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sábado, 28 de julho de 2012

PIEDADE

“Mas é grande ganho a pieda­de com contentamento.” — Paulo. (1ª A TIMÓTEO, CAPÍTULO 6, VERSÍCULO 6.)
Fala-se muito em piedade na Terra, todavia, quan­do assinalamos referências a semelhante virtude, di­ficilmente discernimos entre compaixão e humilhação.
Ajudo, mas este homem é um viciado.
Atenderei, entretanto, essa mulher é ignorante e má.
Penalizo-me, contudo, esse irmão é ingrato e cruel.
Compadeço-me, todavia, trata-se de pessoa imprestável.
Tais afirmativas são reiteradas a cada passo por lábios que se afirmam cristãos.
Realmente, de maneira geral, só encontramos na Terra essa compaixão de voz macia e mãos espi­nhosas.
Deita mel e veneno.
Balsamiza feridas e dilacera-as.
Estende os braços e cobra dívidas de reconhe­cimento.
Socorre e espanca.
Ampara e desestimula.
Oferece boas palavras e lança reptos hostis.
Sacia a fome dos viajores da experiência com pães recheados de fel.
A verdadeira piedade, no entanto, é filha legítima do amor.
Não perde tempo na identificação do mal.
Interessa-se excessivamente no bem para des­curar-se dele em troca de ninharias e sabe que o minuto é precioso na economia da vida.
O Evangelho não nos fala dessa piedade men­tirosa, cheia de ilusões e exigências. Quem revela energia suficiente para abraçar a vida cristã, encon­tra recursos de auxiliar alegremente. Não se prende às teias da crítica destrutiva e sabe semear o bem, fortificar-lhe os germens, cultivar-lhe os rebentos e esperar-lhe a frutificação.
Diz-nos Paulo que a “piedade com contentamen­to” é “grande ganho” para a alma e, em verdade, não sabemos de outra que nos possa trazer prospe­ridade ao coração.

Livro: Pão Nosso
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças