O HINO DO REPOUSO
Na noite
de 10 de março de 1949, D. Maria Pena Xavier, uma das cunhadas do Chico, entrou
em longa e comovedora agonia, depois de persistente enfermidade.
O Médium, acompanhado de vários
familiares, entra em oração.
E o Chico vê o quarto humilde povoar-se de numerosas crianças
desencarnadas.
E elas
cantam delicado hino, como que embalando a enferma a desencarnar.
O Médium
roga a um dos Espíritos Amigos presentes que lhe dê, por generosidade, a letra
do hino e o Amigo dita, verso a verso.
Em breves
momentos, a composição, abaixo transcrita, está perfeita no papel em que o
Médium está escrevendo o que ouve:
HINO DO REPOUSO
Rasgaram-se os véus da noite...
Novo dia resplandece.
Viajor, descansa em prece
Ao lado da própria cruz.
No firmamento dourado
Rebrilha a aurora divina,
Porque a morte descortina
Vida nova com Jesus.
Esquece a aflição do mundo!
No seio da crença, olvida
Todas as sombras da vida,
Todo sonho enganador.
Sob a bênção da alegria,
És a andorinha celeste
Na esperança que te veste,
Voltando ao ninho de amor.
Repete, agora, conosco:
“Bendita a dor santa e pura
Que me deu tanta amargura
E tanta consolação”.
E orando, em paz, no repouso,
De alma robusta e contente,
Agradece alegremente
A própria libertação.
Descansa! que além da sombra,
Outra alvorada te espera!
Abençoa a nova esfera
A que o Senhor nos conduz.
Dilatarás, muito em breve,
Todo o júbilo que vazas,
Desdobrando as próprias asas
No Reino da eterna Luz!
Decorridos
instantes, D. Maria desencarnou e até hoje não se sabe a autoria do belo hino
cantado pelos Espíritos Amigos junto à humilde viúva, em seu leito de morte.
Esta
linda página consta do livro “Cartas do Coração”, publicado em benefício das
obras do “Centro Espírita Aliança do
Divino Pastor”, sediado no Leblon, no Rio.
Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama
Francisco Rebouças