“Olhos
cheios de adultério” constituem rebelde enfermidade em nossas lutas evolutivas.
Raros
homens se utilizam dos olhos por lâmpadas abençoadas e poucos os empregam como
instrumentos vivos de trabalho santificante na vigília necessária.
A maioria
das criaturas trata de aproveitá-los, à frente de quaisquer paisagens, na
identificação do que possuem de pior.
Homens
comuns, habitualmente, pousam os olhos em determinada situação apenas para
fixarem os ângulos mais apreciáveis aos interesses inferiores que lhes dizem
respeito. Se atravessam um campo, não lhe anotam a função benemérita nos
quadros da vida coletiva e sim a possibilidade de lucros pessoais e imediatos
que lhes possa oferecer. Se enxergam a irmã afetuosa de jornada humana, que
segue não longe deles, premeditam, quase sempre, a organização de laços menos
dignos. Se encontram companheiros nos lugares em que atendem a objetivos
inferiores, não os reconhecem como possíveis portadores de ideias elevadas, porém
como concorrentes aos seus propósitos menos felizes.
Ouçamos o
brado de alarme de Simão Pedro, esquecendo o hábito de analisar com o mal.
Olhos
otimistas saberão extrair motivos sublimes de ensinamento, nas mais diversas
situações do caminho em que prosseguem.
Ninguém invoque a necessidade de vigilância para
justificar as manifestações de malícia. O homem cristianizado e prudente sabe
contemplar os problemas de si mesmo, contudo, nunca enxerga o mal onde o mal
ainda não existe.
Livro: Pão Nosso
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças