A caridade nunca falha... - Paulo. (I Coríntios, 13:8.)
A caridade possui
maneiras múltiplas de ajudar, em tudo aplicando o senso das dimensões.
No atendimento de
cada necessidade ei-la que se expressa não somente com a luz da bondade, mas
também com o metro da prudência: distribuindo alimento às vítimas da penúria,
abstém-se de azedar o pão com o vinagre da reprimenda, respeitando a condição
dos que lhe batem à porta;
medicando o enfermo,
não lhe exige atitudes em desacordo com os desajustes orgânicos em que o
socorrido se veja, e sim escolhe os melhores gestos de tolerância e compreensão,
de modo a servi-lo;
alfabetizando o
ignorante, não lhe reclama demonstrações de cultura antes do aprendizado, mas
revela paciência e brandura para guiar-lhe a inteligência nos mais simples
degraus da escola.
Assim também, se
invocamos a caridade a fim de orientar os que se transviam, não nos cabe
esquecer as dificuldades em que se encontram... Para recuperar-lhes o
equilíbrio não basta identificar-lhes as fraquezas e reprová-las. É
imprescindível anotar-lhes a posição desfavorável e socorrê-los sem exigência.
Daí o impositivo de
se reconhecer, em qualquer parte, quanto à distribuição da verdade, que, se
existe um modo distinto para que a beneficência exerça a caridade de saber assistir
nos domínios do corpo, nos reinos do espírito é preciso que ela aperfeiçoe igualmente
a caridade de saber explicar.
Livro: Benção de Paz
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças