Caros amigos, a finalidade maior deste nosso Blog Espírita, é justamente, o constante e sério estudo e divulgação da doutrina espírita, por essa razão, estamos dando continuidade ao estudo do Livro dos Espíritos, para uma melhor compreensão de nossa doutrina. Nesta oportunidade focalizamos as questões de nºs 425 a 435 CAPÍTULO VIII - DA EMANCIPAÇÃO DA ALMA.
Sonambulismo
425. O sonambulismo natural tem alguma relação
com os sonhos? Como expli-cálo?
“É um estado de
independência do Espírito, mais completo do que no sonho, estado em que maior
amplitude adquirem suas faculdades. A alma tem então percepções de que não
dispõe no sonho, que é um estado de sonambulismo imperfeito.
“No
sonambulismo, o Espírito está na posse plena de si mesmo. Os órgãos materiais,
achando-se de certa forma em estado de catalepsia, deixam de receber as impressões
exteriores. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono,
ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo, por se
encontrar este gozando do repouso indispensável à matéria. Quando se produzem
os fatos do sonambulismo, é que o Espírito, preocupado com uma coisa ou outra,
se aplica a uma ação qualquer, para cuja prática necessita de utilizar-se do
corpo. Serve-se então deste, como se serve de uma mesa ou de outro objeto
material no fenômeno das manifestações físicas, ou mesmo como se utiliza da mão
do médium nas comunicações escritas. Nos sonhos de que se tem consciência, os
órgãos, inclusive os da memória, começam a despertar. Recebem imperfeitamente
as impressões produzidas por objetos ou causas externas e as comunicam ao Espírito,
que, então, também em repouso, só experimenta, do que lhe é transmitido, sensações
confusas e, amiúde, desordenadas, sem nenhuma aparente razão de ser, mescladas
que se apresentam de vagas recordações, quer da existência atual, quer de anteriores.
Facilmente, portanto, se compreende por que os sonâmbulos nenhuma lembrança
guardam do que se passou enquanto estiveram no estado sonambúlico e por que os
sonhos não têm sentido. Digo - as mais das vezes, porque também sucede serem a
consequência de lembrança exata de acontecimentos de uma vida anterior e até,
não raro, uma espécie de intuição do futuro.”
426. O chamado sonambulismo magnético tem alguma
relação com o sonambulismo natural?
“É a mesma
coisa, com a só diferença de ser provocado.”
427. De que natureza é o agente que se chama
fluido magnético?
“Fluido vital,
eletricidade animalizada, que são modificações do fluido universal.”
428. Qual a causa da clarividência sonambúlica?
“Já o dissemos:
É a alma que vê.”
429. Como pode o sonâmbulo ver através dos corpos
opacos?
“Não há corpos
opacos senão para os vossos grosseiros órgãos. Já precedentemente não dissemos
que a matéria nenhum obstáculo oferece ao Espírito, que livremente a atravessa?
Frequentemente ouvis o sonâmbulo dizer que vê pela fronte, pelo punho, etc.,
porque,
achando-vos inteiramente presos à matéria, não compreendeis lhe seja possível
ver sem o auxílio dos órgãos. Ele próprio, pelo desejo que manifestais, julga
precisar dos órgãos. Se, porém, o deixásseis livre, compreenderia que vê por
todas as partes do seu corpo, ou, melhor falando, que vê de fora do seu corpo.”
430. Pois que a sua clarividência é a de sua alma
ou de seu Espírito, por que é que o sonâmbulo não vê tudo e tantas vezes se
engana?
“Primeiramente,
aos Espíritos imperfeitos não é dado verem tudo e tudo saberem.
Não ignoras que
ainda partilham dos vossos erros e prejuízos. Depois, quando unidos à
matéria, não
gozam de todas as suas faculdades de Espírito. Deus outorgou ao homem a
faculdade sonambúlica
para fim útil e sério, não para que se informe do que não deva saber.
Eis por que os
sonâmbulos nem tudo podem dizer.”
431. Qual a origem das idéias inatas do sonâmbulo
e como pode falar com exatidão de coisas que ignora quando desperto, de coisas que
estão mesmo acima de sua capacidade intelectual?
“É que o
sonâmbulo possui mais conhecimentos do que os que lhe supõe. Apenas, tais
conhecimentos dormitam, porque, por demasiado imperfeito, seu invólucro
corporal não lhe consente rememorá-lo. Que é, afinal, um sonâmbulo? Espírito,
como nós, e que se encontra encarnado na matéria para cumprir a sua missão,
despertando dessa letargia quando cai em estado sonambúlico. Já te temos dito,
repetidamente, que vivemos muitas
vezes. Esta
mudança é que, ao sonâmbulo, como a qualquer Espírito ocasiona a perda material
do que haja aprendido em precedente existência. Entrando no estado, a que
chamas crise, lembra-se do que sabe, mas sempre de modo incompleto.
Sabe, mas não poderia dizer donde lhe vem o que sabe, nem como possui os
conhecimentos que revela. Passada a crise, toda recordação se apaga e ele volve
à obscuridade.”
Mostra a
experiência que os sonâmbulos também recebem comunicações de outros Espíritos,
que lhes transmitem o que devam dizer e suprem à incapacidade que denotam. Isto
se verifica principalmente nas prescrições médicas. O Espírito do sonâmbulo vê
o mal, outro lhe indica o remédio.
Essa dupla ação
é às vezes patente e se revela, além disso, por estas expressões muito frequentes:
dizem-me que diga, ou proíbem-me que diga tal coisa. Neste último
caso, há
sempre perigo em
insistir-se por uma revelação negada, porque se dá azo a que intervenham Espíritos
levianos, que falam de tudo sem escrúpulo e sem se importarem com a verdade.
432. Como se explica a visão a distância em
certos sonâmbulos?
“Durante o sono,
a alma não se transporta? O mesmo se dá no sonambulismo.”
433. O desenvolvimento maior ou menor da
clarividência sonambúlica depende da organização física, ou só da natureza do
Espírito encarnado?
“De uma e outra.
Há disposições físicas que permitem ao Espírito desprender-se mais ou menos
facilmente da matéria.”
434. As faculdades de que goza o sonâmbulo são as
que tem o Espírito depois da morte?
“Somente até
certo ponto, pois cumpre se atenda à influência da matéria a que ainda se acha
ligado.”
435. Pode o sonâmbulo ver os outros Espíritos?
“A maioria deles
os vê muito bem, dependendo do grau e da natureza da lucidez de
cada um. É muito
comum, porém, não perceberem, no primeiro momento, que estão vendo Espíritos e
os tomarem por seres corpóreos. Isso acontece principalmente aos que, nada conhecendo
do Espiritismo, ainda não compreendem a essência dos Espíritos. O fato os espanta
e fá-los supor que têm diante da vista seres terrenos.”
O mesmo se dá
com os que, tendo morrido, ainda se julgam vivos. Nenhuma alteração notando ao
seu derredor e parecendo-lhes que os Espíritos têm corpos iguais aos nossos,
tomam por corpos
reais os corpos aparentes com que os mesmos Espíritos se lhes apresentam.
Fonte: O Livro dos Espíritos – FEB, 76ª Edição
Francisco Rebouças
