Emmanuel
Contempla a criança que nasce e recorda a
condição de carência a que aportaste no mundo.
Não eras senão o minúsculo viajor,
destituído de todos os recursos, a valer-se do sacrifício materno, para abordar
a embarcação frágil do berço, iniciando a viagem no oceano da experiência terrestre.
Nem vestimenta, nem pão.
Nem dinheiro, nem títulos.
É preciso lembrar algumas vezes a nossa
posição de usufrutuários da Terra, quando lhe envergamos o veículo físico, a
fim de que não venhamos a viver entre os homens no falso regime da apropriação
indébita.
É por isso que Jesus, a cada passo do
Ministério Divino, ensinou a renúncia e exemplificou-a, desassombrado e
humilde, da manjedoura de palha à cruz da morte.
Honra a teus pais e ajuda-os quanto
possas.
Isso é simples dever.
Entretanto, não te ensombre o coração a
tirania de exigir-lhes a adesão ao teu próprio caminho.
Ama a tua esposa ou ao teu esposo, aos
teus filhos ou aos teus afeiçoados e amigos.
Isso é obrigação na luta diária, contudo,
não lhes imponhas o teu modo de ser e de ver, porquanto, cada criatura respira
no degrau de evolução e entendimento que lhe é próprio.
Estudando o Evangelho, não olvides a lição
do Reino de Deus que, segundo o Senhor, não se encontra aqui ou acolá, mas sim
em ti mesmo, portas a dentro do próprio espírito, nos mais íntimos refolhos da
consciência e do coração.
E, renunciando ao capricho de padronizar as
opiniões e preferências daqueles a quem amas pelo estalão de teus próprios
pontos de vista, aprenderás que deixar alguém, isso ou aquilo, por amor do
Cristo, é servir com mais devotamento a todos os que nos cercam, deixando de
lado os nossos desejos e exigências, para, em suprema fidelidade a Deus, perseverarmos,
valorosos e firmes, na obra do bem até o fim.
Livro: Irmão
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças