção, à morte, ao desespero e à guerra...
 

Foi quando um mensageiro

Do Céu às criaturas,

Regressou às Alturas

E disse humildemente ao Grande Deus:

- Senhor!

O que posso fazer dos homens sem amor?

Do cérebro mais tardo ao gênio mais precoce,

Tudo na Terra é luta em conquistas da posse.
 

Compadece-te oh! Pai!... veneno, flecha e clava

Formam no mundo inteiro a Humanidade escrava,

Da descrença, do mal, da impiedade e do crime,

Sem qualquer esperança a que se arrime.

Já não se agüenta ouvir os urros do mais forte

E o choro dos vencidos,

Pisados, massacrados e caídos

Nos sarcasmos da morte.

Que fazer, Grande Deus, nas trevas dessa luta,

Em que a luz se nos nega e ninguém nos escuta?
 

Revelou-se que o Pai de Infinita Bondade,

Pensou, por muito tempo, e disse, comovido:

- Aceito, filho meu, quanto me falas,

Entendo-te o pedido!...

Volta ao mundo a servir na tarefa em que avanças,

Os que morrem no mal renascerão crianças.

A Terra evoluirá – ponderou o Senhor –

Ninguém alterará minha obra de amor.

A fim de desarmar a violência e a cobiça,

Instalarei no mundo a força da Justiça

E para que haja amor exterminado o orgulho,

Sem pancada, sem grito, sem barulho,

Enviarei alguém,

Que ame os filhos meus, com o meu amor ao bem,

Na exaltação da paz, em desprezo a ninguém.

Alguém que saiba amar, a servir e a sofrer,

Cultivando o perdão como simples dever.


Dizem que foi assim

Que a Terra começou a fazer-se jardim.

Ouviu-se verbo novo, alteraram-se imagens,

E conforme o Senhor mandou e prometeu,

Entre as rudes mulheres dos selvagens,
       
        O Coração de Mãe apareceu.

Livro:  Maria Dolores
Chico Xavier/Maria Dolores

Francisco Rebouças