Solidarity Spiritist Societ

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pedro Leopoldo


Capítulo II

26 – 11 – 1935 

O Manto de Virtudes

Que a Virgem Piedosa envolva os (nossos) corações amorosos e sensíveis nas dobras luminosas do seu manto divino, constelado de todas as virtudes, concedendo-lhes (nos) força, resignação e fé. 

O Orvalho Celeste

A existência terrena é estrada espinhosa das provações ásperas e amargas, mas redentoras.

As lutas domésticas hão recrudescido, os espinhos da prova dilaceram-nos a alma, contudo, não nos faltarão mãos desveladas e carinhosas do plano espiritual, as quais, apesar da sua intangibilidade, derramarão sobre o mundo interior o orvalho celeste dos mais sagrados confortos. 

Provação e Resgate

Vamos todos resgatando dívidas de passados delituosos e obscuros. É por isso que, muitas vezes, enquanto ao mundo se afigura nossa aparente felicidade, sofremos resignadamente, porque essa mesma sociedade que nos sorri desconhece o labirinto de nossas inquietações. 

A Rosa de Nazaré

Os benfeitores espirituais, que buscam amparar-nos o coração em provas no lar, sabem de todas as nossas angustias materiais; em todas elas, porém, lembram-nos daquela que ainda hoje é mãe de todas as mães.

Receber a sacrossanta missão da maternidade é copiar a alma da Rosa de Nazaré, que soube sorver até a última gota a taça de fel das próprias amarguras.

Recordemos o desvelado amor desse Anjo das mães sofredoras e incompreendidas e sentiremos no íntimo a força poderosa da resistência. 

A Grinalda e a Auréola

Nem sempre, a grinalda de flores de laranjeira tem a delicada contextura dos sonhos que arquitetamos ao buscar o laço sacrossanto que nos une a outro ser na existência terrestre; muitas vezes esse traço romântico é o símbolo perfeito daquela auréola de espinhos com que se premiou no mundo o sonho de perfeição daquele que é sempre o Mestre Divino de todos os mestres. 

Nosso Santelmo

O doce licor do ideal como o criamos em nossa imaginação, torna-se com o tempo, como aquele vinha amargo cujo gosto cruel foi levado aos divinos lábios, no cimo da cruz.

A vida na terra tem desses contrastes e dessas dores rudes.

Não nos assustemos porém, em face do destino.

Muito venceremos, algumas vezes pensando em nossos filhos bem amados, em outras ponderando sobre o amor de nossos pais carinhosos, dignos de toda a nossa mais respeitosa afeição, se nos levarmos sempre pelos caminhos da fé inabalável.

Essa fé é o nosso santelmo no meio da tempestade.

Não a deixemos nunca, porque ela é um laço suave unindo nossa alma a quantos do Além seguem desveladamente os nossos passos, cooperando pela nossa evolução espiritual. 

Diante da Incompreensão

Junto aos nossos companheiros de Jornada Terrestre, inúmeras vezes provamos o fel amargo da incompreensão.

Façamos o possível para adaptar todas as nossas aspirações dentro do Evangelho.

Não nos impressionemos com as atitudes incompreensíveis daqueles a quem nos ligarmos pelo código do Dever.

Se o passado fala muito forte em seus corações, amemo-lhes intensamente, entregando-lhes a Deus. 

Serviço, Prece e Jesus

Ao sentirmos o coração sensibilíssimo humilhado diante das atitudes insólitas daqueles que não nos compreendem no tocante às dedicações e renúncias do lar, vençamos a estranheza dessas situações, entregando a alma ao serviço, o pensamento à prece e o coração a Jesus. 

O Ideal da Serenidade

Muitas vezes fazemos uma concepção muito elevada da nobreza espiritual, da delicadeza e do cavalheirismo, levando longe nossos sentimentos nesse sentido.

Por essa razão, muitas vezes, sentimos dificuldade de perdoar muito, não obstante já termos perdoado em demasia.

A redenção psíquica requer essas depurações necessárias.

Sejamos constantemente fortes na provação e serenos diante das terrenas torturas.

A dor costuma doer mais se alguém nos vê chorar e por isso não esmoreçamos no ideal da serenidade.

Justiça e Misericórdia

Forneçamos um exemplo de fé e resistência aos nossos filhinhos.

Formemos os seus caracteres com nossos bons exemplos e não duvidemos de que muitas compensações chegarão um dia para a nossa alma.

E, se os nossos desejos justos no tocante ao problema educativo não forem integralmente satisfeitos, consideremos que há sempre uma justiça e uma misericórdia imensa reinando sobre todas as coisas.

Livro: Aceitação e Vida
Chico Xavier/Margarida

Francisco Rebouças