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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Estudando o Espiritismo - R.E.

PERGUNTAS E PROBLEMAS.

FILHOS GUIAS ESPIRITUAIS DE SEUS PAIS.

Uma mãe, tendo perdido um filho de sete anos, e tendo se tornado médium, teve esse mesmo filho por guia. Um dia ela lhe colocou esta pergunta:
Caro e muito amado filho, um espírita, de meus amigos, não compreende e não admite que possa ser o guia espiritual de tua mãe, uma vez que ela existia antes de ti e, indubitavelmente, deveu ter um guia, não fosse senão o tempo em que tivemos a felicidade de tê-lo ao nosso lado. Podes nos dar algumas explicações?
'Resposta do Espírito do filho. - Como quereis aprofundar tudo o que vos parece incompreensível? Aquele que vos parece mesmo o mais avançado no Espiritismo, não está senão nos primeiros elementos desta Doutrina, e dela não sabe mais do que tal ou tal que vos parece, com efeito, no fato de tudo e capaz de vos dar as explicações. - Eu existi muito tempo antes de minha mãe, e ocupei, numa outra existência, uma posição eminente por meus conhecimentos intelectuais.

Mas um imenso orgulho se apoderou de meu Espírito, e durante muitas existências consecutivas, fui submetido à mesma prova, sem poder dela triunfar, até que tivesse chegado a existência em que estive perto de vós; mas como era já avançado, e minha partida deveria servir ao vosso adiantamento, a vós tão atrasados na vida espírita, Deus me chamou antes do fim de minha carreira, considerando minha missão junto a vós mais proveitosa como Espírito do que como encarnado.

Durante minha última estada na Terra, minha mãe teve seu anjo guardião junto dela, mas temporariamente; porque Deus sabia que era eu que deveria ser seu guia espiritual, e que eu a conduziria mais eficazmente no caminho do qual ela estava tão afastada. Esse guia, que ela teve então, foi chamado para uma outra missão, quando vim tomar o seu lugar junto dela.

Perguntai àqueles que sabeis mais avançados do que vós, se esta explicação é lógica e boa; porque pode ser que seja a minha opinião pessoal, e mesmo a emitindo, não sei bem se não me engano. Enfim, isto vos será explicado, se o pedirdes. Muitas coisas vos são ainda ocultas, que vos parecerão claras mais tarde. Não querais muito aprofundar, porque então, dessa constante preocupação nasce a confusão de vossas idéias. Tende paciência; do mesmo modo que um espelho embaçado por um leve hálito se desembaça pouco a pouco, vosso Espírito tranqüilo e calmo chegará a esse grau de compreensão necessário ao vosso adiantamento.

Coragem, pois, bons pais; caminhai com confiança, e um dia bendireis a hora da prova terrível que vos levou ao caminho da felicidade eterna, e sem a qual teríeis muitas existências infelizes a percorrer ainda.

Nota. Essa criança era de uma precocidade intelectual rara para a sua idade.

Mesmo em estado de saúde, parecia pressentir seu fim próximo; alegrava-se nos cemitérios, e sem ter jamais ouvido falar do Espiritismo, no qual seus pais não acreditavam, perguntava, frequentemente, se, quando se está morto, não se poderia retornar para aqueles que se amou; aspirava morrer como numa felicidade e dizia que quando morresse, sua mãe não deveria com isto se afligir, porque ele retornaria para junto dela. Com efeito, foi a morte de três crianças em alguns dias que impeliu os pais a procurarem uma consolação no Espiritismo. Essa consolação a encontraram largamente, e sua fé foi recompensada pela possibilidade de conversarem, a cada instante, com seus filhos, a mãe tendo em tão pouco tempo se tornado excelente médium, e tendo seu próprio filho por guia, Espírito que se revela por uma grande superioridade.
 
Fonte Revista Espírita - Agosto de 1866.
 
Francisco Rebouças