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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Lindos Casos de Chico Xavier


SOLILÓQUIO DE UM SUICIDA
Na noite de 7 de março de 1948, Chico Xavier encontrava-se com alguns amigos no Alto do Cruzeiro, em Belo Horizonte.

Desse ponto admirável, extenso panorama se descortinava...

Noite clara e suave.

Um amigo lembra a prece e o grupo ora.

— Alguém da vida espiritual conosco, Chico? — interrogou um companheiro do Sul de Minas, depois da oração.

— Sim, disse o Médium — vejo um homem chorando ao seu lado.

— O nome dele?

— João Guedes.

— Sim, conheci. Era um pobre moço, Poeta, que morreu por suicídio, em minha terra.

— Desejará alguma coisa?

— Sim, ele diz que pretende deixar-nos uma lembrança. Alguém traz consigo papel e lápis?

Um dos companheiros presentes estende ao Médium o material solicitado.

E, apoiando-se num poste de iluminação pública, Chico escreve o que lhe dita o visitante do Além.

Quando terminou, estava grafada a seguinte poesia:

Os torvos corações, náufragos de mil vidas,
Distantes de Jesus, que nos salva e aprimora,
Sob o güante da dor, caminham de hora a hora,
Para o inferno abismal das almas consumidas...

Sementeiras de pranto, aflições e feridas,
No pecado revel que os requeima e devora...
Depois, a escuridão da noite sem aurora
E o sarcasmo cruel das ilusões perdidas...

Alma triste que eu trago, ensandecida e errante,
Por que fugiste, assim, no milagroso instante?
Por que rogar mais luz, se, estranha, te sublevas?

Ah! Mísera que foste, hesitante e covarde.
Não lamentes em vão, nem soluces tão tarde...
Procuremos Jesus, além de nossas trevas!

João Guedes

O moço, amigo do Poeta desencarnado, recebeu a página e guardou-a, enxugando as lágrimas.

Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama

Francisco Rebouças