Solidarity Spiritist Societ

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A SUBIDA

 
MARIA DOLORES


Disse-nos o Senhor:
- "Quando quiser encontrar-me
Tome a sua cruz e siga-me onde eu for..."".

E um homem que o seguiu, sem queixa e sem alarme,
Observou que o lenho o constrangia...
Caminhou, mas não mais na antiga estrada.
A cruz era pesada
Na marcha, dia-a-dia...

Perdeu de vista a risonha paisagem,
Na qual usufruíra o amor de sua gente...
Precisava escalar rude montanha na viagem
E se reconhecia, a sós, agarrando-se à frente.

Embora a cruz lhe desse chagas e cicatrizes,
Conseguia falar, fraternalmente,
Reconfortando os tristes e infelizes...
Levantava os caídos,
Doava nova força aos fracos e aos doentes.
Consolava os leprosos esquecidos,
Regenerava os delinquentes...
Em muitos trechos da subida,
Tratavam-no por louco e davam-lhe pedradas...
Depriam-lhe a vida...
Quanto insulto e suplício nas estradas!...

No entanto, ele subia...
Trazia o Cristo em luz na própria mente.
Não tinha acessos de melancolia
E sim uma alegria diferente...
Mas chorava, por vezes, de cansaço,
Refazia-se, vendo o Azul do Imenso Espaço
E ouvindo a voz do Céu na voz dos passarinhos...
Alcançando, porém, o cimo da montanha
Notava-lhe os pés rasgados e sangrentos,
E o corpo lacerado
De atrozes sofrimentos...
Mesmo assim, agradeceu ao Cristo Amado
A viagem temível...
Para atingir o topo de alto nível...
 
Chegando ali, porém, vê, com assombro e atenção,
Que a Terra já não tem com ele ou sobre ele
O poder de atração...
Sentia-se envolvido em súbita leveza,
Respirando, feliz, a paz da natureza...
Reconhece que o tronco vertical do grande lenho,
E que os braços da cruz
Eram asas de luz...

Tentou andar, mas, sem querer,
Na alegria sublime que o invade,

O homem que seguira os passos do Senhor,
Planou além, no Além, buscando a Imensidade
Inflamado de amor.

Livro: DÁDIVAS DE AMOR
Chico Xavier – MARIA DOLORES
 

Francisco Rebouças