a) Dados biográficos do Autor Espiritual
Estampando-lhe a foto, assim se referiu o
jornal Alavanca (1) a Gabrielzinho, seu assíduo e lúcido colaborador, de
janeiro de 1971 a
junho de 1974:
“Passou para a pátria espiritual, no dia
27 de junho do corrente ano, este bom companheiro de trabalhos, que foi
colaborador apreciado deste jornal.
Amigo querido e filho maravilhoso, deixou
em todos uma saudade enorme, atenuada apenas pela certeza de seu bem-estar no
plano espiritual em que se encontra.
Gabriel partiu fisicamente jovem, 25 anos,
mas deixou atrás de si uma vida reta e um cabedal de trabalho na seara
espírita.
Secretário recém-eleito do Centro Espírita
“Allan Kardec” de Campinas, e aluno aplicado do 3º ano da sua Escola de
Seareiros, era ainda redator de páginas espirituais e estava sempre atento a
qualquer chamado para o bem.
Três meses se foram após o seu passamento
e, ao darmos essa nota, queremos enviar ao querido Gabriel vibrações de paz e
alegria, votos de progresso no mundo espiritual e a manifestação da nossa
profunda e sincera amizade.”
* - *
Dados pessoais ― Cédula de identidade nº 5.586.798,
expedida em São Paulo ,
a 16 de novembro de 1970.
Cartão de identificação do contribuinte
(CPF) nº 365125758/49, válido até 30-04-79.
Certificado de Dispensa de Incorporação
(ao Exército) nº 70703 ― 2ª RM ― 14ª CSM ― Série B: foi dispensado do Serviço
Militar Inicial, em 9 nov. 67, “por insuficiência física temporária para o Serviço
Militar, podendo exercer atividades civis.”
Identificação ― Altura – 1,75m. Cútis: Branca. Olhos:
Azuis. Cabelos: Castanhos Claros. Tipo sanguínio: ―. Sinais particulares: Não
tem.
Título eleitoral – Circunscrição: São
Paulo – inscrição nº 121008 – Campinas – 33ª Zona – Vota na 102 (cento e dois)
secção. Em 12 – Julho 1968.
Carteira profissional nº 027251 – Série
222 CP.
Certidão de Óbito: veja-se o fac-símile.
* - *
Infância e adolescência
Em 1962, fez o curso ginasial e colegial
no Colégio Estadual Culto à Ciência, e ao mesmo tempo se especializava no
idioma Inglês, ministrado pela União Cultural Brasil – EE.UU., concluindo todos
os estágios no período de 5 anos.
Em 1970, foi admitido como funcionário do
Banco Brasileiro de Descontos S.A. – Agência de Campinas.
Em 1971, ingressou na PUCC – Pontifícia
Universidade Católica de Campinas − cursando Filosofia, Ciências e Letras, onde
mantinha trancada a matrícula.
Aluno do 3º ano da Escola de Seareiros do
Centro Espírita Allan Kardec, onde recebia aulas da Professora Therezinha de
Oliveira.
Segundo seu distinto genitor, Gabrielzinho
teve uma infância comum com suas peraltices e traquinagens.
Com 16 anos, selecionava os amigos, não se
afinando com as idéias dos jovens de sua idade, naturalmente devido ao amadurecimento
de seu espírito.
Consequentemente, com o correr dos anos,
suas amizades se restringiam a pessoas de muito mais idade ou jovens casais com
senso de responsabilidade e moral acentuados, visto ser este o traço predominante
de seu de seu caráter.
Sobre todos os assuntos, era
característica sua obter respostas ou esclarecimentos profundos.
Dedicava-se à prática dos esportes, jogos
de xadrez, freqüentando reuniões sócias.
Apreciava a música, especialmente a
clássica.
Na parte cultural, mantinha sua filosofia
vinculada aos conhecimentos originários de leitura e estudo dos tempos
primevos, sempre embevecido com o Egito e a Grécia.
* - *
Nos próximos capítulos, leitor amigo, voltaremos
com novos informes sobre a curta e admirável vida de nosso Autor Espiritual.
* - *
2 − “Compreendo, pais queridos, somos como
somos, caminhando para o que nos cabe ser.”
Poderosa síntese do que se encontra na
resposta à questão 540 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
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3 − “Quando papai se esforçou para que me
expressasse ou dialogasse com mais ânimo, notei que esmorecia.”
Realmente, ― afirma o Sr. Gabriel e o
médium Xavier jamais poderia ter conhecimento de semelhante detalhe ― naqueles
momentos de angústia e desespero ― 13 horas daquela quinta – feira de 27 – 06 –
1974 ― enquanto de pé, segurava e abraçava meu filho, lhe pedia que falasse,
reagisse e tivesse forças quanto possível, pois em breve estaríamos seguindo rumo
ao hospital.
* - *
4 − “Minhas sensações por dentro de mim
estavam intactas.Ouvia tudo o que se falava em derredor de meu leito.”
A propósito dos casos clinicamente
considerados “em estado de coma”, por tempo variável, consultemos os capítulos
5; 6; 13 e 14 da obra Quem São, recebida pelo médium Francisco Cândido
Xavier (3).
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5 − “Minha memória abrange apenas a metade
das horas claras do dia, naquela quinta – feira de luta...”
Pormenor de inconcussa autenticidade.
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6 − “... um enfermeiro me advertiu que
fora cirurgiado por um médico, o doutor Mário Gatti.”
Trata-se do médico cirurgião, benfeitor
sem precedentes, com larga folha de serviços profissionais em prol das classes
econômicamente menos favorecidas.
Nasceu na Itália, a 1º de fevereiro de
1879, e desencarnou em Campinas (SP), a 3 de março de 1964.
Gabrielzinho não chegou a conhecê-lo
pessoalmente.
Sobre as intervenções cirúrgicas levadas a
efeito no Além, percorramos os capítulos 17 e 18 da obra citada no item 4,
acima, recebida pelo médium Xavier.
* - *
7 − “... outro benfeitor que se
identificou como sendo outro médico, o doutor Guilherme Silva.”
Eminente médico sanitarista, verdadeiro
luminar da ciência médica pelos serviços que prestou durante as epidemias de
febre amarela que assaltaram Campinas, pelos idos de 1889.
Em sua homenagem, há uma Rua em Campinas
(SP), com seu nome.
Nasceu no Rio de janeiro, a 2 de dezembro
de 1885, e desencarnou em Campinas, aos 14 de julho de 1912.
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8 − “Amigos daqui, como sejam Marcondes,
Servílio, Souza e tantos outros me abrem as portas abençoadas às novas lições
em que vou tomando maiores contatos com a vida e comigo mesmo.”
a) Marcondes: Gustavo Zanardine
Marcondes nasceu em Palmeiras, Estado do Paraná, a 7 de dezembro de 1900 e
desencarnou em Campinas (SP), a 26 de agosto de 1968.
Batalhador, idealizador e orientador
incansável da Causa Espírita.
Desenvolveu durante toda a sua vida, um
trabalho de renúncia e amor, deixando à posteridade um lastro de obras
assistenciais.
Gabrielzinho não o conheceu, pessoalmente.
Espírita dedicadíssimo, ministrava aulas
de Evangelho aos jovens da Mocidade Espírita Allan Kardec e se entregava com
devotamento e abnegação ao trabalho de passes nas casas das pessoas enfermas.
Foi, juntamente com Gustavo Marcondes, um
dos fundadores do Centro Espírita Allan Kardec, no qual ocupava o cargo de Secretário,
até o dia de sua desencarnação.
Colaborou, também, na construção do prédio
próprio do Centro.
Mais adiante, no capítulo 10, o leitor
encontrará mais informes sobre esses dois seareiros do Espiritismo Cristão.
Poeta, Médico homeopata e Dentista.
Espírita combativo, de convicções
profundas.
Sua vida foi inteiramente dedicada à
difusão da Doutrina Espírita.
Oradora e Conferencista espírita.
Diretora do Centro Espírita Allan Kardec
de campinas, com sede na Rua Irmã Serafina , nº 674, e membro da Comissão
Diretora do Jornal Alavanca, de propriedade da U.M.E. de Campinas.
Reside na Rua marechal Deodoro, nº 865 –
Campinas – SP.
Radialista, Jornalista e Historiador,
utilizando-se do pseudônimo de Jolumá Brito.
É o redator responsável do jornal Alavanca.
Residente em campinas, na Rua Mário
Monteiro, nº 596.
Gabrielzinho não o conheceu, pessoalmente.
Médico Clínico e Psiquiatra.
Orador e Conferencista espírita de renome
nacional.
Residente em Campinas, na Rua Antônio
Lapa, nº 27.
Gabrielzinho gostava de assistir às suas
palestras evangélicas.
Assíduo colaborador e membro da Comissão
Diretora do jornal Alavanca
Residente na cidade de Amparo (SP), na Rua
General Câmara, nº 92.
Colaborador e membro da Comissão Diretora
do jornal Alavanca.
Residente em Mogi Mirim (SP), na Rua
13 de maio, nº 89.
Jornalista e Escritor.
Profundo conhecedor da literatura espírita
e autor de diversos livros.
Colaborador do jornal Correio Popular,
com artigos de índole filosófica.
Residente em Campinas, na Avenida José S.
Campos, nº 116.
* - *
10 − “Dos familiares queridos, duas irmãs
me visitam e me auxiliam sempre que podem, nossa irmã Josefa e nossa irmã
Isabel.”
Parentesco distante, tia por parte do pai.
Desencarnou em Estrela D ’Oeste (SP), em
1968.
Gabrielzinho não a conheceu, pessoalmente.
Parente distante, tia por parte da
genitora.
Desencarnou em Neves Paulista
(SP), em 1971.
Gabrielzinho chegou, pessoalmente, a
conhecê-la.
* - *
11 − “Continuem orando por mim. / A prece
por nós, que estamos deste outro lado é uma luz que nos clareia e um
calor abençoado que nos reaquece.”
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12 − “Peço-lhes. / Não creiam fossem meus
queridos pais talvez exigentes comigo nos processos de educação. / Sou feliz,
buscando a felicidade que me doaram pelos exemplos, pelo carinho, pelo apoio e
pela dedicação. (...) / Beijo-lhes as mãos queridas e despeço-me no papel de
modo a continuar em nosso diálogo, de coração a coração. / Pais queridos, recebam
o abraço iluminado de carinho e saudade, de devotamento e gratidão, com todo o
amor do filho reconhecido, sempre e cada vez mais reconhecido.”
Rogando ao leitor a gentileza de ler o fac
– símile da carta de Gabrielzinho ainda criança, dirigida ao pai, transcrevamos
as palavras textuais do Sr. Gabriel, sobre os trechos citados da mensagem
recebida pelo médium Xavier, na noite de 15 de março de 1975, em Uberaba, Minas:
“Pelo contexto e fecho da carta escrita
com 12 anos – 12 de agosto de 1960 –, por ocasião do “Dia dos Pais”, observa-se
a semelhança inconteste no tratamento afetivo, com o da mensagem.”
* - *
Depois de tantas evidências da
Imortalidade da Alma, resta-nos, por agora, elevarmos o pensamento a Deus e
agradecer-Lhe por nos ter permitido descesse, um dia, Jesus à Terra, e ao
Divino Mestre, por nos enviar, depois, através de Allan Kardec, o Espiritismo,
doutrina abençoada que conosco ficará para sempre, junto de todos nós, os
filhos de Deus, co-criadores a colaborar com o Pai de Misericórdia e Justiça,
na Grande Obra da Criação Infinita.
* - *
“Tempos que vêm e que vão... Assim é a
vida, assim é o mundo. Tudo passageiro e em rapidez, como o raio que fulgura no
firmamento. Nascemos, crescemos, vivemos, morremos, tornamos a renascer e assim
sucessivamente, repetindo o ciclo que vai tornando cada vez mais perfeito e
maravilhoso, à medida que nos aperfeiçoamos e dirigimos nossa antena para o
Bem, o Infinito e Deus.
* - *
Não poucas vezes, sinto saudades dos bons
tempos da cultura da Antiguidade, uma espécie de lembrança do Paraíso Perdido.
Mentalmente, transporto-me para o antigo Egito, à Grécia ou Roma e sinto saudades,
já um tanto esmaecidas e amainadas. Saudades não do paganismo, das orgias ou
das lutas e injustiças que sempre existiram e existem, em todas as terras e,
todas as épocas. Saudades dos períodos áureos dessas civilizações, dos
ensinamentos, das culturas que nos foram, então, transmitidas pelos espíritos
mais evoluídos e iluminados da época: Sócrates, Platão, Aristóteles...
Atualmente, transporto-me para o futuro e
um incomensurável anseio transborda em meu coração. Tento imaginar um mundo
ideal, onde não haja guerras, fronteiras, inveja, ódio, materialismo. Um mundo
onde apenas o amor espiritual, a fraternidade e a compreensão imperem,
contribuindo para a total perfeição do espírito.
* - *
Ao nos lembrarmos das pessoas que se
foram, uma tristeza, embora passageira, invade nossos corações. O tempo pode
passar, as pessoas envelhecerem ou desencarnarem, mas a bondade, o amor, a
estima que tínhamos por essas pessoas permanece, pois as qualidades benéficas
que lhes reconhecíamos continuam gravadas em seus espíritos e no nosso.
Nunca há separação entre nós e aquelas
pessoas a quem amamos e com as quais convivemos porque, passe o tempo que
passar, sempre estaremos em companhia delas, que vivem na mesma faixa
vibratória em que vivemos, a qual varia de acordo com o processo individual
alcançado.
* - *
Não nos abatamos nem soframos demais com a
saudade da separação, que é breve. Nosso verdadeiro lar não é aqui e, sim, no
plano espiritual. Compreendamos o profundo significado disto e o porquê e a
razão de nossa existência.
Como vemos, hoje, reunidos em uma
fotografia todos os nossos entes queridos, assim reunidos poderemos vê-los,
novamente, em um futuro próximo, e a toda a Humanidade, porque, afinal, somos
parte de uma família infinita, onde todos são irmãos.” (Gabriel Casemiro
Espejo, “Reminiscências e Saudades”, Alavanca, Campinas, Janeiro/Fevereiro
de 1971).
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(1) Alavanca, Campinas, outubro de
1974.
(2) A 1ª edição de Perda de Entes
Queridos é de 1968 e a de Morte é Vida é de 1970, ambos editados
pela Calvário, São Paulo.
(3) Francisco Cândido Xavier, Elias
Barbosa e Espíritos Diversos, Quem São, 3ª Edição, IDE, Araras (SP), pp. 28 –
42; 76 – 86.
Livro: Gabriel
Chico Xavier e Elias Barbosa/
Gabriel Casemiro Espejo (Espírito)
Francisco Rebouças