Os Espíritos não podem aspirar à completa felicidade,
enquanto não se tenham tornado puros: qualquer mácula lhes interdita a entrada
nos mundos ditosos. São como os passageiros de um navio onde há pestosos, aos
quais se veda o acesso à cidade a que aportem, até que se hajam expurgado.
Mediante as diversas existências corpóreas é que os Espíritos se vão
expungindo, pouco a pouco, de suas imperfeições. As provações da vida os fazem adiantar-se,
quando bem suportadas. Como expiações, elas apagam as faltas e purificam. São o
remédio que limpa as chagas e cura o doente. Quanto mais grave é o mal, tanto
mais enérgico deve ser o remédio. Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer
que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à idéia da sua próxima cura. Dele
depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar
o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.
Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. IV, item10.
Francisco Rebouças