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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A DOR

Antero de Quental

Vi a Dor caminhando em negra estrada,
Qual megera da sombra, em noite escura,
E perguntei, ralado de amargura:
“-Por que nasceste, bruxa desvairada?”
 
“Por que ostentas a espada estranha e dura,
Sobre o seio da vida atormentada,
Reduzindo à miséria, cinza e nada
Todo sonho de paz e de ventura?”
 
Mas a Dor respondeu: -“Cala-te, amigo!
Na torturada senda em que prossigo,
O veneno do mal morre infecundo.
 
 
Sem meu gládio que salva, pouco a pouco,
O homem padeceria cego e louco
Em tenebrosos cárceres do mundo!...”
 
 
Psicografia em Reunião Publica Data – 28-6-1949
Local – Centro Espírita Amor ao Próximo, na cidade de Leopoldina, Minas

Livro: Através do Tempo
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
Francisco Rebouças