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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ante Jesus


 
Jésus Gonçalves
 I

Inda vejo, Senhor, de alma oprimida,

A Trácia devastada, a ânsia de Atenas,

Constantinopla em lágrimas e penas

E Roma flagelada e envilecida...


Vejo a conquistadora e horrenda lida,

O gozo, o saque e a morte, em velhas cenas,

E o fausto senhoril que trouxe apenas

Desilusão e horror, à nossa vida.


E ouço-Te a voz, Jesus, dizendo – Basta!

De um rei fizeste um verme que se arrasta

E abriste-me o caminho da aflição!...
 

Anjos correram como sombras vagas,

Mas, depois de vertir-me em lepra e chagas,

Achei-Te, Excelso, no meu coração!
 

II
 

Hoje, Senhor, não peço o vão tributo

Das multidões famélicas, vencidas,

Que humilhei, no transcurso de outras vidas,

Semeando miséria, pranto e luto...
 

Das rosas que me deste por feridas

Recolhi muita graça e muito fruto.

Passageiras vitórias não disputo,

Nem procuro vanglórias esquecidas.

 
Perdoa-me, Senhor, se agora venho,

Recordando-Te as úlceras no Lenho,

Rogar-Te algo das bênçãos que entesouras!
 

E que eu possa, feliz com o dom divino,

Socorrer os irmãos do meu destino
No turbilhão das chagas redentoras!

Livro: Vida em Vida
Chico Xavier/Espíritos Diversos

Francisco Rebouças