I - AS ALMAS ENFRAQUECIDAS
Minhas palavras de hoje são dirigidas aos que ingressam nos estudos
espiritistas, tangidos pelos azorragues impiedosos do sofrimento; no auge das
suas dores, recorreram ao amparo moral que lhes oferecia a doutrina e sentiram
que as tempestades amainavam... Seus corações reconhecidos voltaram-se então
para as coisas espirituais; todavia, os tormentos não desapareceram. Passada
uma trégua ligeira, houve recrudescência de prantos amargos.
Experimentando as mesmas torturas, sentem-se vacilantes na fé e baldas
do entusiasmo das primeiras horas e é comum ouvirem-se as suas exclamações: – “Já
não tenho mais fé, já não tenho mais esperanças...” Invencível abatimento
invade-lhes os corações tíbios e enfraquecidos na luta, desamparados na sua
vontade titubeante e na sua inércia espiritual.
Essas almas não puderam penetrar o espírito da doutrina, vogando apenas
entre as águas das superficialidades.
O QUE É O MODERNO ESPIRITUALISMO
O moderno Espiritualismo não vem revogar as leis diretoras da evolução
coletiva. As suas concepções avançadas representam um surto evolutivo da
Humanidade, uma época de mais compreensão dos problemas da vida, sem oferecer
talismãs ou artes mágicas, com a pretensão de derrogar os estatutos da
Natureza. Desvenda ao homem um fragmento dos véus que encobrem o destino do ser
imortal e ensina-lhe que a luta é o veiculo do seu progresso e da sua redenção.
Traz consigo o nobre objetivo de enriquecer, com as suas benditas
claridades, os homens que as aceitam, longe da vaidade de prometer-lhes
fortunas e gozos terrestres, bens temporais que apenas servem para fortificar
as raízes do egoísmo em seus corações, agrilhoando-os ao potro das gerações
dolorosas.
NECESSIDADE DO ESFORÇO PRÓPRIO
Pergunta-se, às vezes, por que razão não obstam os Espíritos
esclarecidos, que em todos os tempos acompanham carinhosamente a marcha dos
acontecimentos do orbe, as guerras que dizimam milhões de existências e
empobrecem as coletividades, influenciando os diretores de movimentos
subversivos nos seus planos de gabinete; inquire-se o porquê das existências
amarguradas e aflitas de muitos dos que se dedicam ao Espiritismo, dando-lhes o
melhor de suas forças e sempre torturados pelas provas mais amargas e pelos
mais acerbos desgostos. Daqui, contemplamos melancolicamente essas almas
desesperadas e desiludidas, que nada sabem encontrar além das puerilidades da
vida.
Em desencarnando, não entra o Espírito na posse de poderes absolutos. A
morte significa apenas uma nova modalidade de existência, que continua, sem
milagres e sem saltos.
É necessário encarar-se a situação dos desencarnados com a precisa
naturalidade. Não há forças miraculosas para os seres humanos, como não existem
igualmente para nós. O livre-arbítrio relativo nunca é ab-rogado em todos nós;
em conjunto, somos obrigados, em qualquer plano da vida, a trabalhar pelo nosso
próprio adiantamento.
A PRECE
Faz-se preciso que o homem reconheça a necessidade da luta como a do pão
cotidiano.
A crença deve ser a bússola, o farol nas obscuridades que o rodeiem na
existência passageira e a prece deve ser cultivada, não para que sejam
revogadas as disposições da lei divina, mas a fim de que a coragem e a
paciência inundem o coração de fortaleza nas lutas ásperas, porém necessárias.
A alma, em se voltando para Deus, não deve ter em mente senão a
humildade sincera na aceitação de sua vontade superior.
AOS ENFRAQUECIDOS NA LUTA
Almas enfraquecidas, que tendes, muitas vezes,sentido sobre a fronte o
sopro frio da adversidade, que tendes vertido muitos prantos nas jornadas
difíceis em estradas de sofrimentos rudes, buscai na fé, os vossos imperecíveis
tesouros.
Bem sei a intensidade da vossa angústia e sei de vossa resistência ao
desespero. Ânimo e coragem! No fim de todas as dores, abre-se uma aurora de
ventura imortal; dos amargores experimentados, das lições recebidas, dos
ensinamentos conquistados à custa de insano esforço e de penoso labor, tece a
alma sua auréola de eternidade gloriosa; eis que os túmulos se quebram e da paz
cheia de cinzas e sombras, dos jazigos, emergem as vazes comovedoras dos
mortos. Escutai-as!... elas vos dizem da felicidade do dever cumprido, dos
tormentos da consciência nos desvios das obrigações necessárias.
Orai, trabalhai e esperai. Palmilhai todos os caminhos da prova com
destemor e serenidade. As lágrimas que dilaceram, as mágoas que pungem, as
desilusões que fustigam o coração, constituem elementos atenuantes da vossa
imperfeição, no tribunal augusto, onde pontifica o mais justo, magnânimo e
integro dos juízes. Sofrei e confiai, que o silêncio da morte é o ingresso para
uma outra vida, onde todas as ações estão contadas e gravadas as menores
expressões dos nossos pensamentos.
Amai muito, embora com amargos sacrifícios, porque o amor é a única
moeda que assegura a paz e a felicidade no Universo.
Livro: Emmanuel
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças