Augusto
Cezar Neto
Nascimento: 27.09.1942
Desencarne: 27.02.1968
Parentesco: Filho
Com
a passagem de meu único filho homem, numa circunstancia dolorosa, transtornada,
fui assistida por uma médium do Lar do Amor Cristão, entidade que trabalha em
prol da criança e dos necessitados, aqui mesmo em São Paulo.
Maria
Acácia Maciel Cassanha veio dar-me assistência através de passes,
reconfortou-me bastante e recomendou-me que buscasse Chico Xavier, pois lá
encontraria sustentação maior para amenizar meu sofrimento. Deu-me muita
orientação e explicações, mas eu estava muito confusa.
Era
católica e não entendia nada de Espiritismo. Pedi-lhe que me desse uma carta de
apresentação ao Chico e explicasse a minha dor. Guardei essa carta para viajar
na primeira oportunidade.
Sofria
cada vez mais e, numa sexta-feira cedo, desesperada, pedi ao meu marido que me
levasse ao Chico Xavier. Que fossemos naquele instante mesmo. E assim fizemos.
De
Uberaba, só sabíamos que ficava em Minas Gerais; assim, acabamos viajando pela
Fernão Dias e fomos ter em Belo Horizonte. Lá ficamos sabendo a localização
certa.
Mas
nada importava. Queria chegar em Uberaba.
Chegamos
no sábado pela manhã. Realizava-se uma reunião que Chico costumava fazer nesse
horário. Não conhecia ninguém, inclusive o Chico. Perguntei a uma pessoa que
preparava café, quem era Chico Xavier. Fui até ele com a carta que Acácia me
havida dado. Mesmo sem ler, disse.
“-
Minha filha, ainda é muito cedo para aquilo que você procura. Mas volte aqui às
7:00 horas da noite que conversaremos”.
Estava
tão revoltada que não sai do Carro até anoitecer. Não tinha fé, no conhecia o
Espiritismo e, na minha grande dor, achava que todas as pessoas que ali
estavam, tinham obrigação de conhecer meu sofrimento. As palavras trocadas com
ele, não chegaram a me comover.
Na
hora marcada entrei no Centro. Não tive a humildade que todos demonstravam,
esperando pacientemente, em fila, para conversar com ele.
Sentei
e aguardei. Percebia que Chico olhava muito pra o meu lado, enquanto atendia
humildemente as pessoas. Eu pensava:
“Será
que ele está olhando para mim?”
Fiquei
prestando atenção e notei que ele continuava olhando. Quis tirar uma prova e
mudei de lugar, num ângulo mais difícil de se ver. Observei e percebi então,
que me olhava realmente. Comecei a ficar preocupada.
Depois
de algum tempo, chamou-me e disse:
-
“Apesar de ser um pouco cedo, tenho uma noticia para você. Vou dar-lhe uma
prova, pois tenho certeza de que está descrente. Seu filho, em sua casa era
chamado pelos familiares todos de Augustinho; mas você e suas filhas o chamavam
de Augusto.
Não
é verdade?”
Desatei
a chorar compreendendo toda a verdade, pois aquela particularidade não podia
ser do conhecimento do Chico. Desse momento em diante, comecei a me tranqüilizar
e com muita calma, entendi e dei credito ao que estava acontecendo. Voltei para
São Paulo.
A
partir daí e, como todos sabem, nestes momentos nos chegam muitos amigos com
palavras e toda espécie de conforto. Sabíamos o valor de todas essas pessoas.
Queria
algo que me aproximasse de meu filho. Queria saber onde ele estava.
Para
me confortar lia, lia muito. Passei a frequentar o Lar do Amor Cristão com mais
assiduidade e a visitar o Chico uma vez por mês. Creiam todos, para felicidade
ou infelicidade minha, fui uma das mães que mais tempo levou para receber uma
mensagem de seu filho. Esperei mais de quatro anos.
Recebia
muitos recados que me tranquilizavam e me satisfaziam; mas intimamente,
desejava mesmo uma mensagem.
Certa
vez, Dr. Bezerra de Menezes trouxe-me um recado de dezoito páginas, quase uma
mensagem.
Quando
recebi a primeira carta de meu filho, estava iniciando na Doutrina Espírita.
Só
então tive a lembrança de dizer, por tudo aquilo que havia recebido:
“Obrigado,
meu Deus!”
Fiquei
plenamente feliz. Identifiquei a assinatura autêntica de meu filho e os assuntos
que só nós conhecíamos. Não havia nenhuma dúvida.
Com
essa mensagem, minha família tranquilizou-se. O sentimento é uma coisa inevitável.
Apesar
de, durante quatro anos de convivência com os trabalhos mediúnicos, ter presenciado
muitas mães receberem suas mensagens e de estar preparada da forma que estava,
quando Chico disse que a mensagem era minha, chorei mais de quatro horas sem
parar. A emoção era tamanha que nem ouvi a leitura.
Nela
estava contido tudo o que aconteceu após seu desencarne. Minhas conversas,
minhas indagações, minhas rogativas... Quando ainda encarnado, consumávamos
sentar no sofá, um defronte ao outro, mantínhamos um dialogo aberto e franco;
tocávamos muitas idéias, pois tinha muita afinidade com meu filho, apesar de minhas
três filhas serem maravilhosas.
Após
sua partida, mantive aquele habito. Sentava-me no mesmo lugar querendo vê-lo.
Eu falava, chorava, forçava minha mente à sua procura. Não entendia como aquilo
havia acontecido. Ficava relembrando o tempo todo. De tudo isso ele falou na mensagem.
Pelo
relacionamento que temos em Vila Nova Conceição, pois nascemos todos naquele
bairro, desde meu marido até meu filho, minha casa ficava cheia de amigos o tempo
todo. Amigos formidáveis nos visitavam. Terminadas as reuniões, ia para o quarto
do Augusto e chorava muito. Queria vê-lo, senti-lo. Quantas vezes fiz isto.
Ninguém
em minha família sabia. Tinham seus afazeres. Não queria incomodá-los. Não
podia crer. Augusto que nadava tão bem, vivia dentro dos clubes da cidade, disputava
troféus de natação, saia suando dos campos de futebol. Nunca soube que
tinha
sofrido uma dor de cabeça. Não podia calcular e pensar que este filho fosse
morrer afogado a poucos metros da praia.
Quando
telefonaram da Praia Grande para que a família se dirigisse a Santos, pois que
Augusto sofrera um acidente, pensei ter sido de carro.
Ele
esteve a noite toda acordado e saiu cansado do baile. Nunca podia imaginar que
fosse afogamento.
Voltando
com o seu corpo, víamos os carnavalescos cantando, pulando, chegando mesmo a
debruçarem-se sobre o veiculo. Aquilo me atingia tanto, que por um bom tempo
não podia ouvir musica de carnaval. Mais tarde pelo Chico, vim a saber que ele
teve um problema cardíaco.
Acredito
talvez, por causa do banho de sol, dormiu varias horas de bruço na praia.
Graças
a Deus estou conformada, pois sei que meu filho está vivo e em continuo trabalho
na espiritualidade. E eu encontrei-me no trabalho espírita.
Ele
já enviou varias mensagens. Apesar de tardar a primeira, as outras contem ensinamentos
doutrinários. Quem sabe o tempo lhe tenha concedido a renovação espiritual
necessária para que pudesse trazer essas mensagens. Algumas estão publicadas em
livros.
Se
eu contasse o que tenho presenciado em Uberaba, nos trabalhos de Chico estes
anos todos que lá frequento, o meu testemunho levaria muitas paginas. Coloquei Uberaba
como roteiro de minha vida.
Algumas
pessoas que eventualmente nos acompanhavam, recebem suas mensagens na primeira
vez que lá comparecem, sem a oportunidade de trocar uma
palavra
com o Chico.
Isso
nos dá o testemunho real, tornando a sua autenticidade indiscutível.
Outras
chegam pedindo informações de como proceder. E no final da noite chegam-lhes as
mensagens; mas quando procuradas, às vezes se foram, por problemas de horário
ou outros motivos que desconhecemos. Fica gravado o carinho, o desprendimento
de que o mais necessitado e merecedor é atendido.
E
o ensinamento que recebemos toda vez que Chico fala. Das últimas vezes, ele em
conversa conosco disse estar muito contente.
Chegou
ao ano 50 de sua mediunidade e adoeceu o órgão que mais usou na vida – o
coração.
Sofreu
junto das mães que perderam seus filhos, de esposas que perderam seus esposos,
de esposos que perderam suas esposas, de filhos que perderam seus pais. Assim, podemos
fizer que o Chico sofreu conosco todos esses anos.
Não
tive oportunidade de acompanhá-lo por todo esse tempo. Mas nos nove anos que
frequento seu trabalho, suas reuniões, tive provas maravilhosas, ensinamentos
que não adquirimos em cursos e que não constam em livros, transmitidos através
do exemplo.
São
palavras do meu coração. Este é o meu testemunho que constará do livro comemorativo
que, sem dúvida, marcará para a posteridade a passagem do cinquentenário de sua
mediunidade a serviço do trabalho edificante e do amor ao semelhante.
Não
queremos elogiá-lo, pois sabemos que o elogio vai contra os seus princípios.
Mas
precisamos, dizer à humanidade, o que Chico representa: o exemplo, a moral, a humildade,
o amor e tudo de bom e belo que se possa pensar.
Quando
se quer encontrar a melhora no caminho para Jesus, busquemos dentro do seu
trabalho e das maravilhas que fluem das mensagens e dos livros trazidos pelos nossos
Irmãos Maiores, que nos abrem a consciência convidando-nos a buscar Jesus.
Isso
é trabalho, é amor, é carinho. É Francisco Cândido Xavier.
Livro Amor e Luz
Chico Xavier/Espíritos Diversos