“Vim trazer fogo à Terra” – disse-nos o Senhor.
Semelhantes palavras do Divino Mestre podem induzir o discípulo
invigilante aos mais estranhos pensamentos.
É preciso, porém, exumar o espírito da letra, na alimentação de nossas
almas, tanto quanto, no fruto, para o serviço da refeição, liberamos a polpa do
envoltório que a constringe.
Jesus não se propunha ombrear com o petroleiro comum, intérprete da
indisciplina e do desespero.
Cristo trazia-nos calor ao espírito enregelado na indiferença e no vício
de séculos incessantes...
Chama viva para extinguir as trevas de nosso passado obscuro e
delituoso, lume para clarear a senda que nos cabe trilhar nos sacrifícios do
presente, a caminho do grande porvir que a vida nos reserva...
Flama de brio restaurador com que nos cabe atender aos compromissos
esposados no esforço regenerativo e braseiro rubro de responsabilidade, que,
situado no campo de nossa consciência, impeça a germinação ou o crescimento do
joio venenoso da crueldade e do ódio...
Labareda de fé renovadora, suscetível de purificar-nos o sentimento e
soerguê-lo à prática da caridade genuína, e pira ardente de amor que nos aprume
a alma arrojada ao pó de velhas desilusões, a fim de que possamos penetrar,
como filhos de Deus, o santuário de nossa sublimação para a divina
imortalidade...
Se ouviste, pois, a palavra de Jesus, decerto conduzes contigo não mais
o frio do desânimo ou a paralisia da ociosidade e da queixa, porque terás
inflamado o próprio coração, ao sol glorioso da compreensão e do trabalho
incessantes, única força capaz de levantar-nos, enfim, do antigo vale de
negação e da morte.
C. Dossi, em “Note Azzurre 4.265”: El último peldaño de adversa fortuna
es el primero de la próspera. O derradeiro degrau da escada da desgraça, pode
ser o primeiro da felicidade.
Livro: Escrínio de Luz
Chico Xavier/Emmanuel