Emmanuel
Repara a Tolerância Celeste em derredor de teus passos...
Em todo o chão que pisas, há louvor à esperança.
Aqui, é a vergôntea frágil que se fará ramo forte, ali é o fruto verde buscando amadurecer.
Além, é a gleba seca aguardando adubo em formação para cobrir-se de flores e, mais além, é o corpo triste do charco esperando a drenagem que dele fará terra útil.
Nem pressa, nem violência.
Em toda faixa de solo, é a paciência das horas com o auxílio incessante da natureza.
Vale-te, assim, da lição para entender e servir.
Não disputes a condição daquele que se esconde em carapaça do próprio orgulho para exclamar: “Eu perdôo”, exibindo virtudes imaginárias.
Acalma-te, cada dia, ao pé de cada ofensa e auxilia o melhor que possas.
Lembra-te de que tanto ocorrem mazelas na mente quanto chagas no corpo.
E pensa que se há moléstias visíveis, medicáveis em tempo próprio, enfermidades ocultas podem surgir adentro do cosmo orgânico, flagelando sentimentos e aspirações, sem possibilidade de serem vistas para o socorro adequado.
Assim, diante da falência ou da deserção, do golpe ou da crueldade, silencia e socorre sempre, para que, mais tarde, nos óbices do caminho não te faltem luz e visão ante a probabilidade da queda nos mesmos erros.
Só o amor consegue cobrir a multidão de nossas deficiências.
Sobretudo, recorda que se te não é possível improvisar o heroísmo ou a santidade em ti mesmo, podes compreender e servir, para que por tua bondade e entendimento de hoje se faça a vida amanhã mais elevada e melhor.
Francisco Rebouças