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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O ESPINHO


       “E para que me não exaltasse pe­las excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, mensa­geiro de Satanás.” — Paulo. (2ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, CAPÍTULO 12, VERSÍCULO 7.)

Atitude sumamente perigosa louvar o homem a si mesmo, presumindo desconhecer que se encontra em plano de serviço árduo, dentro do qual lhe com­pete emitir diariamente testemunhos difíceis. É posi­ção mental não somente ameaçadora, quanto falsa, porque lá vem um momento inesperado em que o espinho do coração aparece.

O discípulo prudente alimentará a confiança sem bazóf ia, revelando-se corajoso sem ser metediço. Reconhece a extensão de suas dividas para com o Mestre e não encontra glória em si mesmo, por veri­ficar que toda a glória pertence a Ele mesmo, o Senhor.

Não são poucos os homens do mundo, invigi­Jantes e inquietos, que, após receberem o incenso da multidão, passam a curtir as amarguras da soledade; muitos deles se comprazem nos galarins da fama, qual se estivessem convertidos em ídolos eternos, para chorarem, mais tarde, a sós, com o seu espinho ignorado nos recessos do ser.

Por que assumir posição de mestre infalível, quando não passamos de simples aprendizes?

Não será mais justo servir ao Senhor, na moci­dade ou na velhice, na abundância ou na escassez, na administração ou ‘na subalternidade, com o espí­rito de ponderação, observando os nossos pontos vulneráveis, na insuficiência e imperfeição do que temos sido, até agora?
 
Lembremo-nos de que Paulo de Tarso esteve com Jesus pessoalmente; foi indicado para o serviço divino em Antioquia pelas próprias vozes do Céu; lutou, trabalhou e sofreu pelo Evangelho do Reino e, escrevendo aos coríntios, já envelhecido e cansado, ainda se referiu ao espinho que lhe foi dado para que se não exaltasse no sublime trabalho das revelações.
 
Livro: Pão Nosso
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças