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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

NINGUÉM SE RETIRA

       “Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? tu tens as palavras da vida eterna.” — (JOÃO, CAPÍTULO 6, VERSÍCULO 68.)
A medida que o Mestre revelava novas carac­terísticas de sua doutrina de amor, os seguidores, então numerosos, penetravam mais vastos círculos no domínio da responsabilidade.
Muitos deles, em razão disso, receosos do dever que lhes caberia, afastaram-se, discretos, do cenáculo acolhedor de Cafarnaum.
O Cristo, entretanto, consciente das obrigações de ordem divina, longe de violar os princípios da liberdade, reuniu a pequena assembleia que restava e interrogou aos discípulos: 
        - Também vós quereis retirar-vos?
        - Foi nessa circunstância que Pedro emitiu a res­posta sábia, para sempre gravada no edifício cristão.
Realmente, quem começa o serviço de espiri­tualidade superior com Jesus jamais sentirá emoções idênticas, a distância d'Ele. A sublime experiência, por vezes, pode ser interrompida, mas nunca aniqui­lada. Compelido em várias ocasiões por impositivos da zona física, o companheiro do Evangelho sofrerá acidentes espirituais submetendo-se a ligeiro esta­cionamento, contudo, não perderá definitivamente o caminho.
Quem comunga efetivamente no banquete da re­velação cristã, em tempo algum olvidará o Mestre amoroso que lhe endereçou o convite.
Por este motivo, Simão Pedro perguntou com muita propriedade: 
   Senhor, para quem iremos nós?
            É que o mundo permanece repleto de filósofos, cientistas e reformadores de toda espécie, sem dúvida respeitáveis pelas concepções humanas avançadas de que se fazem pregoeiros; na maioria das situações, todavia, não passam de meros expositores de pala­vras transitórias, com reflexos em experiências efê­meras. Cristo, porém, é o Salvador das almas e o Mestre dos corações e, com Ele, encontramos os roteiros da vida eterna.
 
Livro: Pão Nosso
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças