Solidarity Spiritist Societ

terça-feira, 25 de outubro de 2011

QUESTÕES DA ATUALIDADE (*)

20 – Meio Século de Mediunidade

P – Claro Chico, olhando para trás, como você se sente depois de meio século dedicado à Mediunidade, na Doutrina Espírita?

R – Sinceramente, reconheço que cinqüenta anos é tempo estreito para o trabalho mediúnico no qual sempre encontrei e sempre encontro imenso reconforto e profunda alegria.

21 – Livros - Filhos

P – Por que é que você considera os cento e cinqüenta livros de sua lavra mediúnica como sendo seus filhos?

R – Sempre considerei que qualquer tarefa guarda afinidade inextinguível com que a realiza. Uma casa, por exemplo, é filha do engenheiro que lhe deu forma. Determinada utilidade nasce da mente que a inventou, embora reconheçamos que a inspiração dos Planos Superiores está presente em toda realização edificante. Penso, deste modo, que o livro mediúnico está ligado, não só ao espírito amigo que o escreveu, mas também ao médium que lhe emprestou o concurso para que as páginas espirituais viessem à luz.

22 – Tristeza e Alegria Pessoal

P – Chico, no arquivo de suas recordações, qual é o episódio que lhe traz tristeza e o que lhe dá mais alegria?

P – Se tenho algum pensamento de tristeza é o de não ter aproveitado convenientemente, em cinqüenta nos consecutivos de trabalho mediúnico, tantos ensinamentos nobres, quais os que têm passado por minhas mãos. E o episódio que me causa mais alegria é o de haver conhecido a Doutrina Espírita, que tanta proteção e amparo me dispensa, auxiliando-me a compreender os meus próprios erros e reduzi-los.

23 – Aos Médiuns Iniciantes

P – Depois de cinquenta nos na Mediunidade, o que você teria a dizer aos médiuns iniciantes?

R – Que, apesar das fraquezas e imperfeições que ainda carregamos, na condição de espíritos reencarnados, trabalhar com os Bons Espíritos, estudando e servindo, é sempre o melhor meio de sustentar-nos em atividade, seja em nossos grupos particulares ou seja em nossas instituições.

24 – Animismo

P – Qual a receita que você apontaria contra o animismo?

R – Aprendi com o nosso abnegado Emmanuel que o médium é também um espírito necessitado de socorro e de orientação. Desse modo, se o chamado animismo aparece em determinado grupo, devemos atender ao companheiro ou à companheira, envolvidos no assunto, com o mesmo carinho e atenção que dispensamos comumente ao espírito desencarnado, quando no intercâmbio conosco.

25 – Receita da Felicidade

P – Qual o caminho mais fácil para alcançar-se à felicidade?

R – Caro amigo, o caminho da felicidade, bem sei qual é. É o caminho que Jesus nos apontou, ensinando-nos a “amar ao próximo, tal qual Ele mesmo nos ama e nos amou”. Difícil para mim é andar no caminho da felicidade, embora eu saiba que o mapa está no Evange-lho do Senhor...

26 – Dor e Esforço

P – Chico, por que o homem sofre?

R – Acreditamos que o homem dramatiza talvez demais o problema da dor, porque nada de bom se adquire sem esforço. E todo esforço, seja para aprender ou reaprender, edificar ou reedificar, exige sofrimento. Creio que o sofrimento é uma necessidade inarredável da evolução e do aprimoramento que nos cabe realizar.

27 – Esmolas

P – Quando é que a esmola deixa de auxiliar e passar a prejudicar os que dela necessitam?

R – Penso que esmola nunca prejudica, porque a alegria de auxiliar é sempre maior que a alegria de receber. Neste assunto, creio que as facilidades excessivas para quem não se preparou convenientemente para recebê-las, em real proveito de si mesmo ou em proveito dos outros, é que geral muitos desequilíbrios que poderiam, talvez, ser evitados.

28 - A Conquista da Fé

P – Inegavelmente, a fé é uma das conquistas mais difíceis para o Espírito. Como torná-la menos penosa?

R – A conquista da fé, a nosso ver, se faz menos penosa quando resolvemos ser fiéis, por nós mesmos, às disciplinas decorrentes dos compromissos que assumimos.

29 – Mediunidade. Obstáculos

P – Chico, qual o obstáculo mais difícil a vencer na Mediunidade?

R – Os obstáculos mais difíceis ao desenvolvimento da mediunidade estão sempre em nós mesmos. Quando deixamos os trabalhos mediúnicos para entregar-nos a tipos de atividades inconvenientes, estamos habitualmente cedendo às tentações que ainda trazemos em nós mesmos, constantes das tendências inferiores que ainda remanescem dentro de nós, em nos referindo a herança pessoal que trazemos de existência passadas.

30 – Parapsicologia e Espiritismo

P – A Parapsicologia surgiu para auxiliar ou para destruir o Espiritismo?

R – A Parapsicologia, como ciência pura, sem propósitos de agir dogmaticamente, a serviço dessa ou daquela religião, é sempre uma atividade valiosa, capaz de acordar as inteli-gências para as realidades da Doutrina Espírita.

31 – Experiência Mediúnica

P – Como médium, qual foi a sua maior experiência?

R – O trabalho com os Espíritos Amigos ainda e sempre é a minha maior experiência em mediunidade, porque, diariamente, eles nos trazem novas lições.

32 – Atendimento Espiritual Ideal

P – Chico, desde 1927 que você tem acompanhado a evolução do Espiritismo no Brasil, e ninguém melhor do que você tem percebido a grande afluência de pessoas às nossas casas espíritas. A que atribuir sedenta procura? Como nós, os espíritos, devemos preparar-nos para dar-lhes o que buscam?

R – Desde muito tempo, o nosso Caro Emmanuel nos fala dessa necessidade de preparar-nos pelo estudo e pelo trabalho, a fim de atender às necessidades espirituais, sempre maiores no campo humano. Se cada companheiro de Doutrina Espírita produzir o melhor que pode em favor dos irmãos necessitados de esclarecimentos e paz, estaremos caminhando para o atendimento ideal, em nossas casas de fé.

33 – Mediunidade consciente e Inconsciente

P – Chico, você prefere funcionar como médium consciente ou inconsciente? Por quê?

R – Em meu caso pessoal, depois de muito tempo de trabalho, os Benfeitores Espirituais é que decidem. Para mim, porém, prefiro trabalhar na condição de médium responsável pela manifestação da qual, porventura, venha a ser instrumento.

34 – Inspiração e Instrução. Limites

P – Onde termina a inspiração e começa a intuição?

R – Não tenho uma noção exata do ponto de interação de uma e de outra. Chego a pensar que intuição é a inspiração quando cresce, induzindo-nos a sentir, pensar e fazer, confor-me as nossas próprias obrigações.

(* - Transcrita do Jornal A Flama Espírita, Uberaba/MG, de 25 de junho de 1977; intitulada “A Flama Espírita entrevista Francisco Cândido Xavier”).

Livro: Encontros no Tempo
Chico Xavier/Espíritos Diversos

Francisco Rebouças