“Então ele vos mostrará um grande
cenáculo mobilado; aí, fazei preparativos.” — Jesus. (LUCAS, CAPÍTULO 22, VERSÍCULO 12.)
Aquele cenáculo
mobilado, a que se referiu Jesus, é perfeito símbolo do aposento interno da
alma.
À face da
natureza que oferece lições valiosas em todos os planos de atividade,
observemos que o homem aguarda cada dia, renovando sempre as disposições do
lar. Aqui, varrem-se detritos; acolá, ornamentam-se paredes. Os móveis, quase
sempre os mesmos, passam por processos de limpeza diária.
O homem consciencioso reconhecerá que
a maioria das ações, na experiência física, encerra-se em preparação incessante
para a vida com que será defrontado, além da morte do corpo.
Se isto ocorre com a feição material
da vida terrena, que não dizer do esforço propriamente espiritual para o
caminho eterno?
Certamente,
numerosas criaturas atravessarão o dia à maneira do irracional, em movimentos
quase mecânicos. Erguem-se do leito, alimentam o corpo perecível, absorvem a
atenção com bagatelas e dormem de novo, cada noite.
O
aprendiz sincero, todavia, sabe que atingiu o cenáculo simbólico do coração. Embora
não possa mudar de ideias diariamente, qual acontece aos móveis da residência,
dá-lhes novo brilho a cada instante, sublimando os impulsos, renovando concepções,
elevando desejos e melhorando sempre as qualidades estimáveis que já possui.
O homem simplesmente
terrestre mantém-se na expectativa da morte orgânica; o homem espiritual espera
o Mestre Divino, para consolidar a redenção própria.
Não abandoneis, portanto, o cenáculo da fé e, aí
dentro, fazei preparativos em constante ascensão.Livro: Pão Nosso
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças