VIII – Pedro
Leopoldo
1955
A
Miopia do Desanimo
Desejamos a todos a paz e os bens de Deus,
estendendo-os muito especialmente ao âmbito do coração.
Não nos sintamos aniquilados, no turbilhão
de amarguras maternais.
Conhecemos, de sobra, todo o mapa de obrigações
cristãs, dispensando conselhos, mas é sempre doce a possibilidade de permutar
os pensamentos de energia, conforto e consolação.
O desanimo nas supostas derrotas impede a
visão da vitória real.
Aí no mundo, tudo é ilusório demais, para
que nos percamos em ilusões destruidoras.
O sofrimento é bom como o material que se
edifica uma casa. É preciso não despreza-lo, com o recolhimento do coração, em
sombras frias.
Tenhamos força e atiremo-nos à obra. As
angustias de mãe não se extinguem com o corpo.
Ver um filho partir ao chamado da
Providencia não é infortúnio irremediável. Concordamos em que a separação é
amarga sempre, todavia, não se deve esquecer as finalidades e os objetivos.
Devemos alcançar esta compreensão e
colocar a vontade de Deus em plano superior aos nossos caprichos próprios.
Estejamos atentos naquilo que o Pai
Celestial reclama de nossos corações. Deus é, sobretudo o Pai que conhece as
nossas necessidades mais íntimas. Mais tarde haveremos de penetrar os meandros
do romance das vidas passadas e então as mágoas de agora nos parecerão minúsculas,
em face aos nossos débitos.
Resgata-los, a pouco e pouco, deve
constituir para nós uma alegria suprema. Nossos livros espirituais andam
manchados com dúvidas escabrosas.
Não será razoável que lavemos suas folhas
com as nossas lágrimas? Entretanto, não é justo que essas lágrimas se
transformem em forças destrutivas.
O ato de chorar deve ligar-se muito mais
ao júbilo do reconhecimento, que a necessidade de súplica, condizente com as
nossas misérias.
Por isso mesmo, esperemos em Jesus a
transformação de nosso pranto em água renovada do espírito.
Não lamentemos o vácuo que a separação dos
rebentos nos abriu n’alma sensível; a questão será a de sabe-los necessitados
da ajuda de nossas preces e dos pensamentos alegres que recordem suas presenças
queridas em nossos corações.
Livro: Aceitação e Vida
Chico Xavier/Margarida
Francisco Rebouças