Recebem o
raio luminoso e se inebriam de imediato com as impressões visuais transformadas
em imagens que se gravam nos recônditos da memória, impressas em cor para serem
evocadas logo se acionem os mecanismos próprios capazes de selecioná-las e
retirá-las dos arquivos neuroniais.
Penetrados
pela sonora vibração, que deambula através da câmara acústica, classificam os
ruídos e os discriminam para gravá-los em sutil engrenagem, na qual perduram
as impressões transformadas em mensagens inapagáveis nos fulcros profundos do
espírito.
Acionada
pelo mecanismo automático dos centros especializados, converte ideias em
música e dispara dardos orais ou veludosa melopeia que faculta comunicação,
gerando singular meio de entendimento ou desgraça, conforme a direção
aplicada.
Lâmpadas
são os olhos derramando claridade pela senda por onde correm os rios dos dias,
acionando as alavancas do movimento humano na extensão do progresso.
Receptores
são os ouvidos, por cujos condutos as vozes da vida atingem o espírito eterno,
momentaneamente revestido pela matéria, de forma a ajudá-lo no crescimento e
na evolução.
Transmissor
eficaz é a boa, encarregada de exteriorizar as impressões que transitam dos
centros pensantes ao comércio exterior da vida.
Aparelhos
preciosos de que se encontram investidos os homens são inestimáveis tesouros
da concessão divina, cuja valorização merece a cada instante maior soma do
capital de amor para que, através deles, o espírito aprenda a ver e a marchar,
saiba ouvir e guardar, disponha-se a sentir e expressar consubstanciando os
ideais enobrecedores na elaboração da paz íntima.
Nem todos
porém que veem, conseguem com elevação selecionar o que enxergam e assimilar o
que devem.
Muitos
que ouvem não se comprazem ainda em fixar o que é nobre, olvidando o que é
espúrio e vulgar para construir sabedoria pessoal.
Poucos
apenas falam, na multidão dos que usam a palavra, de forma eficiente, sem
conspurcarem os lábios, macularem a própria ou a vida alheia, derrapando, não
raro, para as figurações deprimentes da censura e da crítica indevida,
aspirando em decorrência os vapores tóxicos da impiedade e da insensatez.
* * *
Mantém
acesas as lâmpadas dos olhos e contempla tudo com amor, a fim de que as
belezas povoem as paisagens do teu pensamento.
“A candeia do corpo são os olhos”.
Liga os
receptores somente quando as convenientes mensagens sonoras produzam vibrações
de nobres sinfonias nos teus painéis mentais, de modo a possuíres permanente
festa no espírito, não obstante as tormentas exteriores que te cerquem “Quem tiver ouvidos ouça”.
Externa
apenas o que possa ajudar e silencia tudo aquilo que aguilhoa e martiriza, pois
o homem superior é considerado não pelo muito que diz, mas pelo conteúdo
enobrecedor do que carregam suas palavras.
“Porque a boca fala o de que está cheio o coração”.
* * *
O olhar de
Jesus dulcificava as multidões, Seus ouvidos atentos descobriam o pranto oculto
e identificavam a aflição onde se encontrava, e Sua boca bordada de
misericórdia somente consolou, cantando a eterna sinfonia da Boa Nova em apelo
insuperável junto aos ouvidos dos tempos, convocando o homem de todas as
épocas à epopeia da felicidade.
Procura
fazer o mesmo com a tua aparelhagem superior.
*
“Os fariseus, tendo-se retirado, entenderam-se
entre si para enredá-lo com as suas próprias palavras”.
Mateus: capítulo 22º, versículo 15.
*
“Sem levar em conta as vicissitudes ordinárias da
vida, a diversidade dos gostos, dos pendores e das necessidades, é esse também
um meio de vos aperfeiçoardes,
exercitando-vos na caridade. Com efeito, Só a poder de concessões e sacrifícios
mútuos, podeis conservar a harmonia entre elementos tão diversos”.
Capítulo
11º — Item 13, parágrafo 2.Livro: Florações Evangélicas
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças