Capítulo II
26 – 11 – 1935
O
Manto de Virtudes
Que a Virgem Piedosa envolva os (nossos)
corações amorosos e sensíveis nas dobras luminosas do seu manto divino,
constelado de todas as virtudes, concedendo-lhes (nos) força, resignação e fé.
O
Orvalho Celeste
A existência terrena é estrada espinhosa
das provações ásperas e amargas, mas redentoras.
As lutas domésticas hão recrudescido, os
espinhos da prova dilaceram-nos a alma, contudo, não nos faltarão mãos
desveladas e carinhosas do plano espiritual, as quais, apesar da sua intangibilidade,
derramarão sobre o mundo interior o orvalho celeste dos mais sagrados confortos.
Provação
e Resgate
Vamos todos resgatando dívidas de passados
delituosos e obscuros. É por isso que, muitas vezes, enquanto ao mundo se
afigura nossa aparente felicidade, sofremos resignadamente, porque essa mesma
sociedade que nos sorri desconhece o labirinto de nossas inquietações.
A
Rosa de Nazaré
Os benfeitores espirituais, que buscam
amparar-nos o coração em provas no lar, sabem de todas as nossas angustias
materiais; em todas elas, porém, lembram-nos daquela que ainda hoje é mãe de
todas as mães.
Receber a sacrossanta missão da
maternidade é copiar a alma da Rosa de Nazaré, que soube sorver até a última
gota a taça de fel das próprias amarguras.
Recordemos o desvelado amor desse Anjo das
mães sofredoras e incompreendidas e sentiremos no íntimo a força poderosa da
resistência.
A
Grinalda e a Auréola
Nem sempre, a grinalda de flores de
laranjeira tem a delicada contextura dos sonhos que arquitetamos ao buscar o
laço sacrossanto que nos une a outro ser na existência terrestre; muitas vezes
esse traço romântico é o símbolo perfeito daquela auréola de espinhos com que
se premiou no mundo o sonho de perfeição daquele que é sempre o Mestre Divino
de todos os mestres.
Nosso
Santelmo
O doce licor do ideal como o criamos em
nossa imaginação, torna-se com o tempo, como aquele vinha amargo cujo gosto
cruel foi levado aos divinos lábios, no cimo da cruz.
A vida na terra tem desses contrastes e
dessas dores rudes.
Não nos assustemos porém, em face do
destino.
Muito venceremos, algumas vezes pensando
em nossos filhos bem amados, em outras ponderando sobre o amor de nossos pais
carinhosos, dignos de toda a nossa mais respeitosa afeição, se nos levarmos
sempre pelos caminhos da fé inabalável.
Essa fé é o nosso santelmo no meio da
tempestade.
Não a deixemos nunca, porque ela é um laço
suave unindo nossa alma a quantos do Além seguem desveladamente os nossos
passos, cooperando pela nossa evolução espiritual.
Diante
da Incompreensão
Junto aos nossos companheiros de Jornada
Terrestre, inúmeras vezes provamos o fel amargo da incompreensão.
Façamos o possível para adaptar todas as
nossas aspirações dentro do Evangelho.
Não nos impressionemos com as atitudes
incompreensíveis daqueles a quem nos ligarmos pelo código do Dever.
Se o passado fala muito forte em seus
corações, amemo-lhes intensamente, entregando-lhes a Deus.
Serviço,
Prece e Jesus
Ao sentirmos o coração sensibilíssimo
humilhado diante das atitudes insólitas daqueles que não nos compreendem no
tocante às dedicações e renúncias do lar, vençamos a estranheza dessas
situações, entregando a alma ao serviço, o pensamento à prece e o coração a
Jesus.
O
Ideal da Serenidade
Muitas vezes fazemos uma concepção muito
elevada da nobreza espiritual, da delicadeza e do cavalheirismo, levando longe
nossos sentimentos nesse sentido.
Por essa razão, muitas vezes, sentimos
dificuldade de perdoar muito, não obstante já termos perdoado em demasia.
A redenção psíquica requer essas
depurações necessárias.
Sejamos constantemente fortes na provação
e serenos diante das terrenas torturas.
A dor costuma doer mais se alguém nos vê
chorar e por isso não esmoreçamos no ideal da serenidade.
Justiça
e Misericórdia
Forneçamos um exemplo de fé e resistência
aos nossos filhinhos.
Formemos os seus caracteres com nossos
bons exemplos e não duvidemos de que muitas compensações chegarão um dia para a
nossa alma.
E, se os nossos
desejos justos no tocante ao problema educativo não forem integralmente
satisfeitos, consideremos que há sempre uma justiça e uma misericórdia imensa
reinando sobre todas as coisas.
Livro: Aceitação e Vida
Chico Xavier/Margarida
Francisco Rebouças