Muitos confrades da doutrina espírita, dando voz ao orgulho
próprio que os dominam há séculos, continuam a divulgar seus errôneos conceitos
sobre o procedimento do passista na atividade do passe. Outros começam a
modificar suas opiniões anteriores, de forma bem sutil ao identificarem o erro
que há muito espalham em relação ao importante papel desempenhado pelo passista
na mediunidade de cura.
Assim sendo, alguns poucos, timidamente revendo seus conceitos e
identificando a inconstância de seus argumentos, começam a admitir a teoria que
antes não aceitavam de forma alguma da movimentação das mãos na prática do
passe que condenavam com imperiosa inflexibilidade, vejam o que já admite um
desses ferrenhos defensores "da
simples imposição das mãos".
"Há
espíritas, e certamente isso deve ocorrer com alguns médiuns, que sentem uma
influenciação mais forte do Espírito amigo que os auxilia no passe e, movidos
por essa influenciação, movimentam o braço seguindo uma intuição especial, que
poucas pessoas sentem."
Já
é alguma coisa para quem sempre defendeu que o passista deve simplesmente se
comportar como "um poste ou como um mero robô, contrariando o que nos ensina a
doutrina espírita, conforme contido na Revista Espírita que transcrevemos a
seguir.
“O
conhecimento da mediunidade curadora é uma das conquistas que devemos ao
Espiritismo; mas o Espiritismo, que começa, não pode ainda haver dito tudo; não
pode, de um só golpe, nos mostrar todos os fatos que ele abarca; cada dia deles
desenvolve novos, de onde decorre novos princípios que vêm corroborar ou
completar aqueles que já se conheciam, mas é preciso o tempo material para tudo; qualquer parte
integrante do Espiritismo é, por si mesma, toda uma ciência, porque se liga ao
magnetismo, e abarca não só as doenças propriamente ditas, mas todas as
variedades, tão numerosas e tão complicadas de obsessões que, elas mesmas,
influem sobre o organismo” (...).
“(...)
A mediunidade curadora se exerce pela ação direta do médium sobre o doente, com
a ajuda de uma espécie de magnetização de fato ou de pensamento.
”(...) Seria, pois, um erro considerar o magnetizador como uma simples máquina na transmissão fluídica. Nisto como em todas as coisas, o produto está em razão do instrumento e do agente produtor. Por estes motivos, haveria imprudência em se submeter à ação magnética do primeiro desconhecido; abstração feita dos conhecimentos práticos indispensáveis, o fluido do magnetizador é como o leite de uma nutriz: salutar ou insalubre”. (...).
”(...) Seria, pois, um erro considerar o magnetizador como uma simples máquina na transmissão fluídica. Nisto como em todas as coisas, o produto está em razão do instrumento e do agente produtor. Por estes motivos, haveria imprudência em se submeter à ação magnética do primeiro desconhecido; abstração feita dos conhecimentos práticos indispensáveis, o fluido do magnetizador é como o leite de uma nutriz: salutar ou insalubre”. (...).
Kardec,
nos dá exemplo de que é pela movimentação das mãos, que os Espíritos
Superiores levam com maior eficácia as energias capazes de harmonizarem os
órgãos em desequilíbrio no indivíduo assistido conforme segue.
"Nós
revezávamos, todos os três, de oito dias em oito dias, para a emissão fluídica,
colocávamos a mão, ora sobre a cavidade do estômago do enfermo, ora sobre a
nuca, no início do pescoço.
Cada dia o enfermo podia constatar uma melhora; nós mesmos, depois da evocação
e durante o recolhimento, sentíamos o fluido exterior nos invadir, passar em
nós, e escapar-se de nossos dedos alongados e de nosso braço estendido para o
corpo do sujeito que tratávamos". ¹
Temos
absoluta certeza, de que muito brevemente essas pessoas estarão revendo seus
conceitos equivocados e deixando de lado o orgulho camuflado para seguir
o codificador sem medo de reconhecer que estavam errados em suas interpretações
absolutamente pessoais.
Aí
estão, além da codificação, as obras de André Luiz, Manoel Philomeno
de Miranda, Leon Denis, Vianna de Carvalho, entre outras para que sejam
estudadas e compreendidas como devem ser realmente, sem achismos ou modismos
condenáveis e desnecessários.
Esses
que tanto defendem a tese absurda da simples imposição das mãos são os mesmos
que para tudo que escrevem fazem referência às obras desses autores aqui
citados, e, só no passe não levam em consideração o contido nas referidas
obras.
Esperamos
não ter mais que ler as desculpas infundadas do autor do texto
que nos afirma: "Em face disso, sem nos importarmos com quem
defenda pensamento contrário, somos inteiramente a favor do que Herculano Pires
expõe na obra referida, porque foi ele, até o momento, quem melhor explicitou a
mecânica do passe em nosso meio.
“O passe espírita – ensina-nos Herculano – é simplesmente a imposição das mãos, usada e ensinada por Jesus,
como se vê nos Evangelhos.”
E sim, que não nos
interessa o que afirma este ou aquele autor, mas o que nos ensina a codificação
de Allan Kardec, e os Espíritos Superiores.
1)
Mediunidade Curadora : Volume VIII da Revista Espírita de setembro de
1865. pág. 257 a 262.
Grifos
nossos.
Francisco
Rebouças
