A Doutrina Espírita é sem qualquer sombra de dúvidas, a maior e
mais séria adversária dos materialistas, tendo por isso mesmo adquirido ao
longo dos tempos a antipatia daqueles que se alimentam das teorias do
materialismo, que, dessa forma, se colocam então como inimigos ferrenhos da
filosofia espírita.
É bem verdade, que muito poucos seguidores da doutrina
materialista se atrevem a confessar que o são, nos deixando transparecer
nitidamente a ideia de que não estão tão bem seguros nas suas convicções.
Defendem com unhas e dentes suas teorias, apelando para a lógica da
razão com os argumentos de que a ciência precisa descobrir o que segundo
afirmam o espiritismo não tem como comprovar, não levando em conta, que a
ciência humana, apenas engatinha para solucionar os diversos enigmas com que se
defronta diariamente para decifrar os obstáculos que o conhecimento da matéria
impõe, não encontrando explicações convincentes para inúmeros fatos
exclusivamente de domínio das leis do mundo físico, como as descobertas das
vacinas contra inúmeras doenças, a cura para uma imensidade de enfermidade que
continuam consideradas como incuráveis, e que afligem a humanidade em todas as
partes do planeta, os preventivos tão aguardados contra a invasão dos insetos
nas lavouras etc, etc...
Esses inimigos de Doutrina Espírita, “buscam concentrar seus pontos
de ataque no maravilhoso e no sobrenatural, que não admitem”. Sem conhecerem a
doutrina que combatem, pensam que como as religiões tradicionais estão fundamentadas
nos fatos inexplicáveis tidos como milagres, não têm o cuidado de buscar os
necessários esclarecimentos para saberem que a doutrina espírita nos ensina que
milagres não existem.
Mesmo porque, “o Espiritismo não tem de examinar se existem ou não
milagres. Se Deus pôde, em certos casos, alterar as leis eternas que regem o
universo, o Espiritismo deixa, em relação a isso, toda a liberdade de crença.
Diz e prova que os fenômenos em que se apoia nada têm de sobrenatural, a não
ser na aparência. Esses fenômenos não parecem naturais aos olhos de certas
pessoas, porque estão fora do comum e diferentes dos fatos conhecidos. Mas não
são mais sobrenaturais do que todos os fenômenos dos quais a ciência nos dá
hoje a solução e que pareciam maravilhosos antes, em uma outra época. Todos os
fenômenos espíritas, sem exceção, são consequência de leis gerais. Revelam-nos
um dos poderes da natureza, poder desconhecido, ou melhor, incompreendido até
aqui, mas que a observação demonstra estar na ordem das coisas. O Espiritismo
se fundamenta menos no maravilhoso e no sobrenatural do que a própria religião;
aqueles que o atacam sob esse aspecto é porque não o conhecem, e ainda que
fossem os homens mais sábios, nós lhes diríamos: se a ciência, que vos ensinou
tanta coisa, não ensinou que o domínio da natureza é infinito, sois apenas meio
sábios”.
A doutrina espírita é a primeira a combater o maravilhoso, o sobrenatural,
nos asseverando que, o que muitos assim denominam, não passa de algo
desconhecido pela ciência dos homens, e que assim que for descoberto o
princípio que rege o tal fenômeno, ele deixará de pertencer ao rol das coisas
inexplicáveis para ter uma explicação lógica, como os diversos “milagres”
operados por Jesus, que nada mais fez que exercer o seu conhecimento sobre os
fenômenos que se lhe apresentaram e resolvê-los com a simplicidade de quem sabe;
nós espíritas, não deixamos de dar o devido valor ás coisas da matéria, mas não
ficamos apenas nisso, pois que o espiritismo não aceita todos os fatos como
sendo maravilhosos ou sobrenaturais, longe disso, demonstra a impossibilidade
de grande número deles e o ridículo de certas crenças, que constituem a
superstição propriamente dita.
Julgar o espiritismo pelos fatos que ele não admite é dar prova de
ignorância sobre seus conceitos, é por isso que, no Livro dos Médiuns Cap. II,
item 14, nº 8, O Codificador nos instrui para que não levemos em conta os
argumentos de quem quer que combata a doutrina que professamos, sem apresentar
as convincentes justificativas para seus argumentos conforme lá está descrito:
“O espiritismo não pode por isso considerar como crítico sério,
senão aquele que o tudo tenha visto, estudado e aprofundado, com a paciência e
perseverança, de um observador consciencioso; que do assunto saiba tanto quanto
qualquer adepto instruído; que haja por conseguinte, haurido seus conhecimentos
algures, que não nos romances da ciência; aquele a quem não se possa opor fato algum, que lhe seja
desconhecido, nenhum argumento de que já não tenha cogitado e cuja refutação
faça, não por mera negação, mas por meio de outros argumentos mais
peremptórios; aquele, finalmente, que possa indicar, para os fatos averiguados,
causa mais lógica do que a que lhes aponta o Espiritismo. Tal crítico ainda está
por aparecer”. ¹
Fonte: Livro dos Médiuns, FEB – 26ª edição.