APELO
AO TRABALHO MAIOR
Em 1 de dezembro de 1953, de volta
a Pedro Leopoldo, recebemos, pela mão do Chico, a seguinte Mensagem
do nosso caro companheiro Braga Neto, que oferecemos aos nossos
leitores:
“Aí vai o nosso apelo ao Trabalho
Incessante e Maior.
Hoje entendo que o Espiritismo é
muito mais que uma Doutrina para o nosso modo de crer, muito mais que
um sistema de indagação da fé...
Representa, acima de tudo, uma luz
para o coração e para a inteligência, requisitando-nos todas as
possibilidades para expressar-se em serviço aos nossos semelhantes que, no fundo,
é sempre socorro e assistência a nós mesmos.
Um corpo carnal é um templo vivo,
onde nosso espírito consegue furtar-se às escuras reminiscências do
passado culposo e, simultaneamente, em que nos cabe aproveitar o presente na
estruturação do futuro.
Por mais que se nos agigante o
entendimento no mundo, no estado atual de nossa evolução, não
compreendemos a riqueza da reencarnação, em todo o sentido que lhe diz respeito. A
existência física é dádiva das mais preciosas, de vez que, por ela, é possível
renovar o caminho de nosso espírito para a imortalidade vitoriosa. A Terra é
uma escola onde conseguimos recapitular o pretérito mal vivido, repetindo
lições necessárias ao nosso reajuste. Por isso é imprescindível procurar, enquanto
aí, o aproveitamento individual da oportunidade, disputando, em nosso
benefício, os louros do aprendiz aplicado aos ensinamentos que recolhe...
Muito nos pesa reconhecer valiosos companheiros nossos mergulhados na
corrente agitada de velhas discussões que, a rigor não edificam,
perdendo-se elevado patrimônio de tempo e de empréstimo ao Senhor.
O rótulo não define a substância.
O título, entre os homens, nem sempre se reveste do valor que lhe
corresponde. Palavras precisam de base para o auxilio a que se destinam. Do que
posso agora observar, à distância do turbilhão, destaca-se o
reconhecimento das horas perdidas, de mil modos diferentes, no curso de nosso breve
aprendizado, na experiência física, que, em não nos pertencendo, já que o
tempo é um depósito do Senhor, nos agravam os compromissos. Tudo na face do
planeta é pura transformação. Os dias se sucedem uns aos outros, mas não
são iguais. A infância de hoje é juventude amanhã, tanto quanto a mocidade de
agora é madureza depois. Mais que parece, voa o século e, com ele,
se apaga o ensejo de ressurreição espiritual, dentro de nós mesmos, se não
soubermos gastar sabiamente o crédito que Jesus nos empresta, em precioso
adiantamento, no santuário da confiança.
Aproveitemos, desse modo, a
Mensagem do Evangelho por norma de luz, no imo da própria consciência, a
fim de que a libertação definitiva surja para nós na vida eterna. Enquanto a
perturbação palavrosa se alonga nas linhas da luta a que fomos chamados,
saibamos construir em nós mesmos o altar de serviço ao próximo para receber a
Divina Vontade, oferecendo-lhe a execução.
Continuemos em nosso antigo
passado, buscando dessedentar a própria alma na fonte da humildade e da
oração. A subida com Jesus é sacrifício na marcha da renúncia a nós próprios.
Na Jerusalém convulsionada do mundo, autoridades e poderes, sacerdotes
e doutores, filósofos e cientistas, homens e mulheres ainda se aglomeram ao pé
da cruz, indiferentes à sorte do Divino Emissário, hoje personificado em
seus princípios, que sofrem menosprezo em quase todas as direções; mas o
discípulo sincero não ignora que o Mestre não somente escalou o Monte do
testemunho, mas além do Monte, escalou o madeiro de martírio e perdão, para
ressurgir triunfante, enfim...
Não esmoreçamos.
Prossigamos com Jesus, hoje amanhã
e sempre.”
BRAGA NETTO
Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama
Francisco Rebouças
