SEGUNDA
PARTE
A cultura hedonista tem-se
direcionado exclusivamente para o culto do prazer, principalmente aquele que se
adquire com o menor esforço.
Ninguém, entretanto, consegue viver
em harmonia consigo próprio, sem a auto realização, sem a conquista das metas
que facultam essa emoção estimuladora e vital.
Não obstante, a vida possui outros
significados de profundidade, outras realizações que, certamente, resultarão
em prazer ético, estético, espiritual. Como consequência, a proposta hedonista
falha no seu próprio conteúdo, que seria tornar a vida uma busca de prazer
incessante.
São inevitáveis as ocorrências do
desgaste orgânico, do conflito psicológico, do distúrbio mental, das
dificuldades financeiras, sociais, existenciais.
A própria
dor faz parte do processo que integra a criatura no contexto da sociedade, sem
cujo contributo desapareceriam os esforços para o auto aprimoramento, a
iluminação pessoal, o progresso geral.
A emoção
de dor constitui mecanismo da vida, que deve ser atendida sem disfarce,
porquanto o próprio crescimento do ser depende das experiências que ela
proporciona.
Quando o
estoicismo propôs a resignação diante da dor, Atenas se encontrava sob imensos
desafios políticos e morais.
Renascendo
várias vezes na História e trazendo a sua contribuição para a felicidade da
criatura humana, a partir de Boécio, que o vinculou à proposta cristã vigente,
esteve no pensamento de René Descartes, de Montaigne e de outros, convidando à
reflexão e à coragem em quaisquer circunstâncias. Todavia, embora seja
valiosa essa contribuição, a resignação sem uma imediata ou simultânea ação
que conduza o ser a libertar-se da injunção dolorosa, pode fazê-lo derrapar
numa atitude masoquista, perturbadora.
A atitude
estóica deve ser seguida pelo esforço de vencer o sofrimento, criando situações
diferentes que gerem prazer, proporcionando motivação para prosseguir a
existência corporal, que é de grande importância para a vida em si mesma.
Intermediando as duas conceituações filosóficas, o
idealismo de Sócrates e Platão constitui-se como uma condição indispensável
para a plenitude do prazer que pode ser conseguido mediante a consciência
tranquila, que se torna fruto de um coração pacificado em razão das ações de
nobreza realizadas.
Livro: Amor, Imbatível Amor
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças