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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A ÚLTIMA AULA

Sofre pregado à cruz o Inesquecível Mestre,
Lembrando quanto viu na jornada terrestre.
 
Vê-se menino a arguir os sábios da cidade,
Mostrando a inteligência a brilhar na humildade.
 
Mentaliza Canaã, onde aumenta a alegria
Na formação de um lar que nunca possuiria.
 
Recorda irmãos na fé, quais Pedro, João, Tiago,
E os amigos fiéis às pregações do lago.
 
Passa por privações sem que a dor o esmoreça,
Não tem uma só pedra em que apoie a cabeça.
 
Lembra o deserto hostil... Na prece em que se enleva,
Ensina paz e fé às legiões da treva.
 
Revê a multidão que o respeita e acompanha,
Quando transmite a Terra o Sermão da Montanha.
 
Vê lugar por lugar, nos longes a que Isa,
Espalhando a bondade, o socorro, a alegria...
 
Mas agora, na cruz, amargurado e pasmo,
Escuta palavrões de ironia e sarcasmo...
 
E diz, sentindo o fel que as injúrias lhe trazem:
- "Perdoa-lhes, meu Pai!... Não sabemos o que fazem!...".
 
Ele que se entregara à caridade inteira,
Faz do perdão mais luz na aula derradeira.
 
É que todo perdão, sem queira e sem medida,
É conquista de Paz nos problemas da Vida.


Livro: Dádivas de Amor
Chico Xavier/Maria Dolores


Francisco Rebouças