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domingo, 2 de junho de 2013

BRADO DE FÉ


FRANCISCA JÚLIA DA SILVA
Descerra dentro d’alma a fulgida janela
Da esperança a brilhar, fervorosa e tranquila,
E do escuro portal da Terra que te asila
Contempla a imensidão que de luz se constela!
Plasma teu sonho, além da mascara de argila
Que, da infância à velhice, a ilusão te afivela...
Na miséria ou na glória, a carne por mais bela
É sempre a mesma flor que o sepulcro aniquila.

Inda mesmo que a dor te espreite qual pantera,
Eleva-te e perdoa, aprimora-te e espera
Para que a vida em ti não se ensombre ou desagrade.
 
E hoje, colado ao chão no mundo que te oprime,
Amanhã librarás, em ascensão sublime
Qual falena de amor ao sol da Eternidade!...

Soneto psicografado em reunião pública do Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, MG, a 19/7/1955, em ortografia antiga, isto é, da época em que viveu no plano terreno Francisca Júlia da Silva (1874-1920), considerada a maior poetisa parnasiana.
 
* Corrigido por mim, para a linguagem atual.
 
Livro: DOUTRINA-ESCOLA"
Chico Xavier/Espíritos Diversos


Francisco Rebouças