Emmanuel
Se foges de quantos se aprisionam ainda à trama
do vício, a pretexto de garantir a virtude, lembra-te de Jesus que trazia
consigo a pureza por excelência.
Porque exprimisse a Glória Excelsa, não
recusou nascer no estábulo humilde, convertendo a estrebaria singela em sublime
revelação, sob a luz de uma estrela.
Porque a simplicidade Lhe fulgisse no ser,
não se negou a falar com os doutores do Templo, elucidando-lhes o cérebro
hipertrofiado de orgulho, quanto às sagradas leis do destino.
Porque fosse imaculado de intenção e
conduta, não se furtou de socorrer a Madalena que claudicava na sombra, dela
fazendo a mensageira triunfante.
Porque expressasse o mais alto expoente da
Luz Divina, de modo algum se afastou de quantos, paralíticos e enceguecidos, leprosos
e dementados, se mantinham no mais baixo nível da treva, humana,
restaurando-lhes a esperança para a vida melhor.
Porque andasse engolfado nas cogitações do
Reino do Amor, que lhe absorviam todo o tempo no mundo, não deixou de encontrar
ensejo para afagar os filhos do sofrimento e as crianças sem rumo, refazendo-lhes
o caminho.
Porque exaltasse o desinteresse, não
desprezou Zaqueu, cujas mãos se azinhavravam na usura, guiando-lhe o raciocínio
para a Senda Superior.
Porque brilhasse, leal a Deus, não
desterrou Judas, o aprendiz infiel, da escola de trabalho em que se lhe
desdobrava o ministério de redenção.
Porque se erigisse em baluarte de
integridade e segurança, não desamparou Simão Pedro, segregado nas armadilhas
da negação.
E, por fim, porque se mostrasse erguido à
vitória da Suprema Ressurreição, não se encastela nos domínios celestiais, mas
volta, depois, do túmulo, ao convívio dos desertores e dos ingratos, dos criminosos
e dos verdugos que lhe haviam içado o coração no madeiro afrontoso da morte,
prometendo-lhes amorosa assistência até o fim do séculos.
Não confundas, assim, pureza com solidão,
nem virtude com desserviço.
Estende os braços para auxiliar e convive
com todos aqueles que jornadeiam em teu caminho, ofertando-lhes o melhor,
porque o bem verdadeiro não consiste em te ocultar do mal, mas sim em fazer do mal
a lição para o bem.
Livro: Mentores e Seareiros
Chico Xavier/Espíritos Diversos
Francisco Rebouças