Cornélio Pires
Era Nhá Nica, a esposa de Nho Tato,
Muito feliz na Roça do Fundão,
Mas dizia ao marido: “Filho, não!!...
Que não quero feiúra em meu retrato”.
Teimosa, ela bebia chá do mato
E tanto fez aborto sem razão,
Que, um dia, enfraqueceu, de supetão,
E morreu num cubículo sem trato.
Noutra vida, Nhá Nica chora em luta...
E’ só grito e gemido que ela escuta...
Cansada de sofrer, quer novos pais.
A pobre pede corpo a toda gente,
Mas onde vai faz frio de repente
E quem sente esse frio corre mais...
Livro: Vida em Vida
Chico Xavier/Espíritos Diversos
Francisco Rebouças