
— Caro
amigo, disse Castro, Joana, nossa estimada cooperadora, já nos informou
superficialmente sobre a possibilidade de mais um ataque à nossa Casa, poderia
nos dar maiores detalhes?
O
Benfeitor, abraçando-os amorosamente, tratou de acalmá-los com um afetuoso
sorriso, esclarecendo a seguir:
O caso é
realmente delicado!
Castro,
meu amigo, nossa instituição está sendo ameaçada por Júlio César!
— Mas de
novo? Perguntou o responsável pela institui ção no plano físico.
Sim,
afirmou o mentor. Ele ainda carrega ódio terrível pelo nosso movimento, não
suporta as obras benemerentes de promoção à infância que executamos na Terra,
os enfermos atendido pelos médicos voluntários, os inúmeros beneficiados pela
nossa farmácia etc., além de nossa intensa e organizada atividade doutrinária.
Sabes que
serás um dos primeiros que tentarão derrubar. É natural que assim
seja,
pois és tu quem está à frente de toda a organização. Os adversários sabem da importância
da função que executas, e não é preciso uma super inteligência para compreender
a utilidade da ordem que conduz ao progresso. E tu estás cumprindo satisfatoriamente
com os teus deveres, o que, aliás, tem garantido a ti proteção espiritual
proporcional.
Agora, é
natural que passes pela prova como qualquer trabalhador.
Certamente,
compreendes que o fato de assumires uma função de direção não
te coloca
acima dos tarefeiros menores, sabes que não és melhor que ninguém, entendes a
necessidade de te esforçares no caminho do próprio progresso como todos nós.
Assim, não esperes privilégios, pelo contrário, será exigido mais de ti, porque,
estando à frente de tarefa tão importante, é natural que suponhamos estejas te
empenhando mais do que os outros na busca de tua própria reforma íntima. Não
ignoras o próprio passado; sabes que estás neste cargo para recompor com o bem
e a fraternidade os desvios materiais e espirituais que proporcionas te aos
irmãos em humanidade. Todos trazemos débitos a saldar junto às leis divinas.
Contudo,
não iremos te desamparar, terás, a partir de hoje, proteção redobrada, afim de
que não percas as forças necessárias para continuares cumprindo os labores
essenciais ao bom andamento desta instituição. Entretanto, isso não te livrará
das investidas das trevas, eles tentarão de tudo, te envolverão de todas as formas.
Desta maneira, evita as irritações e os aborrecimentos o quanto possível, cultivando
tolerância e vigilância sempre, e quando tiveres de orientar, procura conciliar
autoridade moral com fraternidade.
Compreendemos,
meu irmão, que realmente não é fácil: inúmeras ocorrências
te
solicitam decisão rápida, várias reclamações pedindo correção, trabalhadores rompendo
normas, ciúme etc., naturais para uma Casa com estas proporções.
Entretanto,
paciência! O exemplo tem de ser de cima para baixo. Terás de ser o espelho que
refletirá a compreensão, tolerância e fraternidade.
Não
penses que estamos exigindo muito de ti, apenas lembrando-te dos valores do
homem de bem, a que se refere o Evangelho, e estimulando-te a continuares com o
trabalho que vens realizando já há algumas décadas. Segue adiante, lembra-te da
prece, nós estaremos te sustentando, vibrando para que consigas estar, o quanto
possível, em sintonia superior, buscando-nos em pensamento. Embora permaneçamos
invisíveis, estaremos, como sempre, ao teu lado, por que a tua disposição para
o bem e o trabalho que desempenhas precisam de nossa cooperação.
Temos
trabalhado em benefício de tua saúde, para que os anos não pesem demais sobre
ti, impedindo-te a continuidade da obra. Ainda precisarás ficar por algum tempo
nesta jornada, até que aqueles que haverão de ser os continuadores estejam
preparados. Por isso trabalha, suporta e testemunha o Evangelho, nesta Casa que
é para todos nós bênçãos dos Céus.
Confiamos
em teu trabalho, administras incalculável tesouro, que precisa ser multiplicado
em benefício do bem comum.
Sabemos
dos teus sofrimentos, das tuas dúvidas, renúncias e das tuas expectativas
quanto ao retorno à vida do infinito. Calma! O teu trabalho, mesmo que carregue
muitas imperfeições, te garantirá uma reentrada tranquila na vida espiritual.
Com tua dedicação de todos estes anos, granjeaste a simpatia, a amizade de
muitos cooperadores espirituais. Segue alerta e confiante. Não desanimes em
momento algum; embora muitos não valorizem, tua presença firme tem sustentado
inúmeras criaturas, convertendo-te em verdadeiro exemplo de trabalho cristão.
Mesmo que
não entres na faixa vibratória dos inimigos do bem, eles desejarão te atingir através
dos cooperadores e frequentadores invigilantes, que te endereçarão palavras
duras a fim de cortar-te, qual navalha afiada, o coração generoso. Quando
achares que irás explodir, lembra-te de que é preciso pensar na obra e, por
ela, manter o equilíbrio.
Todas
estas orientações, que são simplesmente a vivência do Cristianismo, são necessárias
por que este não é um ataque comum. Júlio César está apostando todas as suas
cartas, empenhando todos os seus esforços, e nós guardamos grande desejo de
envolvê-lo em nossos braços, conduzindo-o ao progresso. Mas, para isso, será
necessário um trabalho em conjunto. Desta maneira, precisaremos contar com o
teu comando, exaltando a paciência.
— Sendo
este um caso tão grave, permita-me lembrar desta nossa conversa, quando
despertar no corpo denso, para que tenha possibilidade de tomar as devidas
providências.
— Não
será possível, meu amigo. Lembra-te: nada de privilégios. Porém, guardarás a
sensação de que algo desagradável está para acontecer, além de uma imagem
simbólica, de uma grande casa com imensas rachaduras. Este simbolismo será
gravado em tua memória física, para que te sirva de alerta sobre as possíveis infiltrações
produzidas pelas fendas da invigilância humana. Isso bastará para que te
coloques em guarda, aplicando, como meio de defesa, os preceitos cristãos.
Esta
nossa conversa, continuou o amoroso mentor, objetiva apenas fortalecer-te espiritualmente.
Terás de vencer com o próprio esforço, conduzindo com o próprio exemplo os
tarefeiros do bem, evitando sempre a proliferação das fofocas, que são fatais
em casos de ataques espirituais.
E,
voltando-se para o outro tarefeiro dedicado que acompanhava atentamente a conversa,
o emissário do bem acrescentou:
É de
extrema importância, continuarmos zelando pela pureza doutrinária, e permanecermos
com a divulgação do Espiritismo através dos cursos sistematizados, preparando
doutrinariamente quantos desejarem servir na seara de Jesus.
Com o
estudo doutrinário constante, os trabalhadores do Espiritismo têm as atividades
disciplinadas. Graças à possibilidade de trabalho que os centros espíritas oferecem,
muitas pessoas deixam de se perder no mundo; vários cooperadores, encarnados,
encontram aí o sustentáculo para vencer na jornada terrena. Diante de atividades
nobres e valorosas, é preciso estarmos atentos, pois os obsessores cruéis terão
no âmbito doutrinário sua maior atuação.
Tu
também, Israel, serás procurado pelos adversários da bondade. Tua alma, igualmente,
será ferida, teu nome, motivo de maledicência. Entretanto, é preciso esqueceres
de ti mesmo, deixando de lado as conversas improdutivas, que aturalmente
surgirão, empenhando-te exclusivamente no trabalho.
Uma das
armas que os inimigos da paz certamente utilizarão, serão os modismos. Haverão
de explorar todos os tipos de crenças populares, agitando ondas de novidades “doutrinárias”.
Todos
aqueles que não estiverem firmes doutrinariamente poderão ser levados
de roldão
e não estranharemos se, na Casa, houver certa evasão, por verificarem a impossibilidade
da aceitação das ideias anti-doutrinárias.
Outros se
deixarão fanatizar por comunicações esdrúxulas, revelando uma multiplicidade de
sistemas empolgantes, coloridos, envolventes, mexendo com o ego das pessoas.
Não
faltarão os desejosos em imprimir mudanças na estrutura doutrinária, trazendo
conceitos novos, nomenclaturas empoladas, para definir o já definido.
Assim,
meu amigo, de tua parte solicitamos a costumeira vigilância, a prudência característica
dos estudantes sérios do Espiritismo, a firmeza em Kardec, bom senso e, como
sempre, rigor, lógica e razão na análise de tudo que vier dos espíritos.
Se te
pedimos firmeza na defesa da pureza doutrinária, também te solicitamos
disposição
e fraternidade no esclarecimento dos futuros modismos, compreendendo as mentes
invigilantes, o orgulho e a vaidade sobre-excitados. Será para ti excelente oportunidade
de exercitares a caridade dentro da própria Casa.
É
provável que o método que te foi inspirado, para a elaboração dos cursos sistematizados,
seja considerado, por alguns, ultrapassado; talvez, vozes eruditas bradem que a
modernidade exige considerações científicas aprofundadas, atualização do
pensamento kardequiano, que tuas diretrizes, no campo das aulas, não suprem
mais as expectativas dos alunos. Diante disto, tua postura deverá ser a do
companheiro que se colocará à disposição para a revisão do trabalho, do método,
da técnica, sem contudo mudar os objetivos; aceitarás somente o que for razoável,
lógico, e o que estiver em condições de ser implantado e assimilado pela maioria
(na administração da Casa Espírita é preciso pensar no todo).
Evita as
empolgações, continua com teu trabalho discreto, sem grandes pretensões. E se
porventura os “doutores” em Espiritismo te solicitarem alterações drásticas, propondo
implantações de novas ideias, acolhe-os com simpatia, respeitando-lhes o modo
de pensar, esclarecendo-os quanto possível, sem contudo incorporar, nas
atividades desta Casa, o que não esteja em absoluto acordo com as obras
básicas. Lembrando que o estudo doutrinário, no Centro Espírita, deve envolver
todos os níveis de compreensão humana, evitando-se ao máximo a valorização e a
evidência daqueles que dispõem de maiores recursos intelectuais.
Estes
deverão utilizar sua bagagem para ajudar os menos favorecidos no campo do intelecto
a compreenderem mais e melhor nossa Santa Doutrina. Continua, portanto, com a
simplicidade que te caracteriza, carregando contigo a discrição e o simples
desejo de fazer brilhar nesta Casa, acima de qualquer coisa, os ensinos de Jesus.
Os verdadeiros idealistas não exigem mudanças da noite para o dia. Os que desejam
cooperar, sabem aguardar o momento oportuno, revestindo-se de humildade. Desta
maneira, quando os adversários da verdade te visitarem, guarda confiança,
busca-nos na prece, consulta as obras básicas e espera, guardando a consciência
de que estes companheiros poderão estar sob forte influência negativa inebriando-lhes
o pensamento, impedindo o raciocínio sadio e, por isso mesmo, necessitarão de
nossa compreensão, misericórdia e carinho.
Lembra-te
de que igualmente serás perseguido, os inimigos da verdade da mesma forma
desejarão tentar-te.
Acalma-te,
também estaremos contigo! Teu trabalho segue satisfatoriamente, tuas
responsabilidades são muitas, teus testemunhos são consideráveis, tuas conquistas,
apesar de tuas imperfeições naturais, são respeitáveis. Por isso, segue adiante,
meu irmão, na certeza de que, diante dos sofrimentos que este processo de invasão
trará, Deus, o Senhor da Vida, tudo sabe.
Procuremos
retirar destas provas experiência e aprendizado para nossa alma, agradecendo ao
Criador pela abençoada oportunidade de cooperação no bem.
Sacrifica-te,
o quanto possível, em benefício desta Institui ção que beneficia multidões dos
dois planos. Coloca-te à disposição do bem, incessantemente, aproveitando a
tempestade de criaturas infelizes que se aproxima de nós, para disciplinar os
pensamentos, sintonizando com esferas maiores. Evita colocar a organização acima
da bondade e da fraternidade; no relacionamento humano, disciplina e amor devem
andar juntos. O resto deixa com Deus e segue o teu caminho.
Quando
despertares, concluiu o mentor, pouco recordarás destas orientações, contudo,
estaremos contigo, produzindo as intuições necessárias para que sejamos vitoriosos!
E,
voltando o olhar amoroso para os dois representantes da Instituição em questão,
finalizou dizendo:
— Retomem
ao corpo confiantes, Deus é por nós.
Terminadas
as orientações e esclarecimentos, o mensageiro espiritual abraçou longamente a
dupla de cooperadores em desdobramento, conduzindo-os pessoalmente à Terra.
Pela
manhã, Castro acordou com estranho sentimento e a lembrança de imagem curiosa.
Mais
tarde, relatando ao responsável pela direção doutrinária a impressionante vivência
espiritual, deu a seguinte interpretação:
— Israel,
tive um sonho interessante.
— Eu
também, relatou o amigo, sonhei que eu e você permanecíamos à frente
de
respeitável instrutor espiritual.
— Não,
disse Castro, meu sonho foi diferente, pude vislumbrar nossa Casa Espírita
completamente infestada por rachaduras, permanecendo angustiado até o momento,
como se estivesse pressentindo dias difíceis para esta Instituição.
Israel
fechou ligeiramente os olhos, como se buscasse os amigos espirituais, interpretando
a vivência espiritual do amigo desta maneira:
— Nossa
Casa com rachaduras? Pode significar que o trabalho deste templo será abalado.
— Sem
dúvida, respondeu Castro, chamarei agora mesmo um profissional para verificar
as estruturas do Centro; quem sabe as paredes guardem trincas que desconhecemos,
talvez algumas de nossas obras assistenciais estejam precisando de verificação
e, se for necessário, faremos reformas materiais urgentes.
Interrompendo
a fala do amigo, Israel lembrou:
— Isso
pode ser, também, um simbolismo! Rachaduras, brechas, infiltrações, quem sabe é
um alerta do plano espiritual para fortalecermos nossa vigilância, evitando em
nosso templo as fendas no campo do espírito. A propósito, continuou o dirigente
doutrinário, acordei com um desejo de promover entre os nossos cooperadores, um
estudo acerca da Casa Espírita, seus objetivos, trabalho e trabalhadores, bem
como a necessidade de convivência pacífica entre os tarefeiros do Cristo, o que
me diz?
—
Acredito seja oportuno, respondeu o presidente em tom de profunda reflexão,
enquanto eu verificarei o aspecto físico, você congregará os cooperadores tratando
do aspecto moral. Não que estejamos fanatizados pelos sonhos, mas já que nossas
interpretações revelam prudência e bom senso na administração desta Casa, não
vejo mal em tomarmos as providências necessárias.
Tendo
cada qual guardado, das vivências espirituais, o que mais lhes havia impressionado,
os amigos espirituais alcançaram o objetivo: permitir que os responsáveis, com
suas próprias capacidades e sob inspiração superior, se movimentassem a fim de
se organizarem e se fortalecerem.
Desta
maneira os dois planos da vida estavam em comum acordo, vibrando na mesma
sintonia, amparando-se mutuamente.
Livro:
Aconteceu na Casa Espírita
Emanuel
Cristiane/Nora
Francisco
Rebouças