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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

CARAVANA


Maria Dolores
 
Quando a crise te pareça
Duro lenho que suportas
De esperanças semimortas,
Fita os outros como estão...
Perceberás, claramente,
Na prova em que te conduzem,
Que todos carregam cruzes
No imo do coração.
 
Aquele homem bem posto;
Embora os cabelos brancos,
Está preso a vários bancos
Por débitos que mantém;
Outro que surge mostrando
Posse rica e passageira,
Chora a nobre companheira
Que a morte instalou no Além.
 
A jovem de face linda
Que tantos dotes condensam
Tolera a cruz da doença
De natureza mortal;
Aquela senhora triste,
De olhar calmo e gesto brando,
Tem o filho agonizando
Numa cela de hospital.
 
Aquele pintor famoso
Que a gente admira tanto,
Tem a cruz do desencanto
Por infortúnios de amor,
A bailarina que vimos,
No ritmo a que se entrega,
Lamenta a mãezinha cega
Inconformada na dor.
 
Buscando a união com Deus,
Somos nós, na estrada humana,
Corações em caravana,
Cada qual na própria cruz!...
Não te lamentes. Sigamos.
Nenhum de nós é sozinho,
Entre as pedras do caminho,
Quem segue à frente é Jesus.

Livro: Alma e Vida
Chico Xavier/Maria Dolores
 
Francisco Rebouças